Vereadores que votaram contra o reajuste salarial do Executivo municipal explicam decisão

Sepé Tiaraju 9 junho, 2018 Fonte: A Tribuna

Um assunto que causou revolta e mobilizou as entidades empresarias e a população foi a aprovação pelos vereadores, na segunda-feira, 4, do projeto concedendo reajuste de 2,68% para os cargos de prefeito, vice, secretários municipais e vereadores. O assunto teve grande repercussão nas redes sociais e a Acisa, CDL e Sindilojas publicaram nota lamentando a decisão. Diante da repercussão negativa, o prefeito Jacques Barbosa recuou e anunciou veto do projeto de reajuste que será votado na Câmara de Vereadores, na próxima segunda-feira, 11.

Em entrevista à reportagem do jornal A Tribuna, os cinco vereadores que votaram contra o projeto de reajuste do Executivo explicaram os motivos para a decisão, diferentemente dos edis da base de apoio do governo municipal que seguiram outra orientação.

Lucas Lima (MDB)

“Fui contra por entender que os políticos devem estar conectados com os novos tempos que a política do Brasil, ou seja, de combate à corrupção; zelo com dinheiro público; e eu tenho demonstrado isso desde o primeiro dia que eu assumi meu mandato na Câmara de Vereadores quando propus a extinção das diárias e do cargo de assessor. Pedi vistas, juntamente com os vereadores Márcio Antunes e Rodrigo Trevisan, e encaminhamos documento propondo que esses valores a serem gastos com o Executivo fossem repassados aos servidores. O bom senso apenas prevaleceu depois que as entidades empresariais e a sociedade se revoltaram. Pedimos que a comunidade esteja atenta à votação do veto do prefeito na próxima segunda-feira, na Câmara de Vereadores”

Rodrigo Trevisan (Progressistas)

 “Tomei essa decisão em função do momento que vivemos. A sociedade pede austeridade e bom senso aos gestores e os agentes políticos. Entendemos como algo inadequado e inoportuno esse tipo de atitude. Não concordamos com qualquer tipo de reposição e aumento que onere os cofres públicos ainda mais quando é proposta uma reposição tão pouca para os funcionários. O que aconteceu em Santo Ângelo foi algo positivo e mostrou a força que a sociedade organizada teve para fazer com que o Executivo revesse sua decisão. Esses são os ventos novos que a sociedade pede e impõe aos seus agentes políticos”.

Márcio Antunes (Progressistas)

 “Acredito que o cenário de crise do país não permite esse reajuste do Executivo. Além disso, o reajuste dado aos funcionários públicos foi baixo. O que chamou a atenção é de que não teve qualquer manifestação dos sindicatos que não apresentaram um parecer, uma negociação que tivesse sido enviada ao prefeito. Diante desta ausência dos sindicatos na defesa dos interesses dos servidores, optamos por abrir mãos do nosso aumento e repassar aos servidores públicos municipais. O que eu espero agora é que meus colegas que votaram pelo aumento aprovem o veto do prefeito”.

Zilá Andres (Progressistas)

 “A aprovação deste reajuste gerou um desgaste que poderia ter sido evitado caso houvesse bom senso. Vejo incoerência nessa atitude do Executivo que também reflete falta de experiência para não dizer amadorismo. Votei contra o projeto de aumento porque penso que essa atitude é o mínimo que a comunidade espera dos vereadores. Nas minhas manifestações e no meu mandato sempre defendi a transparência das ações, a probidade e o respeito com as pessoas. Protocolamos com alguns vereadores o pedido de retirada do projeto, mas teve resistência do Executivo. Acredito que é o momento dos vereadores da base do governo repensar suas atitudes”.

Vinicius Makvitz (MDB)

 “O Brasil não tem dinheiro para saúde, educação, estrada. Nada mais justo de congelar nossos salários. Votei contrário a esse reajuste. Pedi também na sessão que ficasse na casa e pudéssemos convocar a Prefeitura e a Câmara de Vereadores para publicarmos uma nota explicando que não iríamos reajustar nossos salários. No entanto teve colegas, que respeito, que entenderam de uma forma diferente. Acredito que precisamos ter consciência do nosso trabalho e procurar deixar uma marca positiva no mandato que é de quatro anos e a gente não sabe se vai voltar. Tenho um filho e quero que daqui 20 anos seja lembrado por ele pela coerência das minhas ações, mesmo entendendo que posso errar como ser humano”.

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