Soja trabalha em alta na Bolsa de Chicago nesta 3ª feira de olho nas perdas da Argentina pelas chuva

Analistas internacionais ainda atribuem o avanço das cotações às perspectivas de uma safra menor na América do Sul, principalmente diante das preocupações com a Argentina e seu excesso de chuvas.
Lucas de Campos 19 abril, 2016 Fonte:

Nesta terça-feira, 19 de abril, os preços da soja registram um novo pregão de altas na Bolsa de Chicago. Depois da leve realização de lucros no final da sessão de ontem, os futuros da oleaginosa subiam, por volta das 7h10 (horário de Brasília), entre 3,75 e 4,25 pontos nas posições mais negociadas, buscando consolidar o patamar dos US$ 9,70 por bushel. Essas são as mais altas referências em mais de oito meses no mercado futuro norte-americano. 

Analistas internacionais ainda atribuem o avanço das cotações às perspectivas de uma safra menor na América do Sul, principalmente diante das preocupações com a Argentina e seu excesso de chuvas. Para a consultoria norte-americana RJ O'Brien, as perdas no país poderiam ficar entre 3 e 10 milhões de toneladas caso esse padrão climático excessivamente úmido continue até maio.

E problemas de clima na Argentina não preocupam só em relação à oferta de soja em grão, mas também de seus derivados, já que a nação sulamericana é, depois dos Estados Unidos, a maior produtora e exportadora mundial de farelo e óleo de soja. O atraso na chegada dos três produtos, ainda de acordo com analistas internacionais, poderia estimular a demanda pelos produtos norte-americanos e também favorecer o andamento dos preços em Chicago. 

E nesta terça-feira, o mercado da soja conta ainda com uma tentativa de recuperação nos futuros do petróleo, que sobem também na Bolsa de Nova York, após o tombo registrado no pregão anterior. Por volta das 7h30, altas de mais de 1%.  

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Soja: Forte alta do dólar no Brasil compensa leve realização de lucros em Chicago nesta 2ª feira

Na sessão desta segunda-feira (18), os futuros da soja renovaram suas máximas em oito meses, registraram ganhos importantes – que chegaram a passar dos 7 pontos ao longo do dia – mas terminaram os negócios com uma ligeira realização de lucros. Assim, as posições mais negociadas encerraram o dia perdendo entre 0,50 e 1,75 ponto, mas ainda acima dos US$ 9,60 por bushel. O contrato julho/16 fechou cotado a US$ 9,63. 

O mercado internacional, como explicam analistas, ainda conta com fundamentos bastante positivos e a força de algumas notícias da última semana que vêm dando estímulo ao avanço das cotações. Entre elas, o clima adverso na Argentina e a demanda aquecida estão no foco dos traders. 

No país vizinho, as últimas previsões seguem indicando chuvas fortes e volumosas para importantes regiões produtoras de soja e um levantamento feito pela consultoria internacional Oil World mostra que, em função das inundações, cerca de três milhões de toneladas estariam ameaçadas. A Bolsa de Cereales já corrigiu para baixo sua expectativa para a safra argentina de 59,5 milhões para 58 milhões de toneladas. 

E além das perdas, as chuvas excessivas estão ainda provocando o atraso dos embarques do grão e de derivados em portos da Argentina, segundo explicam os analistas de mercado da Agrinvest Commodities. Para os próximos 10 dias, ainda de acordo com a consultoria, os acumulados previstos variam de 10 a 108 mm em províncias como Buenos Aires, Córdoba, Entre Rios e Santa Fé. 

Ao lado do clima adverso na Argentina, os embarques semanais norte-americanos reportados, também nesta segunda-feira, pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), ficaram dentro das expectativas do mercado e também favoreceram o mercado em Chicago. 

Na semana encerrada em 14 de abril, os EUA embarcaram 256,822 mil toneladas de soja, contra 340,892 mil da semana anterior. Os traders esperavam, porém, de 160 mil a 350 mil toneladas. No acumulado da temporada, os embarques já somam 42.289,959 milhões de toneladas, volume menor do que o registrado no mesmo período da temporada anterior, de 45.490,892 milhões. 

Dólar e preços no Brasil

O dólar, nesta segunda, subiu mais de 2% frente ao real. O avanço da moeda americana refletiu, diretamente, em uma melhora da competitividade do produtor brasileiro, estimulou uma melhora no ritmo de negócios e, ao mesmo tempo, acabou atuando como um fator limitante para as altas em Chicago, como explica a analista de mercado Andrea Cordeiro, da Labhoro Corretora. Ainda assim, resultou em um fechamento positivo para os preços no mercado brasileiro. 

No interior do país, os ganhos variaram de 0,16% – em Campo Novo do Parecis/MT, para R$ 62,10 por saca – a 3,08% – na região Oeste da Bahia, onde o valor da soja encerrou o dia com R$ 67,00. Em Ponta Grossa, no Paraná, o último preço foi de R$ 73,00; em Não-Me-Toque/RS, de R$ 65,50; em Jataí/GO, de R$ 61,00 e em Avaré/SP, R$ 70,34. 

Nos portos, também em razão de um dólar mais alto, ganhos também foram consistentes. Os patamares estão mais altos em Chicago, o câmbio contribuiu e os prêmios – que seguem atuando com valores entre 55 e 60 cents de dólar sobre as referências internacionais – complementaram o quadro. Em Paranaguá, a soja disponível fechou com R$ 79,00 por saca e alta de 1,28%, enquanto no mercado futuro, o último preço foi de R$ 83,00 com embarque previsto para março de 2017. Já em Rio Grande, alta de 2,37% para R$ 77,80 no disponível e, futuro, com o último preço em R$ 84,50 nesta segunda-feira. 

O ganho da moeda americana, segundo explicaram especialistas, se deu após a forte intervenção do Banco Central – a instituição, na manhã desta segunda, anunciou que vendeu 68.840 swaps da oferta de até 80 mil contratos – e com um movimento também de realização de lucros pós-aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados no último domingo (17). 

"Agora que o fato se concretizou, muita gente aproveita para zerar essas vendas das últimas semanas", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho à Reuters. 

Por: Carla Mendes
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