Soja: Com novas máximas, vencimentos mais próximos em Chicago chegam aos US$ 11 por bushel

Temos uma demanda global bastante firme. Há informações de que a China poderá importar até 90 milhões de toneladas nesta temporada e a oferta nos Estados Unidos ainda é incerta.
Lucas de Campos 2 junho, 2016 Fonte:

Com novas máximas, o mercado da soja na Bolsa de Chicago segue operando em campo positivo na sessão desta quinta-feira (2). Embora com ganhos mais tímidos, os futuros da oleaginosa nos vencimentos julho e agosto/16 já superavam os US$ 11,00 por bushel e batiam em seus melhores preços em dois anos. Segundo analistas, a principal força do mercado ainda vem das preocupações com a oferta. 

Na América do Sul, a temporada 2015/16 terminou menor do que as estimativas iniciais depois das perdas registradas na Argentina – com o excesso de chuvas – e em diversos pontos do Brasil, especialmente no Matopiba – por conta da seca. Já nos Estados Unidos, apesar do bom avanço, a nova safra ainda é incerta, uma vez que a soja poderia contar com menos área do que o ano safra anterior, a produção estimada é menor e há ainda a possibilidade de ser atingida por um La Niña. 

Na outra ponta, o apetite mundial continua muito voraz e bsucando produto nos principais fornecedores globais, onde o produto disponível já é bastante disputado. Reflexo disso, são os atuais preços praticados no Brasil, que já se aproximam de R$ 100,00 por saca. 

"Temos uma demanda global bastante firme. Há informações de que a China poderá importar até 90 milhões de toneladas nesta temporada e a oferta nos Estados Unidos ainda é incerta. