Soja: Mercado em Chicago tem com recuperação e ganhos de dois dígitos

A sessão desta segunda-feira (24) foi de muito nervosismo para o mercado internacional da soja e os principais vencimentos da oleaginosa encerraram o dia com baixas de 10 a 15 pontos. Durante o dia, porém, as quedas chegaram a superar os 30 pontos e os preços bateram suas mínimas desde 2009.
Lucas de Campos 25 agosto, 2015 Fonte:

Em um movimento conhecido como "turnaroun tuesday", ou "terça-feira da virada", os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicao trabalham em campo positivo e registram altas significativas, assim como as demais commodities que exibiram forte recuo na sessão anterior. Por volta das 7h30 (horário de Brasília), as cotações já operavam com altas de dois dígitos e o contrato setembro/15 já recuperava o patamar dos US$ 9,00 por bushel. 

Esse é um movimento típico do mercado de futuros, segundo explicam analistas, o que faz com que os traders busquem uma recuperação e a retomada de alguns patamares importantes para o equilíbrio dos negócios. Apesar da pressão das notícias que chegam da China e da preocupação sobre o crescimento da economia da nação asiática e dos fundamentos negativos para os preços neste momento, ainda de acordo com analistas, a soja não tem muito espaço para se manter abaixo dos US$ 9,00. 

Hoje, as bolsas da China voltaram a registrar um novo pregão negativo, pelo segundo dia consecutivo, após a chamada "Segunda-Feira Negra" e o índice de Xangai perdeu 7,63%. Pequim não interviu e, segundo analistas e economistas internacionais, essa postura acabou por aumentar a aversão ao risco, agravando as baixas nos negócios. 

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E paralelamente, ontem o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe ainda seu novo boletim semanal de acompanhamento de safras mantendo em 63% seu índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições. O número é o mesmo da semana anterior. Além disso, o mercado há de absorver ainda as condições favoráveis no Meio-Oeste americano para a conclusão desta nova safra dos EUA, que começa a ser colhida já nas próximas semanas. 

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A sessão desta segunda-feira (24) foi de muito nervosismo para o mercado internacional da soja e os principais vencimentos da oleaginosa encerraram o dia com baixas de 10 a 15 pontos. Durante o dia, porém, as quedas chegaram a superar os 30 pontos e os preços bateram suas mínimas desde 2009. O pregão, segundo explicaram os analistas, teve um elevado grau especulativo, foi marcado por volatilidade e pela liquidação de posições por parte dos fundos de investimentos. E o movimento negativo se estendeu por todas as commodities, agrícolas ou não. 

Os preços da soja iniciaram a semana sendo fortemente pressionados pelas notícias que chegavam do tenso mercado financeiro. Nesta primeira sessão, as bolsas chinesas voltaram a recuar, trouxeram uma clara aversão ao risco aos investidores e o noticiário internacional chamou o dia de "black monday" (ou, segunda-feira negra). Os índices acionários da nação asiática chegaram a perder mais de 8%, enquanto o petróleo perdeu, também nesta segunda-feira, o importante patamar dos US$ 40,00 por barril. 

Paralelamente, o dólar – com uma corrida dos investidores para esse ativo, que é mais seguro nesse momento – subiu frente ao real e uma cesta de principais moedas de economias emergentes, ajudando a pesar sobre as cotações praticadas em Chicago – na medida em que reduz a competitividade dos produtos negociados nas bolsas norte-americanas -, porém, permitiu que a formação dos preços no Brasil não sentisse o impacto do quadro internacional de forma tão acentuada. 

