Soja estende ganhos, mas mercado fica estável

E contribuindo para esse quadro, o boletim semanal de acompanhamento de safra trazido no final da tarde desta segunda-feira (14) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicou uma redução nas lavouras de soja em boas ou excelentes condições de 63% para 61% em uma semana.
Lucas de Campos 15 setembro, 2015 Fonte:

O mercado internacional da soja registra uma nova sessão de ganhos nesta terça-feira (15). Por volta das 7h20 (horário de Brasília), os principais vencimentos subiam entre 2,25 e 4,75 pontos, com o março/16 já trabalhando ligeiramente acima dos US$ 8,90 por bushel. Os negócios são continuidade, apesar de ser de forma mais tímidas, das boas altas registradas na sessão anterior. 

Segundo explicam analistas, o mercado vem buscando consolidar uma recuperação após as recentes baixas. E contribuindo para esse quadro, o boletim semanal de acompanhamento de safra trazido no final da tarde desta segunda-feira (14) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicou uma redução nas lavouras de soja em boas ou excelentes condições de 63% para 61% em uma semana. 

Ainda assim, a última projeção do departamento norte-americano é de uma grande safra que poderia chegar a 107 milhões de toneladas. Entretanto, ainda de acordo com analistas, o ajustado quadro de oferta e demanda da temporada 2014/15 vem ganhando um pouco mais de peso nas últimas sessões, dando suporte às cotações. 

Por outro lado, a influência do mercado financeiro ainda exige atenção. Nesta terça, as bolsas chinesas voltaram a cair de olho na saúde da economia do país. Somente nesta semana, o mercado acionário da China já acumula uma baixa de 6%. Além disso, há ainda a reunião do Federal Reserve (o banco central americano) acontecendo nesta semana e as expectativas dos investidores sobre um possível aumento na taxa de juros nos EUA, o que também poderia ser um fator de pressão sobre as cotações. 

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Soja: Boas altas em Chicago puxam preços nos portos e no interior do Brasil nesta 2ª feira

O dia foi positivo para o mercado internacional da soja e os futuros da oleaginosa encerraram o dia com ganhos de 9,50 a 10 pontos entre as posições mais negociadas nesta segunda-feira (14) na Bolsa de Chicago. Com boas novas entre os fundamentos, as cotações encontraram terreno para uma recuperação sustentável nesta sessão, levando o contrato novembro/15, referência para a safra norte-americana, a US$ 8,84 por bushel, e o maio/16, referência para a brasileira, a encerrar o dia com US$ 8,89. Na máxima do dia, os vencimentos foram a US$ 8,88 e US$ 8,93, respectivamente. 

Segundo explicou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, o mercado conseguiu, nesta segunda-feira, se desvencilhar ligeiramente do cenário macroeconômico e se focar no quadro de oferta e demanda, principalmente depois da chegada do último boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na sexta-feira passada (11). 

"Os grandes investidores começaram a analisar os dados efetivos do USDA em que o ponto positivo é o quadro de oferta e demanda 2014/15, com forte queda nos estoques finais norte-americano. Em setembro do ano passado, as projeções eram de que os EUA iriam colher de 107 a 108 milhões de toneladas e que iriam fechar o ano com 12,2 milhões de toneladas em seus estoques. Mas a realidade é outra, os números vieram em 5,7 milhões de toneladas, menos da metade, e isso vem a confirmar a forte demanda mundial por soja", diz.

Ainda nesta segunda-feira, o mercado acionário chinês registrou um novo dia de perdas diante das perspectivas de um crescimento menor do país este ano – o qual poderia, inclusive, ficar abaixo dos 7%, de acordo com alguns analistas – e novamente chamou a atenção dos investidores no mercado financeiro. "A economia chinesa enfrenta uma pressão relativamente grande, então a confiança do investidor permanece fraca", disse Gu Yongtao, estrategista na Cinda Securities à agência de notícias Reuters.

