Soja: Mercado, à espera do USDA, trabalha em Chicago buscando manter a estabilidade

O novo reporte do departamento americano será divulgado no início da tarde desta quarta e, segundo analistas, pode ser um dos mais importantes do ano por trazer, pela primeira vez nessa nova temporada, os primeiros dados coletados a campo, ou seja, mais próximos da realidade após as adversidades climáticas vividas no início dos trabalhos de campo por conta do excesso de chuvas.
Lucas de Campos 12 agosto, 2015 Fonte:

Em dia de relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estdos Unidos) e amanhecendo com a notícia de que a China desvalorizou o iuan pela segunda vez em dois dias, o mercado da soja na Bolsa de Chicago tem novo dia de baixa nesta quarta-feira (12). Os principais vencimentos, por volta das 7h30 (horário de Brasília), perdiam pouco mais de 4 ponto. E apesar de operar do lado negativo da tabela, a oleaginosa registrava perdas bem menos intensas do que as registradas na sessão anterior. 

Se de um lado as expectativas para o boletim do USDA são suporte para as cotações por trazerem a possibilidade de um corte na nova safra dos Estados Unidos, a aversão ao risco e o nervosismo do mercado pesam sobre os preços, uma vez que promovem, entre outras consequências, a alta do dólar. Frente à moeda norte-americana, o novo corte da chinesa foi de 1,62%. 

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O novo reporte do departamento americano será divulgado no início da tarde desta quarta e, segundo analistas, pode ser um dos mais importantes do ano por trazer, pela primeira vez nessa nova temporada, os primeiros dados coletados a campo, ou seja, mais próximos da realidade após as adversidades climáticas vividas no início dos trabalhos de campo por conta do excesso de chuvas. 

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja tem queda de mais de 20 pts em Chicago, mas preços ainda na casa dos R$ 80 nos portos

Com uma série de fatores influenciando o mercado na sessão desta terça-feira (11), o mercado da soja na Bolsa de Chicago fechou o dia com baixas de mais de 20 pontos nos principais vencimentos. A referência para a safra norte-americana – novembro/15 – encerrou os negócios com US$ 9,76 por bushel – e para a safra brasileira – maio/16 – ficou em US$ 9,63. Os futuros da oleaginosa trabalharam durante toda a sessão com duras altas. 

De um lado, a commodity foi pressionado por um mercado financeiro mais nervoso e avesso ao risco, principalmente depois da chegada da notícia da desvalorização anunciada pela China de sua moeda – o iuan – e que pegou os investidores de surpresa, como explicou Camilo Motter, analista de mercado e economista da Granoeste Corretora. "Essa queda do iuan refletiu em todos os negócios e, por mais que tenha um impacto de curto prazo, terá de ser absorvido ao longo dos dias", disse. 

Assim, investidores migraram para ativos mais seguros – como o dólar, que fechou em alta frente ao real e uma série de moedas nesta sessão – em busca de, além de outros motivos, realizar lucros após as fortes altas registradas no pregão anterior, quando o mercado subiu mais de 30 pontos. Paralelamente, o momento foi aproveitado ainda para a busca de um bom posicionamento desses investidores antes da chegada do relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) de oferta e demanda que chega nesta quarta-feira (12). 

Tem sido unanimidade entre as expectativas de consultorias privadas reportadas nos últimos dias um número menor do que o registrado no reporte de julho, de 105,73 milhões de toneladas para a safra de soja dos Estados Unidos, além de ser esperada também uma revisão na produtividade da oleaginosa, o que teria um forte impacto sobre as estoques da nova temporada, como explicam os analistas.

Ainda segundo Camilo Motter, esse é um relatório de bastante importância, uma vez que é o primeiro com relatos dos especialistas indo a campo, o que permitiria a coleta de dados que podem aproximar muito as estimativas da realidade. Entretanto, há de se considerar o conservadorismo do USDA ainda em alguns momentos, com o registrado na divulgação do boletim semanal de acompanhamento de safras nesta segunda-feira que manteve o índice de lavouras em boas ou excelentes condições, mantido em 63%. 

