Soja: Mercado brasileiro inicia semana com forte pressão nos portos e poucos negócios

Ainda nesta segunda-feira, o mercado recebeu os novos números dos embarques semanais de grãos dos EUA, também trazidos pelo USDA, e que ficaram dentro das expectativas do mercado, o que, portanto, não impactou muito severamente sobre as cotações.
Lucas de Campos 29 março, 2016 Fonte:

O mercado internacional da soja começou e terminou a sessão desta segunda-feira (28) com estabilidade. As cotações registradas na Bolsa de Chicago perderam entre 1,25 e 1,50 após trabalharem, durante todo o dia, de lado e testando os dois lados da tabela. Assim, o vencimento maio/16, referência para a safra do Brasil, fechou o pregão cotado a US$ 9,09 por bushel, enquanto o agosto/16, que chegou a superar os US$ 9,20 ao longo do pregão, ficou em US$ 9,18. 

A pouca movimentação dos preços na CBOT, segundo explicaram analistas, se deu, principalmente, pela espera dos dois novos boletins que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados) divulga nesta quinta-feira, 31 de março. O primeiro deles traz os estoques trimestrais no dia 1º deste mês, enquanto o outro – Prospective Plantings – atualiza as projeções da instituição, com base em uma pesquisa feita com produtores rurais sobre a área de plantio da safra 2016/17. 

Para os estoques trimestrais, a expectativa média do traders do mercado internacional  é de 42,37 milhões de toneladas e fica bem acima do registrado na mesma época de 2015, de 36,12 milhões de toneladas. 

Já entre os números da área de plantio da soja há divergências entre os analistas sobre a postura que o produtor deverá adotar nesta próxima temporada. Diante de preços mais baixos, como explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, o agricultor deverá plantar "todas as áreas", apostando na compensação via produtividade. 

Assim, as projeções oscilam perto de 33,27 milhões de toneladas, se confirmada, sendo cerca de 0,5% menor do que o registrado no ano safra anterior, até números que se aproximam dos 35 milhões de hectare. Assim, ainda segundo o consultor, até que cheguem esses novos números, o mercado deve seguir caminhando de lado durante esta semana, com os investidores buscando garantir um bom posicionamento antes da divulgação dessas informações. 

Ainda nesta segunda-feira, o mercado recebeu os novos números dos embarques semanais de grãos dos EUA, também trazidos pelo USDA, e que ficaram dentro das expectativas do mercado, o que, portanto, não impactou muito severamente sobre as cotações. 

Na semana encerrada em 24 de março, os embarques norte-americanos de soja somaram 567,528 mil toneladas, contra 577,083 mil da semana anterior e de expectativas que oscilavam de 450 mil a 650 mil toneladas. No acumulado do ano comercial, o total da oleaginosa já embarcado pelos EUA chega a 41.422,016 milhões de toneladas, contra 44.322,000 milhões do mesmo período da temporada anterior. 

No mercado internacional, pesaram ainda o novo – e leve – recuo do petróleo, que até chegou a começar o dia em campo positivo, e as previsões de condições climáticas mais favoráveis na Argentina, para a conclusão da safra 2015/16, bem como uma trégua das precipitações no Brasil em regiões portuárias, facilitando os embarques da oleaginosa, como relatou o analista de mercado Bob Burgdorfer, do portal Farm Futures. 

Mercado Brasileiro

No Brasil, ainda segundo Vlamir Brandalizze, a semana começou com os produtores ainda retraídos, evitando novas vendas. Afinal, a segunda-feira foi de pouca movimentação em Chicago e dólar em forte queda. A moeda norte-americana fechou com baixa de 1,51% e valendo R$ 3,6257 com a cena política, mais uma vez, no centro das atenções. 

Os investidores acreditam que, nesta terça-feira (29), o PMDB deva anunciar sua saída do governo e dar ainda mais combustível para o fim do governo da presidente Dilma Rousseff. "É a reta final. O mercado enxerga a saída do PMDB como o começo do fim do governo Dilma", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado à agência de notícias Reuters.

As baixas nos principais portos do Brasil se intensificaram e passaram de 3% no encerramento do dia. Em Paranaguá, a soja disponível perdeu 3,23% e foi a R$ 75,00 por saca, enquanto o produto com embarque previsto para maio/16 ficou com os mesmos R$ 75,00, mas caindo 3,85%. Já no terminal de Rio Grande, queda de 2,46% no disponível, para R$ 75,30, e de 2,56% no futuro – embarque junho/16 – para R$ 76,00 por saca. 

O que ainda limita as perdas causadas pelo câmbio, no entanto, são os altos valores dos prêmios praticados nos portos brasileiros. Em Paranaguá, por exemplo, as principais posições de entrega vêm pagando de 45 a 52 cents de dólar acima dos preços praticados na Bolsa de Chicago. E o movimento de alta vem se dando mesmo com o dólar mais baixo das últimas semanas motivando, segundo explicam analistas, uma procura maior dos importadores pela soja norte-americana, a qual estaria mais competitiva neste momento.

E essa retração dos vendedores neste momento traz, por outro lado, suporte às cotações da oleaginosa no interior do Brasil. "Muitos estão apenas cumprindo contratos, sem interesse de venda no spot, ao passo que a demanda segue firme", explicam os pesquisadores do Cepea. Já nas áreas onde a colheita flui um pouco melhor e a oferta exibe melhor disponibilidade, os preços chegam a sentir uma ligeira pressão. 

Nesta segunda-feira, enquanto o valor da soja subiu 1,39% em Ponta Grossa, no Paraná, para alcançar os R$ 73,00 por saca, caiu 0,79% em Ubiratã e Londrina, no mesmo estado, para R$ 63,00. Altas foram registradas ainda em Tangará da Serra/MT – de 1,72% para R$ 59,00 – e em Jataí/GO – de 0,50% para R$ 60,80. Nos demais estados, estabilidade e manutenção dos preços. 

"Além de a oferta se sobrepor à demanda em várias regiões, o enfraquecimento das cotações tem refletido também a desvalorização do farelo de soja. Como o mercado de biodiesel segue firme, indústrias intensificam o processamento para aumentar a oferta de óleo e, com isso, elevam a disponibilidade de farelo", completa o Cepea.

Por: Carla Mendes
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