Soja: Combinação dólar e Chicago em queda volta a pressionar preços no Brasil

Sem novidades fortes, o recuo das cotações ainda reflete o bom avanço da colheita nos Estados Unidos - que chega trazendo bons números de produtividade dos campos norte-americanos e a confirmação das chuvas em regiões produtoras do Brasil.
Lucas de Campos 3 outubro, 2017 Fonte:

Após trabalharem durante todo o dia em campo negativo, as cotações da soja fecharam o pregão desta segunda-feira, 2 de outubro, com baixas de dois dígitos entre os principais vencimentos, ou mais de 1%. O contrato novembro/17 ficou em US$ 9,57, enquanto o maio/18, referência para a safra brasileira, encerrou o dia com US$ 9,85 por bushel. 

Sem novidades fortes, o recuo das cotações ainda reflete o bom avanço da colheita nos Estados Unidos – que chega trazendo bons números de produtividade dos campos norte-americanos e a confirmação das chuvas em regiões produtoras do Brasil. 

Além disso, como explica o diretor da Labhoro Corretora, Ginaldo Sousa, o Feriado Dourado na China – que deixa a demanda um tanto enfraquecida ao longo da semana – e uma alta do dólar – principalmente no cenário externo – também ajudaram a pesar sobre os futuros da oleaginosa neste início de semana. 

E apesar do feriado chinês, e ajudando a limitar as baixas, por outro lado, foi anunciada, nesta segunda, uma nova venda de soja dos EUA, que se mostra bastante competitivo neste momento, para a China, que segue necessitando vir a mercado para garantir matéria-prima para a produção de derivados, de 132 mil toneladas. 

Por outro lado, embarques semanais norte-americanos, reportados no boletim semanal do USDA, abaixo do esperado pelos traders contribuíram para um resultado negativo das cotações.  

Na semana encerrada em 28 de setembro, os EUA embarcaram 894,250 mil toneladas de soja, enquanto os traders esperavam algo entre 930 mil e 1,2 milhão de toneladas. No acumulado do ano comercial, os embarques americanos já somam 3.970,338 milhões de toneladas, contra 3.410,154 milhões do mesmo período do anterior.  

Ainda nos próximos dias, o mercado começa também a se preparar para o novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA traz em 10 dias. Os traders já esperam revisões nos estoques, nas exportações e nos esgamentos dos EUA. A produção e a produtividade também podem passar por alguma alteração, segundo explicam analistas e consultores. 

Preços recuam no Brasil

No Brasil, a combinação de Chicago em queda e dólar em baixa fez os preços voltarem a recua. Novas baixas foram registradas nos portos e nas praças do interior do país e ficaram entre 0,86% e 3,61%.

No terminal de Rio Grande, a soja disponível perdeu 1,56% e fechou o dia com R$ 69,50 por saca, enquanto se manteve estável nos R$ 71,00 em Paranaguá. Já o produto da safra nova perdeu 2,30% no terminal gaúcho, para a última referência de R$ 72,30 e, no paranaense, também conseguiu manter a estabilidade nos R$ 73,00.

Nesta segunda-feira, o dólar fechou com queda de 0,39% para, mais uma vez, voltar ao patamar dos R$ 3,15. "Vimos fluxo exportador e financeiro e isso acabou descolando o dólar daqui do exterior (onde a divisa subiu)", resumiu um profissional da mesa de câmbio de uma corretora local à agência de notícias Reuters.  

 
Por: Carla Mendes
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