Soja: Mercado opera com leve alta em Chicago nesta manhã de 3ª após baixas consecutivas

Segundo analistas internacionais, o mercado tenta se recuperar das baixas recentes e garantir alguns melhores patamares ainda diante das incertezas sobre a nova safra norte-americana.
Lucas de Campos 21 julho, 2015 Fonte:

O mercado internacional da soja opera em alta na manhã desta terça-feira (21). Os futuros da oleaginosa negociados na Bolsa de Chicago subiam, por volta das 8h20 (horário de Brasília) entre 4,75 e 5 pontos nos principais vencimentos, os quais recuperavam o patamar dos US$ 10,00 por bushel. 

Segundo analistas internacionais, o mercado tenta se recuperar das baixas recentes e garantir alguns melhores patamares ainda diante das incertezas sobre a nova safra norte-americana. Ontem, no final da tarde, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou seu novo relatório semanal de acompanhamento de safras e o índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições foi mantido em 62%, mesmo número da semana anterior, o que também estaria dando suporte às cotações.

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Soja ameniza perdas na CBOT e alta do dólar favorece preços nos portos do Brasil

Os futuros da soja fecharam a sessão desta segunda-feira (20) em campo negativo na Bolsa de Chicago, após uma sessão, novamente, de forte volatilidade. Apesar de encerrarem o dia em baixa, as posições mais negociadas conseguiram amenizar o recuo observado ao longo do dia e finalizaram com perdas de pouco mais de 7 pontos e os contratos setembro e novembro/15, entre os principais, ficaram abaixo dos US$ 10,00 por bushel, com US$ 9,98 e US$ 9,99, respectivamente. O março/16 fechou com US$ 10,01.

Neste pregão, uma junção de fatores pesou sobre as cotações. Segundo relataram analistas, de um lado, as previsões indicam uma melhora do clima no Meio-Oeste dos EUA e, ao mesmo tempo, uma forte alta do dólar atraiu os investidores, que deixaram sua posições nas commodities e demais ativos para se focar na moeda norte-americana. 

Clima nos Estados Unidos

As informações sobre o clima ainda são divergentes. O último final de semana foi de trégua das chuvas em determinadas regiões de precipitações ainda intensas em outras do Meio-Oeste americano, e isso, como explicou Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, contribuiu para as baixas registradas nesta segunda.

"As primeiras notícias que serviram para pressionar as cotações e fazê-las recuar a patamares abaixo dos US$ 10,00 vieram do do cenário climático do final da semana. As condições favoreceram para uma melhora nas condições das lavouras", diz. 

Nos últimos dias, apesar de ainda terem sido muito chuvosos em determinadas regiões dos EUA, as precipitações já apontaram uma trégua, como mostra o mapa a seguir, do site internacional AgWeb. Os acumulados em estados-chave na produção de grãos ficaram em 25,4 mm, contra volumes que passavam de 50 nos últimos períodos. 

Chuvas nos últimos 7 dias nos EUA - Fonte: AgWeb

Chuvas nos últimos 7 dias nos EUA – Fonte: AgWeb

Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga, depois do fechamento do mercado, seu novo boletim semanal de acompanhamento de safras trazendos os índices de desenvolvimento das lavouras e suas condições. Os números são aguardados pelos traders e também podem influenciar o mercado. Em seu últim reporte, a instituição apontou em 62% as plantações de soja em boas ou excelentes condições. 

Para os próximos sete dias, conforme indica o mapa divulgado nesta segunda pelo NOAA, departamento oficial de clima dos EUA, as chuvas ainda deverão ser intensas, principalmente no leste do Meio-Oeste americano. A tendência, porém, indica condições de tempo mais quente e seco mais adiante em importantes regiões produtoras do país, como explica o analista de mercado Bryce Knorr, do site internacional Farm Futures. O estado do Missouri, por exemplo, pode receber acumulados de 50,8 a 101,6 mm de chuvas. 

Previsão de chuvas para os próximos 7 dias nos EUA - Fonte: NOAA

Previsão de chuvas para os próximos 7 dias nos EUA – Fonte: NOAA

Por outro lado, nos períodos mais alongados, as chuvas – também como mostram os mapas – começam a perder força no Corn Belt. Os mapas meteorológicos com previsões mais estendidas mostram que o o Centro-Oeste americano deverá registrar chuvas abaixo da média para o período nos intervalos dos próximos 6 a 10 e 8 a 14 dias. 