Assim, a soja disponível, no porto de Paranaguá, encerrou o dia a R$ 77,00 por saca, subindo 1,32%, e no Rio Grande em R$ 77,90, com alta de 0,78%. Já a oleaginosa da nova safra do Brasil fechou os negócios com R$ 77,00 – com baixa de 0,39% – no terminal gaúcho e R$ 73,00/saca no paranaense, onde perdeu 2,67%. Afinal, ao lado do dólar, os prêmios nos portos brasileiros se mantêm positivos – entre US$ 1,15 e US$ 0,40, em Paranaguá, por exemplo, sobre os valores praticados em Chicago  – e se fortalecem diante dessas baixas acentuadas em Chicago. O dólar fechou a segunda-feira valendo R$ 3,5525, com alta de 1,62%. 

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"Os perigos da China provocam uma corrida para o dólar, que se fortalece, e enfraquece todos os ativos de risco. Ou seja, os investidores, em um momento de dúvida/crise, buscam um ativo mais firme, neste caso o dólar ou os títulos americanos, e em contrapartida, todos os demais ativos de risco são pressionados", explica Camilo Motter, economista e analista de mercado da Granoeste Corretora. "O fato é que, há poucos dias, estavam todos preocupados com a desvalorização do yuan. Na verdade, o grande problema é a dúvida sobre o crescimento chinês, assim, a flutuação da moeda, sobretudo quando controlada, é apenas um instrumento e não um fim", completou. 

Ainda de acordo com Motter, cada movimento da China é importante nesse momento, já que as medidas continuam a ser desenvolvidas no país, com a intenção de reestabelecer seu  ritmo de crescimento e ainda será necessário o mercado se ajustar, em todos os setores, a esse novo ambiente para os preços desenhado pela nação asiática. "Cada passo é importante. Por agora, estamos assistindo à piora do quadro", disse. 

Entre os fundamentos

Paralelamente, o mercado internacional da soja continua ainda observando seus fundamentos, principalmente aqueles relacionados à safra norte-americana e o comportamento do clima nos EUA para sua conclusão. E até o momento, as previsões de clima para os próximos dias no Meio-Oeste americano continuam indicando temperaturas mais amenas e chuvas pontuais e bem localizadas. 

"Além de toda essa turbluência da China, os fundamentos para o mercado da soja também se mostraram negativos ao longo do dia", disse Camilo Motter. 

A última semana foi de boas chuvas e, de acordo com as últimas informações do NOAA – o serviço oficial de clima do governo americano -, o Corn Belt deve continuar ainda com o clima um pouco mais seco até o final desta semana, quando começa a se formar um novo sistema de chuvas. Esse sistema, porém, deve se concentrar na área mais noroeste, quando boas chuvas devem chegar nos próximos sete dias. 

Chuvas previstas nos EUA entre os dias 24 a 31 de agosto - Fonte: NOAA

Já no período dos próximos 6 a 10 dias, as previsões indicam para para uma tendência de clima mais úmida e temperaturas ligeiramente mais elevadas por todo o Meio-Oeste americano, como mostram as imagens a seguir. 

Chuvas previstas nos EUA entre os dias 29 de agosto a 2 de setembro - Fonte: NOAA

Chuvas previstas nos EUA entre os dias 29 de agosto a 2 de setembro – Fonte: NOAA

Temperaturas previstas nos EUA entre os dias 29 de agosto a 2 de setembro - Fonte: NOAA

Temperaturas previstas nos EUA entre os dias 29 de agosto a 2 de setembro – Fonte: NOAA

Além do clima, o mercado da soja recebeu, ainda nesta segunda-feira, alguns números da demanda internacional por soja. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou, nesta segunda-feira (24), a venda de 120 mil toneladas de soja para destinos desconhecidos. O volume é da safra 2015/16. 

O departmento trouxe ainda os números dos embarques semanais de grãos e o volume para a soja ficou dentro das expectativas dos traders. Os embarques de soja totalizaram 210,128 mil toneladas, contra expectativas de 110 mil e 225 mil toneladas e o volume da semana anterior de 376,718 mil. No acumulado do ano comercial, os EUA já embarcaram 49.607,816 milhões de toneladas, enquanto no mesmo período do ano anterior o total era de 43.352,332 milhões de toneladas. 

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