USDA deve reduzir safra de soja da Argentina e de milho do Brasil

USDA divulga hoje novo relatório mensal de oferta e demanda. Foto: google/USDA.
bernardi 8 março, 2018 Fonte: NOTÍCIAS AGRÍCOLAS/CARLA MENDES

O novo relatório mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) chega nesta quinta-feira, 8 de março, e os olhos do mercado internacional seguem voltados para a questão da América do Sul, em especial, a produção da Argentina.

“Chegamos a um ponto sem volta na questão da safra argentina tanto para a soja, quanto para o milho. Com pouca ou quase nenhuma chuva entre os meses de dezembro e fevereiro, a única questão ainda pendente é o tamanho da perda”, explica o analista sênior de grãos do portal DTN, Darin Newsom.

Os números das estimativas com qual trabalha o especialista, porém, ainda parecem bastante conservadores diante das informações que chegam, inclusive, da própria Argentina. A média pré-relatório é de 48,1 milhões de toneladas para a soja, com o intervalo variando entre 43 e 53,5 milhões.

Em fevereiro, o USDA estimou 54 milhões de toneladas da oleaginosa, e, há alguns dias, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires trouxe uma projeção de 44 milhões, 13,5 milhões a menos do que a colheita do ano passado. Para Michael Cordonnier, phD em agricultura e especialista em América do Sul, “as condições no país continuam piorando e já se compara à situação vivida pelos Estados Unidos em 2012 (quando se registrou uma das piores secas da história e uma severa quebra de safra).

Há, porém, duas diferenças: a temporada na Argentina começou com bons níveis de umidade no solo, melhores do que se observou no Corn Belt há seis anos. “E os solos argentinos têm condições de retenção de água bem melhores do que os americanos, então demorou para que a água no subsolo também ficasse escassa, o que permitiu comque as lavouras plantadas mais cedo, de soja e milho, encontrassem alguma recuperação”, diz.

Ademais, as temperaturas na Argentina estão bastante elevadas, porém, não são recordes, também como foi observado nos Estados Unidos em 2012.

Com isso, as principais estimativas do mercado, ao contrário dessa pesquisa pré-USDA, mostram números de 40 a 45 milhões de toneladas. Para a Bolsa de Rosario, essa será a menor safra do país em 20 anos. Para a Bolsa de Córdoba, há 85% da soja e 65% do milho, somente nesta província, em condições regulares ou ruins.

“Dessa forma, se espera um rendimento até 40% menor se estas chuvas continuarem não chegando”, acredita Cordonnier.

Para o milho, as estimativas da DTN variam de 33 a 38,5 milhões de toneladas, com média de 36,3 milhões de toneladas. No boletim anterior, o USDA projetou uma colheita de 39 milhões e, no ano passado, foram colhidas 41 milhões de toneladas.

Brasil

Na contramão, os números esperados para serem reportados para o Brasil pelo reporte mensal do USDA poderiam vir maiores para a soja. A média das expectativas é de 114 milhões de toneladas – dentro de um intervalo de 112 a 116 milhões de toneladas. Em fevereiro, o número do departamento americano para a safra 2017/18 foi de 112 milhões de toneladas, e no ano passado, o total foi de 114,1 milhões.

A safra 2017/18 de soja registrou, segundo produtores e especialistas, apenas problemas pontuais durante esta temporada e vem registrando bons resultados até este momento, apesar de um atraso no plantio em algumas regiões, por conta do excesso de chuvas.

Por outro lado, a média das expectativas para a safra de milho é menor, de 91,8 milhões de toneladas, é menor do que o registrado no reporte anterior, de 95 milhões de toneladas. As projeções variam de 86,2 a 95 milhões de toneladas. Em 2017, o Brasil colheu 98,5 milhões de toneladas do cereal considerando as duas safras.

As safrinha brasileira, porém, tem trazido muita incerteza aos produtores e ao mercado. O período ideal para o plantio já foi finalizado e os trabalhos de campo têm certo atraso, o que também reflete um atraso observado no cultivo da soja.

“As janelas já se fecharam há um tempo e a questão agora é saber até quando os produtores seguirão arriscando e o quanto vão plantar do que foi inicialmente projetado. E há dois fatores positivos para a safrinha neste momento: primeiro, o clima tem colaborado e favorece o desenvolvimento inicial das lavouras, já que não há falta de umidade no solo. Em segundo lugar, os preços do milho têm subido de forma consistente desde meados de janeiro e isso pode encorajar os produtores brasileiros a continuarem apostando na safrinha”, explica Michael Cordonnier.

Estoques Finais Globais

Com uma menor oferta vinda da América do Sul nesta temporada, outro destaque do novo reporte poderia vir, como explica Newsom, dos estoques finais globais de soja e milho.

Para a oleaginosa, a média esperada é de 95,5 milhões de toneladas, com um intervalo de 93,7 a 98 milhões. Confirmada, a média seria bem menor do que o número de fevereiro de 98,10 milhões de toneladas. No caso do cereal, as projeções variam de 191 a 204 milhõed de toneladas, com média de 198,9 milhões. O número de fevereiro foi de 203,10 milhões e do ano passadi de 229,8 milhões de toneladas.

Estoques finais dos EUA

Segundo explicam analistas internacionais, o mercado internacional espera também que o boletim traga um corte nos números dos estoques finais norte-americanos diante de uma conjunção da menor oferta vinda da América do Sul e de uma demanda maior pelos produtos dos Estados Unidos.

“Dados os problemas climáticos sul-americanos, não seria surpreendente que o USDA respeite as projeções para as exportações norte-americanas, apesar de termos os três principais grãos – soja, milho e trigo – terem suas vendas caminhando em um ritmo mais lento do que o do ano passado e do que o esperado. Atenção ainda à demanda interna tanto para a soja, quanto para o milho”, diz o analista da DTN.

As projeções do mercado para os estoques finais de soja variam de 13,01 a 16,06 milhões de toneladas, com média de 14,4 milhões, aliada ao número do boletim passado de 14,42 milhões de toneladas. Sobre o milho, o intervalo é 56,44 a 59,74 milhões de toneladas, com média de 58,4 milhões. A estimativa de fevereiro, no caso do cereal, foi de 59,74 milhões.

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