Soja estável na CBOT à espera do USDA e sobe no Brasil com dólar em alta

Há um descolamento do mercado externo em relação ao interno. Havia um receio de quem segurasse esse produto pudesse vir a ter algum problema com uma possível queda de Chicago (...) Então, é bem possível que o produtor brasileiro tenha oportunidades de fazer bons negócios ainda nesse mês de setembro e até mesmo no início de outubro
Lucas de Campos 11 setembro, 2015 Fonte:

Os futuros da soja, na sessão desta quinta-feira (10), fecharam o dia do lado positivo da tabela, porém, bem próximos da estabilidade. Os vencimentos mais negociados encerraram o dia com ligeiros ganhos, de pouco mais de 1 pontos, refletindo a cautela do mercado à espera do novo boletim que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz nesta sexta-feira, 11 de setembro. 

Em busca de um bom posicionamento antes da chegado do reporte mensal de oferta e demanda, os traders trouxeram pouca movimentação para os negócios e, como tradicionalmente acontece, as expectativas são grandes antes da chegada das informações atualizadas. Entretanto, as projeções neste mês não contam com uma unanimidade. 

"Uma parte dos analistas acredita que o USDA possa apresentar uma manutenção dos números, enquanto outra acredita que possa haver uma redução depois de alguns pequenos sobressaltos do clima que aconteceram nos últimos dias", disse o consultor de mercado Mársio Ribeiro, da TRINI Consultoria. "Nós acreditamos, principalmente, em uma manutenção tanto para milho, quanto para a soja", completou.

Entretanto, Ribeiro afirma ainda que caso esses números sejam mesmo mantidos não está afastada uma pressão sobre os futuros da oleaginosa em Chicago, quais poderiam ainda se manter abaixo dos US$ 9,00 por bushel. No reporte de agosto, o USDA estimou a safra 2015/16 dos EUA em 106,58 milhões de toneladas e os estoques finais em 12,78 milhões de toneladas. 

Ainda de acordo com o consultor, a influência do mercado financeiro também continua presente nos negócios com os futuros dos grãos no cenário internacional, e um dos fatores observados mais de perto, além da saúde da economia chinesa, é o andamento do dólar. A oscilação da divisa é acompanhada não só frente ao real, mas também à uma cesta de principais moedas. 

Dólar e Mercado Interno

"Temos o dólar fazendo uma pressão ainda grande, subindo bastante aqui no Brasil e isso pode trazer uma alteração, principalmente para o produtor brasileiro. Essa elevação no aspecto de preços para exportação favorece muito, embora haja o outro lado – dos custos de plantio – mas, para efeito de exportação, é favorável. Tanto que percebemos um mercado interno ainda bem forte, mesmo com as quedas que houve nos preços em Chicago", diz Ribeiro. 

Nesta quinta, o dólar fechou com 1,34% de alta, valendo R$ 3,8504 na venda. A divisa registrou um dia positivo, porém, de volatilidade. Com a notícia do rebaixamento do grau de investimento do Brasil – que perdeu seu selo de bom pagador – pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, a divisa disparou e chegou a bater em R$ 3,91 na máxima do dia. Porém, o Banco Central anuncio um leilão de dólares e a intervenção acabou forçando uma perda de força da alta. 

Assim, o preço da soja disponível subiu 1,34% para R$ 83,00 por saca, enquanto em Paranaguá se manteve estável em R$ 80,00. No caso do produto da safra nova, foi registrado um ganho de 0,62% no terminal gaúcho – para R$ 81,50 – e estabilidade no paranaense, onde fechou com R$ 79,00. No interior, a cotação subiu 0,69% para R$ 61,62 em Jataí/GO, e 0,74% para R$ 68,00 em Ubiratã e Londrina, ambas as praças no Paraná. 

Esse ganho da moeda norte-americana, ainda segundo o consultor da TRINI, motivou uma retomada, mesmo que parcial, do ritmo de negócios com a soja no mercado brasileiro, uma vez que as condições e oportunidades de venda são ainda melhores. Além disso, acredita ainda que, caso novas agências de classificação de risco tomem a mesma postura da Standard & Poor's em relação à economia brasileira, o câmbio poderia subir ainda mais. 

"Há um descolamento do mercado externo em relação ao interno. Havia um receio de quem segurasse esse produto pudesse vir a ter algum problema com uma possível queda de Chicago (…) Então, é bem possível que o produtor brasileiro tenha oportunidades de fazer bons negócios ainda nesse mês de setembro e até mesmo no início de outubro. Há muita dependência, nesse momento, do relatório do USDA desta sexta", explica Mársio Ribeiro. 

Para o banco internacional Société Générale, nas próximas oito semanas, o dólar poderia atingir o patamar de R$ 4,40 caso as cenas política e econômica do Brasil não apresentem melhoras significativas e reduzam os sentimento de insegurança e incerteza por parte dos investidores. 

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