"O USDA foi conservador na divulgação dos seus números sobre as condições das lavouras, o mercado acreditava que as condições poderiam até piorar, então, parte dessas baixas vêm ainda com o peso desse relatório", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting.

Clima nos EUA

O mercado conta ainda com o comportamento do clima nos Estados Unidos também influenciando o andamento das cotações. "Estamos vivendo agora o período mais crítico para o desenvolvimento das lavoura e a fase de término da floração e, principalmente a formação de vagens e grãos. Então, até 15 de setembro o clima será fundamental. E este é um ano especialmente sensível para as plantas, pois como houve excesso de umidade no início da estação, as plantas não colocaram raízes com a profundidade necessária para a absorção de umidade no subsolo e, com isto, ficam mais vulneráveis a períodos, mesmo que curtos, de estiagem e excesso de calor", ainda de acordo com Camilo Motter.

E as previsões já indicam para os próximos dias que algumas regiões vão ter baixo volume de chuva, ou até não vão ter chuvas. Porém, no período dos próximos 10 a 14 dias, as precipitações já poderão ser melhores, como mostram os mapas do NOAA – serviço oficial de clima do governo americano – a seguir. 

Previsão de chuvas nos EUA para 17 a 21 de agosto - Fonte: NOAA

Previsão de chuvas nos EUA para 17 a 21 de agosto – Fonte: NOAA

Previsão das temperaturas nos EUA para 17 a 21 de agosto - Fonte: NOAA

Previsão das temperaturas nos EUA para 17 a 21 de agosto – Fonte: NOAA

Previsão de chuvas nos EUA para 18 a 24 de agosto - Fonte: NOAA

Previsão de chuvas nos EUA para 18 a 24 de agosto – Fonte: NOAA

Previsão de temperaturas nos EUA para 18 a 24 de agosto - Fonte: NOAA

Previsão de temperaturas nos EUA para 18 a 24 de agosto – Fonte: NOAA

Mercado Interno  

No Brasil, as cotações conseguiram compensar parte das fortes baixas registradas na Bolsa de Chicago com uma alta de mais de 1% do dólar nesta terça-feira. E assim, no porto de Paranaguá, a soja disponível subiu 0,625 para R$ 81,00 e a futura, 1,91% para R$ 80,00 por saca. Já em Rio Grande, onde os avanços foram ainda mais intensos no dia anterior, os preços exibiram um recuo, porém, garantindo patamares ainda na casa dos R$ 80,00. O produto disponível fechou o dia com R$ 82,00, perdendo 1,20% e o futuro com R$ 80,90 caiu 1,34%. 

No interior do país, a maior parte das principais praças de comercialização apresentaram estabilidade diante desse quadro do mercado innternacional aliado ao dólar. De acordo com um levantamento feito pelo Notícias Agrícolas junto às cooperativas e sindicatos rurais, os preços seguem trabalhando na casa dos R$ 60,00 nos mais importantes estados produtores e regiões como Tangará da Serra/MT e Cascavel/PR têm preços de, respectivamente, R$ 63,00 e R$ 65,00 por saca. 

Como explicou Vlamir Brandalizze, depois das boas vendas do último mês e com essa volatilidade se acentuando em Chicago, os negócios se arrefeceram nos últimos dias. São operações mais pontuais e localizadas sendo concluídas, de volumes não muito elevados, mas com os produtores ainda muito atentos às oportunidades que aparecem, principalmente, com essa valorização do dólar.

Nesta terça, a moeda norte-americana subiu 1,59%  e terminou o dia a R$ 3,4978, batendo em R$ 3,5173 na máxima do dia. Se de um lado a cena política traz algum "alívio momentâneo aos negócios" com a chegada da agenda do presidente do Senado, Renan Calheiros, para os trabalhos da casa – excluindo a possibilidade do impeachment de Dilma Rousseff das prioridades – a notícia da desvalorização da moeda chinesa favoreceu a alta do dólar. 

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