Soja: Mercadotêm dia de forte valorização

No Brasil, o dia também foi positivo para as cotações. Ainda assim, a semana começa, novamente, com um ritmo lento de negócios - o que também é observado no mercado norte-americano - com os produtores reticentes em voltar às vendas, regulando suas ofertas, explica Camilo Motter.
Lucas de Campos 9 setembro, 2015 Fonte:

Nesta terça-feira (8), a soja fechou a sessão com fortes altas na Bolsa de Chicago. Após o feriado nos EUA, os principais vencimentos retomaram os negócios e terminaram o dia com ganhos de 10,50 a 12,50 pontos, e o contrato setembro/15 valendo US$ 8,89 por bushel, enquanto o novembro/15, referência para a safra brasileira, ficou em US$ 8,79. 

Esse foi o primeiro rally para a oleaginosa depois de consecutivas baixas registradas no mercado futuro americano, refletindo um movimento de correção técnica das cotações, de acordo com o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. "Os investidores estão agora se protegendo, retomando algumas posições, principalmente os grandes fundos", diz.

Para Brandalizze, o mercado ainda é bastante técnico e, apesar dessa recuperação neste pregão, pode testar novas baixas nos seguintes. "Acredito que Chicago vá evoluir, mas não muito. Há ainda muita indefinição no mercado", explica o consultor. Afinal, os investidores seguem de olho no humor do financeiro – principalmente as informações vindas da China -, o desenvolvimento do clima nos EUA na conclusão da safra americana de soja, além do comportamento da demanda e dos vendedores tanto os norte-americanos, quanto sulamericanos, principalmente no Brasil. 

Entre os fundamentos, no entanto, o quadro fundamental também foi positivo, segundo explicou o analista de mercado e economista da Granoeste Corretora, Camilo Motter. As condições de clima nos Estados Unidos são acompanhadas com muita atenção pelos investidores, principalmente o excesso de chuvas na porção mais a oeste do Meio-Oeste americano, enquanto o leste ligeiramente mais seco exige um pouco mais de atenção. 

"A expectativa do mercado é de que o índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições nos EUA perca um ponto percentual no boletim desta terça", diz Motter. 

A semana que passou, de acordo com as últimas previsões do NOAA, departamento oficial de clima do governo americano, foi de clima quente e seco em diversas partes do Corn Belt, o que poderia trazer alguma alteração nos índices de lavouras em boas ou excelentes condições apresentados no relatório que será reportado hoje, após o fechamento do pregão.

Já para esta terça, o NOAA relata chuvas se movendo por Iowa até o alto do Vale do Rio Mississipi, o que poderia trazer precipitações de normais à acima da média para áreas que vinham sofrendo com um tempo mais seco, como apontado no mapa para os próximos sete dias. 

Previsão de chuvas para os EUA nos próximos 7 dias - Fonte: NOAA

Previsão de chuvas para os EUA nos próximos 7 dias – Fonte: NOAA

Já para os períodos dos próximos 6 a 10 e 8 a 14 dias, as previsões indicam um período de temperaturas dentro da normalidade para o período, porém, com um padrão de tempo mais seco na próxima semana, podendo, eventualmente, voltar a ficar mais úmido. 

Previsão de chuvas nos EUA para 13 a 17 de setembro - Fonte: NOAA

Previsão de chuvas nos EUA para 13 a 17 de setembro – Fonte: NOAA

Previsão de temperaturas nos EUA para 13 a 17 de setembro - Fonte: NOAA

Previsão de temperaturas nos EUA para 13 a 17 de setembro – Fonte: NOAA

Ainda sobre os fundamentos, o analista da Granoeste destacou as boas informações vindas da demanda. Nesta terça-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe um novo aviso de venda de soja da safra nova de 120 mil toneladas para destinos desconhecidos, o que também contribuiu para o avanço das cotações. 

Além disso, a Administração Geral da Alfândega da China trouxe os números sobre as importações do país em agosto e, apesar de o volume adquirido de soja no mesmo passado ter sido menor do que no anterior ao somar 7,78 milhões de toneladas, o volume se mostrou 29% maior do que o registrado em agosto do ano passado. No acumulado de janeiro a agosto, a nação asiática já adquiriu 52,39 milhões de tonelads, ou seja, 9,8% a mais do que nos primeiros oito meses de 2014. 

"A média mensal, até agora, foi de 6,75 milhões de toneladas e, para alcançar 75 milhões no ano, a média teria que ser de 5,4 milhões. Vendo isto é que o USDA elevou sua projeção para 77 milhões de toneladas. E ainda há muita soja da América do Sul para embarcar", diz Motter. "Acredito que as compras seguirão em alta, embora em um ritmo mais comedido", completa. 

Mercado Brasileiro

No Brasil, o dia também foi positivo para as cotações. Ainda assim, a semana começa, novamente, com um ritmo lento de negócios – o que também é observado no mercado norte-americano – com os produtores reticentes em voltar às vendas, regulando suas ofertas, explica Camilo Motter. 

Em Rio Grande, a soja disponível subiu  1,59% para R$ 83,10 por saca, enquanto manteve os R$ 80,00 em Paranaguá. Já o produto da safra nova, no terminal gaúcho, registrou uma ligeira valorização – de 0,37% – para R$ 81,50, enquanto manteve os R$ 79,00 no porto paranaense. 

No interior do país, os ganhos também foram significativos e ficaram entre 0,66% em Jataí/GO – para R$ 61,40 – a 1,55 em Ubiratã, onde o preço subiu para R$ 67,50. Em Não-Me-Toque, no RS, o dia fechou com R$ 69,50 e alta de 1,46%. 

E os valores avançaram no cenário interno mesmo diante de uma desvalorização do dólar frente ao real. A moeda norte-americana terminou os negócios com baixa de 1,07% a R$ 3,8190, depois de bater em R$ 3,7793 na mínima do dia. O recuo da divisa, segundo informações da Reuters, veio após a intervenção do Banco Central na flutuação da taxa cambial, além de um cenário menos nervoso no quadro internacional e um dia mais positivo para o mercado acionário. 

"O alívio do mercado hoje vem por causa dos leilões de linha do BC e dos mercados externos, com a alta da bolsa da China. Mas a tendência, no curto prazo, ainda é de alta (do dólar)", disse o operador da corretora Correparti Jefferson Luiz Rugik à agência de notícias.

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