"O tempo deverá dominar o mercado esta semana. As previsões se confirmarem teremos o tempo úmido dando lugar ao clima mais seco e as altas temperaturas", afirmou Bryce Knorr.

Chuvas nos EUA entre os dias 25 a 29 de julho - Fonte: NOAA

Chuvas nos EUA entre os dias 25 a 29 de julho – Fonte: NOAA

Chuvas nos EUA entre os dias 27 de julho a 2 de agosto - Fonte: NOAA

Chuvas nos EUA entre os dias 27 de julho a 2 de agosto – Fonte: NOAA

Mercado Financeiro X Preços no Brasil

Pautados também pelos negócios no mercado financeiro, os futuros da soja foram pressionados ainda pela forte alta do dólar nesta segunda-feira. A moeda norte-americana subiu frente à uma cesta de principais moedas. "A atuação no mercado financeiro ajudou nas baixas e o dólar estabilizou", disse Vlamir Brandalizze. 

A alta do dólar neste início de semana foi reflexo, entre outros fatores, expectativas de uma alta das taxas de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve e que poderia acontecer nos próximos meses. E o dólar index, que segue o preço do dólar americano frente às principais moedas mundiais, subiu 20% no último ano.

"E o valor do dólar tem, tipicamente, uma relação inversa com as commodities. Quando o dólar sobre frente às outras divisas, os preços das commodities caem, e o inverso também é verdadeiro, e isso acontece porque quase todas as commodities nos mercados internacionais são negociadas em dólar", explica o especialista do The Wall Street Journal. "Os compradores internacionais adquirem suas commodities em dólar, então, quando o dólar cai, o poder de compra é maior e a demanda aumenta, e quando o dólar sobe, o poder é menor, uma vez que as commodities se tornam mais caras", diz. 

No Brasil, a alta do dólar – que fechou a R$ 3,2006 e ganho de 0,21% – favoreceu a formação dos preços da soja neste início de semana. Em Paranaguá, a soja disponível fechou com 0,68% de alta de R$ 74,00, enquanto a futura se manteve estável em R$ 75,00 por saca. Já em Rio Grande, alta de 1,07% para R$ 75,50 para a oleaginosa disponível e de R$ 0,65% para R$ 77,00 no caso da safra nova. No interior do país, a maior parte das praças de comercialização apresentou estabilidade nesta segunda-feira. 

Entre essas baixas das commodities, o destaque ficou para o ouro, que bateu suas mínimas em cinco anos e recuou, somente nesta sessão, mais de 4%. Assim, como noticiou o InfoMoney, o metal registrou os menores preços desde 2010 em US$ 1.104,80 a onça. 

Demanda

Por outro lado, o mercado conseguiu recuperar boa parte das perdas registradas ao longo do dia e para não fechar nas mínimas do pregão. E a razão para essas baixas mais amenas, ainda de acordo com Vlamir Brandalizze, continua sendo a demanda, a qual foi confirmada no boletim semanal de embarques de grãos dos EUA divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Os EUA embarcaram, na semana que terminou em 16 de julho, 306,379 mil toneladas de soja da safra 2014/15 contra 146,130 mil da semana anterior e expectativas que variavam entre 110 mil e 215 mil toneladas. Os embarques norte-americanos da oleaginosa, que já somam 48.562,347 milhões de toneladas, são 13,2% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. 

"Esse relatório dos embarques foi positivo, surpreendeu com mais de 306 mil toneladas de soja embarcadas na última semana. E, no acumulado, com 48,6 milhões leva o total para mais de 98% da projeção do USDA (para todo o ano comercial) e isso ajudou a amenizar a pressão do clima melhor nos Estados Unidos", disse o consultor. "Temos um mercado com o fator ainda muito forte", completou. 

Assim, para Brandalizze, a semana deverá ser mais influenciada pelas atuações do mercado financeiro, do que por seus fundamentos propriamente. Afinal, o clima começa a melhorar e pouco deve alterar o quadro geral daqui em diante, embora ainda exija atenção por conta da produtividade da soja ser definida nos EUA somente no próximo mês, como explica o consultor.

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