Mas, ainda segundo explicou Brandalizze, "os fundamentos, que vinham com pouca força nas últimas semanas, nessa semana já dão mais apoio ao mercado. Mesmo com essa pressão negativa das bolsas asiáticas, se leva em consideração que, no relatório das vendas semanais para exportação, o USDA apontou quase 1,5 milhão de toneladas na semana do dia 3 e mais de 1 milhão foram para China. Assim, aquela história de que a China estaria desacelerando suas compras não é verídica, pois os número semanais do USDA vêm comprovando que eles estão comprando bastante. Então, há sinal de que eles vão importar muito. Eles acreditam que a soja esteja barata e é momento de comprar para aproveitar preço baixo". 

Por outro lado, os traders iniciam a semana de olho na reunião que o Federal Reserve (o Fed – Banco Central norte-americano) realizam nos próximos dias e onde poderia ser definido, finalmente, o futuro da taxa de juros dos Estados Unidos. As expectativas, até o momento, estão dividas e, caso haja uma elevação, seria a primeira em quase dez anos. 

"Esse é um fator importante do financeiro que vai agir sobre a bolsa. Se houver um aumento dos juros há uma pressão normal sobre as commodities, que limita o avanço das cotações, e ainda temos uma certa pressão vinda da Ásia até que haja uma acomodação. Mas, aos poucos isso será controlado e o que é o importante para o negócio é que a demanda não sofreu alterações com todos esses abalos financeiros das últimas semanas", explica o consultor. 

O mercado recebeu ainda, nesta segunda, o novo boletim semanal de embarques de grãos com números acima das expectativas para a soja. Na semana encerrada em 10 de setembro, os EUA embarcaram 370,901 mil toneladas de soja, contra 94,262 mil da semana anterior. O total superou o total projetado pelos traders – esperado entre 140 mil e 300 mil toneladas. No acumulado do ano comercial 2015/16, que começou em 1º de setembro. o total já embarcado da oleaginosa é de 394,499 mil toneladas, contra 335,564 mil do mesmo período da temporada anterior. 

Mercado Brasileiro

No Brasil, apesar do recuo do dólar frente ao real, as cotações também registraram um dia positivo após os ganhos expressivos em Chicago. Entretanto, os negócios mantêm o ritmo lento no mercado interno por conta das incertezas ainda muito fortes em relação ao futuro do câmbio. "Os produtores estão fora, vão esperar e aguardar para ver o que vai acontecer com  o câmbio. Existe uma sensação de que o câmbio pode evoluir mais", diz Vlamir Brandalizze. 

No porto de Paranaguá, a soja disponível subiu 1,23% para R$ 82,00 por saca, enquanto em Rio Grande perdeu 0,95% e ficou em R$ 83,00. Já o produto da safra nova terminou os negócios com ganho de 1,27% no terminal paranaense, valendo R$ 80,00, e subindo 0,61% para R$ 82,00 no gaúcho. No interior, boas altas também foram registradas. Em São Gabriel do Oeste/MS, por exemplo, o preço subiu 3,14% para R$ 72,20 por saca, enquanto em Cascavel/PR, a valorização foi de 1,49% para R$ 68,00 e em Ubiratã e Londrina, também no Paraná, a cotação avançou 0,74% para R$ 68,50/saca. 

A moeda norte-americana, nesta segunda-feira, fechou com sua maior queda em um mês – 1,63% – e valendo R$ 3,8138. A divisa registrou outra sessão de forte volatilidade, batendo na mínima da sessão em R$ 3,8061 e na máxima em R$ 3,8937. Segundo analistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, as medidas de cortes de gastos anunciadas pelo governo foram bem recebidas pelos investidores e acabaram sendo o pricipal direcionador para os negócios neste pregão. "O governo vem com tudo. Parece que quer mostrar que acordou", disse o operador de uma corretora nacional, sob condição de anonimato à Reuters. Entretanto, segue mantida a cautela antes da chegada das informações da reunião do Fed sobre os juros nos EUA. 

Paralelamente, os prêmios seguiam positivos nos terminais de exportação e contribuíam para as cotações. Em Paranaguá, as entregas de setembro/15 e novembro/15 registravam prêmios de US$ 1,20 sobre os valores praticados na CBOT, enquanto março/16 tinha US$ 0,25 e abril/16, US$ 0,14. 

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