Soja fecha 3ª feira com ligeira realização de lucros na CBOT e preços estáveis no Brasil

No Brasil, os preços - e consequentemente os negócios - também perderam um pouco de força diante das leves baixas registradas em Chicago aliadas à uma queda um dia de pouca movimentação para o dólar. A moeda americana fechou com 0,25% de alta em R$ 3,1385 na venda, depois que os investidores optaram pela compra de divisas após as sessões consecutivas de perdas acentuadas.
Lucas de Campos 15 julho, 2015 Fonte:

O mercado internacional da soja encerrrou a sessão desta terça-feira (14) em queda. Os futuros da oleaginosa operaram durante todo o dia com volatilidade, chegaram a testar ligeiras altas, mas fecharam o dia com baixas de 2,50 a 4,25 pontos entre os principais. Ainda assim, o patamar dos US$ 10,00 continua mantido. 

Segundo explicaram analistas, o pregão foi marcado por um comportamento técnico do mercado e pelas ligeiras realizações de lucros provocadas pelos fundos de investimentos. Paralelamente, o clima norte-americano segue sendo um dos principais componententes do mercado neste momento, até porque há nesse momento a perspectiva do mais forte El Niño dos últimos 50 anos. 

"Estamos em um momento em que o clima tem um peso muito grande nas tendências de curto prazo (…) Entretanto, as altas verificadas nas últimas semanas já permite os players a uma boa realização de lucros. Em um período dos últimos 30 dias, as altas da soja já acumulam uma alta média de 13% a 14%, na média", afirma Mársio Ribeiro, analista de mercado da Cerrado Corretora. 

No Brasil, os preços – e consequentemente os negócios – também perderam um pouco de força diante das leves baixas registradas em Chicago aliadas à uma queda um dia de pouca movimentação para o dólar. A moeda americana fechou com 0,25% de alta em R$ 3,1385 na venda, depois que os investidores optaram pela compra de divisas após as sessões consecutivas de perdas acentuadas. 

Assim, no porto de Paranaguá, a soja disponível manteve os R$ 73,00 por saca, enquanto para o produto da safra nova houve um recuo de 1,33% para R$ 74,00. Em Rio Grande, estabilidade para a oleaginosa disponível – ainda em R$ 75,00 – e para a futura, em R$ 76,00/saca. No interior do país, os preços também se mantiveram estáveis, sem variações nas principais praças de comercialização. A exceção ficou para Ubiratã/PR, onde uma ligeira queda de 0,79% foi registrada, para R$ 62,50 por saca. 

Clima nos EUA

Parte do suporte que vem sendo observado no mercado internacional de grãos, ainda de acordo com os analistas – nacionais e internacionais – vem das adversidades climáticas que continuam severas nos Estados Unidos. O Meio-Oeste americano, nos últimos dias, continuou recebendo volumes elevados de precipitações e as chuvas dos próximos sete dias também devem superar os 50 mm em estados importantes, segundo informou o NOAA – departamento oficial de clima do governo dos EUA. 

Nos últimos sete dias, até esta terça-feira, alguns estados como Indiana e Missouri, receberam mais de 500 mm de chuvas no Corn Belt, como mostra o mapa abaixo, do site internacional AGWeb. 

Chuvas acumuladas nos últimos 7 dias nos EUA - Fonte: AGWeb

Chuvas acumuladas nos últimos 7 dias nos EUA – Fonte: AGWeb

Por conta disso, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), em seu último boletim de acompanhamento de safras divulgado nesta segunda-feira (13), reduziu seu índice de lavouras em boas/excelentes condições de 63% para 62%. Em estados como Illinois, importante na produção da oleaginosa, tem apenas 48% das plantações em boa forma, e em Ohio e Indiana esse número cai para 42%. Por outro lado, Minnesota e Iowa, por exemplo, os índices passam de 70%.

Para os próximos dias, ainda de acordo com previsões do NOAA, as chuvas seguem intensas no Meio-Oeste americano. São previstos acumulados entre 50,8 e 101,6 mm para estados como Indiana, Iowa, Illinois e Missouri. 

Previsão 7 dias - EUA

Previsão de chuvas para os próximos 7 dias nos EUA – Fonte: NOAA

El Niño

E as preocupações com o clima, não só nos Estados Unidos, se agravam à medida em que o El Niño deste ano vai ganhando força, aumentando sua intensidade e confirmando sua configuração. Segundo informou a meteorologista sênior do instituto norte-americano AccuWeather, Kristina Pydynowski, esse pode ser o mais forte dos últimos 50 anos e, de acordo com as últimas previsões indicam ainda que o fênomeno poderia durar até o verão de 2016 na América do Sul e primavera do ano que vem na América do Norte.

"O El Niño apresentou uma força estável ao longo do último mês e agora está se aproximando para ganhar ainda mais resistência. Há uma convicção crescente de que esse será um dos mais fortes dos últimos 50 anos, e o fenômeno atinge seu pico, normalmente, durante o período de dezembro a fevereiro", disse Brett Anderson, meteorologista também do Accuweather. "O El Niño mais forte desde o início do século 20 aconteceu entre os anos de 1997 e 1998", completou.

Leia mais:

>> El Niño pode ser o mais forte dos últimos 50 anos e traz excesso de chuvas para o Sul do Brasil

Mercado Financeiro

As notícias mostram que os ânimos estão mais calmos no mercado financeiro internacional, porém, há algumas incertezas que seguem permeando os negócios de uma forma geral. O foco continua mantido sobre a crise grega, apesar do acordo firmado no início desta semana. A China também ainda chama a atenção, bem como os Estados Unidos e sua perspectiva do aumento da taxa de juros no país. 

"O mercado financeiro deve continuar a ser observado. Os acordos fechados com relação ao refinanciamento da dívida da Grécia podem provocar um movimento de capitais, saindo das commodities e retornando ao mercado financeiro", explicou Mársio Ribeiro. 

Nesta terça-feira, dados sobre a economia norte-americana vieram um pouco mais fracos aom mostrarem as vendas no varejo e os preços dos importados recuando em junho. Assim, pareceu ainda mais distante a elevação dos juros, o que acabou motivando uma baixa do dólar não só frente ao real, mas à uma cesta de principais moedas. 

"O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) deixou claro que vai se basear nos dados para decidir sobre os juros, e os dados de hoje vieram fracos", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo ao portal G1. A expectativa do mercado financeiro é de que esse aumento chegue até o final do ano. 

No Brasil, o ajuste fiscal segue no foco dos negócios, principalmente em relação às metas que vem sendo discutidas pelo governo e as autoridades monetárias. "O governo precisa achar um ponto de equilíbrio, entregar uma meta factível mas que ainda demonstre comprometimento", disse o operador de uma corretora nacional, sob condição de anonimato também ao G1.

© Copyright 2017, Todos os direitos reservados.