Soja: Mercado opera na defensiva à espera do novo boletim do USDA nesta 3ª feira

NULL
Lucas de Campos 10 março, 2015 Fonte:

À espera dos novos números que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga nesta terça-feira (10), os futuros da soja operam com pequenas baixas nesta manhã na Bolsa de Chicago. Por volta das 7h40 (horário de Brasília), as perdas entre os principais vencimentos variavam entre 3,25 e 6,25 pontos, devolvendo parte dos ganhos registrados no pregão anterior. 

O mercado espera com certa ansiedade esse novo reporte, uma vez que há expectativas de corte nos estoques finais norte-americanos de soja, bem como na produção brasileira 2014/15. Além disso, poderia ser observado ainda um aumento nas exportações dos EUA nessa temporada. 

Os estoques finais norte-americanos, segundo as expectativas dos traders, poderá cair de 10,48 milhões para 10,31 milhões de toneladas. Já os estoques finais mundiais poderiam passar de 89,3 milhões para 89,4 milhões de toneladas. Sobre a safra brasileira, espera-se uma redução de 94,5 para 93,9 milhões de toneladas, enquanto para a safra da Argentina pode haver um aumento de 56 para 56,6 milhões. 

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Soja supera R$ 72 no porto de Rio Grande nesta 2ª feira com altas do dólar e na CBOT

Nesta segunda-feira (9), às vésperas do novo relatório mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o mercado internacional da soja fechou o dia em campo positivo na Bolsa de Chicago, com ganhos entre 7,75 e 9 pontos entre os principais vencimentos. No entanto, as posições mais negociada ainda ficaram abaixo dos US$ 10 por bushel. 

No Brasil, o mercado foi, mais uma vez, favorecido pela alta do dólar. Com a moeda superando os em R$ 3,10 nesta segunda-feira, os preços da soja nos portos brasileiros também subiram de forma significativa. 

Em Paranaguá, o preço da soja para abril/2015 subiu 4,44% para R$ 70,50 por saca, enquanto em Rio Grande a alta foi de 4,32%, elevando a cotação a R$ 72,50 para o produto com entrega em maio/15. No porto de Santos, o preço se manteve R$ 69,00/saca. 

No interior do país, os preços também reagiram com força ao conjunto de alta do dólar mais alta em Chicago e, em Ubiratã/PR, por exemplo, a cotação subiu mais de 7% para R$ 59,00 por saca. Nas demais praças de comercialização, entre as principais do país, os ganhos superaram 1%. 

Os ganhos foram motivados principalmente, segundo analistas, pela alta de mais de 2% do dólar frente ao real nesta segunda-feira. A moeda norte-americana fechou o dia subindo 2,39% e cotada a R$ 3,1297, registrando a maior alta semanal desde a crise financeira de 2008 e com a maior cotação desde 22 de junho de 2004. 

“Não tem nenhum vendedor (de dólares) no mercado. Quem vir motivos pontuais para explicar essa alta está chutando, a verdade é que há um pânico generalizado”, disse o operador de um importante banco nacional” à agência de notícias Reuters.

Bolsa de Chicago

Os preços buscaram se recuperar das baixas registradas na últimas cinco sessões consecutivas de baixa da semana passada, como explicou o analista de mercado Vinícius Ito, da Jefferies Corretora, de Nova York. “O que vimos é uma leve recompra (por parte dos fundos) antes do relatório desta terça-feira”, disse. 

Para Ito, esse boletim de março do departamento agrícola norte-americano não deveria ser muito relevante, porém, a esperada revisão nas exportações dos EUA, bem como em seus estoques finais e os novos números para a safra dos países da América do Sul parecem estar sendo esperadas com ansiedade pelo mercado. 

Os estoques finais norte-americanos, segundo as expectativas dos traders, poderá cair de 10,48 milhões para 10,31 milhões de toneladas. Já os estoques finais mundiais poderiam passar de 89,3 milhões para 89,4 milhões de toneladas. Sobre a safra brasileira, espera-se uma redução de 94,5 para 93,9 milhões de toneladas, enquanto para a safra da Argentina pode haver um aumento de 56 para 56,6 milhões. 

Há ainda a expectativa de uma revisão positiva nas exportações do país, que já tem quase 100% do volume projetado para ser exportado em toda a safra comprometido. Além disso, os embarques do EUA também estão bem mais aquecidos do que o registrado no mesmo período da safra 2013/14. 

Os Estados Unidos embarcaram 625,713 mil toneladas de soja, enquanto as expectativas variavam de 490 mil a 680 mil toneladas. Na semana anterior, foram embarcadas 650,667 mil toneladas da oleaginosa. No acumulado do ano, os embarques já somam 42.547,126 milhões de toneladas, enquanto no mesmo período da temporada anterior, o total era de 37.972,414 milhões. 

Demanda Chinesa – A evolução da demanda é outro fator que se mantém no foco dos investidores. A China pode importar no ano comercial 2015/16 77,5 milhões de toneladas de soja, segundo estimativas do Grain Report divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Para a temporada atual, o volume estimado é de 73 milhões de toneladas. 

A produção para a nova safra chinesa é de 11,7 milhões de toneladas, contra as 12 milhões do ano 2013/14. No total das oleaginosas, a produção chinesa deverá somar 55,55 milhões de toneladas, com uma área de 23,4 milhões de hectares. Na temporada 2014/15, a área foi de 23,92 milhões e a projeção de colheita de 57,007 milhões de toneladas. 

Em fevereiro deste ano, as importações de soja da nação asiática somaram 4,26 milhões de toneladas, apresentando uma baixa de 11% em relação ao mesmo mês de 2014, de acordo com informações da Administração Geral de Alfândegas e Portos da China. Em janeiro, as compras totalizaram 6,875 milhões de toneladas. 

Nos dois primeiros meses do ano, a China já comprou 3,9% a mais do que no mesmo período da temporada anterior e as importações somaram 11,14 milhões de toneladas. 

Apesar disso, para o analista, a conotação desse boletim, caso os números venham dentro do esperado, pode ser de neutralidade. 

Além dessa espera pelo USDA, o mercado, ainda segundo Vinícius Ito, aguarda ainda a nova rodada de negociações que acontece, também nesta terça-feira, entre caminhoneiros e governo no Brasil. Na última paralisação dos motoristas, o fluxo de produto ficou interrompido no país, sugeriu uma manutenção da demanda nos EUA quando deveria estar se voltando para a América do Sul e os preços reagiram com altas significativas na Bolsa de Chicago. 

Fonte: Notícias Agrícolas
© Copyright 2017, Todos os direitos reservados.