Soja: Mercado tem nova sessão de volatilidade em Chicago, mas opera no vermelho nesta 4ª

O cenário climático, nos Estados Unidos principalmente, continua sendo o foco do mercado nesse momento e esse movimento deve continuar até que a safra 2015/16 do país esteja consolidada. E no caso da soja, o mês determinante para a definição de sua produtividade é agosto. Assim, até lá, ainda se espera negócios sendo marcados pela volatilidade.
Lucas de Campos 22 julho, 2015 Fonte:

Os futuros da soja voltaram a recuar nesta quarta-feira (22) na Bolsa de Chicago. A commodity perdia entre 5 e 7 pontos entre os principais vencimentos, por volta das 8h20 (horário de Brasília), e os negócios seguiam marcados pela volatilidade. 

As incertezas sobre o clima nos Estados Unidos refletidas em previsões de vários modelos que não apresentam as mesmas condições para os próximos dias acabam por tirar a direção do mercado, que ainda se foca no desenvolvimento da nova safra dos EUA. 

E apesar de condições um pouco mais favoráveis para os grãos nas últimas semanas, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em seu último boletim de acompanhamento de safra reportado na segunda-feira (20) manteve o inalterado o índice de lavouras em boas ou excelentes condições em 62%. 

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja fecha o dia em alta na CBOT com recuperação técnica e suporte do clima incerto nos EUA

Na sessão desta terça-feira (21), o mercado da soja fechou em campo positivo na Bolsa de Chicago após cinco sessões consecutivas de baixa. As posições mais negociadas terminaram o dia subindo entre 4,50 e 11 pontos, com os ganhos mais acentuados nos vencimentos mais próximos, e todos eles acima dos US$ 10,00 por bushel. 

O cenário climático, nos Estados Unidos principalmente, continua sendo o foco do mercado nesse momento e esse movimento deve continuar até que a safra 2015/16 do país esteja consolidada. E no caso da soja, o mês determinante para a definição de sua produtividade é agosto. Assim, até lá, ainda se espera negócios sendo marcados pela volatilidade. 

Nesta segunda-feira (20), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou seu novo boletim semanal de acompanhamento de safras e trouxe o índice de lavouras de soja em boas/excelentes condições mantido em 62%, contrariando algumas expectativas do mercado de que poderia haver uma melhora nesse número. Dessa forma, a informação foi recebida, como explicou o analista de mercado da Société Générale, Stefan Tomkiw, como um fato de suporte para as cotações. 

Ainda segundo Tomkiw, as previsões meteorológicas de alguns modelos diferentes apresentam divergências entre suas informações e também acabam por tirar uma direção melhor definida do mercado. Se nos próximos sete dias os EUA devem receber chuvas ainda intensas em boa parte do Corn Belt, os períodos mais distantes já devem contar com uma trégua das precipitações, segundo os últimos mapas do NOAA – o departamento oficial de clima do país. 

No intervalo dos dias 26 a 30 de julho, a região deverá receber precipitações acima da média, como mostra o mapa a seguir. Nesse mesmo período, porém, as temperaturas deverão permanecer acima da média, segundo indica o mapa seguinte. 

"Enquanto o calor extremo pode ser um problema para a polinização do milho, uma pausa na chuva será bem-vinda e dará aos campos encharcados a chance de secar", disse Bob Burgdorfer, analista de mercado do site internacional Farm Futures. 

Chuvas nos EUA entre os dias 26 a 30 de julho - Fonte: NOAA

Chuvas nos EUA entre os dias 26 a 30 de julho – Fonte: NOAA

Temperaturas nos EUA entre os dias 26 a 30 de julho - Fonte: NOAA

Temperaturas nos EUA entre os dias 26 a 30 de julho – Fonte: NOAA

"O mercado precisa de uma convergência dessas leituras sobre o clima para retirar a dúvida que ainda existe sobre os Estados Unidos. É preciso haver uma consolidação dessa melhora climática (observada nas últimas semanas em algumas regiões", diz Stefan Tomkiw. 

Além das informações de clima, o mercado registra ainda um comportamento técnico de recuperação depois das cinco baixas consecutivas. Os fundos têm de cobrir parte de suas posições vendidas resultantes dos movimentos das últimas sessões. Ainda segundo o analista, estima-se que os fundos têm cerca de 60 mil lotes comprados entre futuros e opções. "Esse não é um número alto, mas também não é um número que indique que os participantes do mercado estejam com uma 'cabeça' apostando na baixa", explica Tomkiw. 

Além disso, o USDA anunciou ainda uma nova venda de soja para destinos desconhecidos de 110 mil toneladas e a informação contribui para esse fôlego para as cotações no mercado futuro americano. 

Mercado Interno

No Brasil, dia de pouca movimentação entre as cotações. As boas altas registradas em Chicago foram neutralizadas pela baixa do dólar nesta terça-feira. A divisa voltou a perder os R$ 3,20 e frente a algumas moedas internacionais chegou a bater nas mínimas em três dias após registrar suas máximas de três meses nesta segunda-feira (20), quando houve uma baixa generalizada das commodities. 

Em Paranaguá, a soja disponível fechou estável em R$ 74,00, enquanto a da safra nova subiu 0,40% para R$ 75,30. Já no porto de Rio Grande, o produto disponível manteve os R$ 75,50, enquanto o futuro perdeu 1,30%e terminou o dia valendo R$ 76,00.  

Os negócios neste início de semana, como relatou Vlamir Brandalizze, devem seguir em um ritmo um pouco mais lento dadas às incertezas sobre a safra americana e a volatilidade esperada pelo dólar, que acabam tirando parte da força dos preços no mercado brasileiro. Além disso, ainda de acordo com o consultor da Brandalizze Consulting, nas últimas três semanas, o produtor brasileiro aproveitou as boas oportunidades e comercializou uma parte significativa da sua nova safra, principalmente porque as relações de troca têm se mostrado bem favoráveis nos últimos dias. 

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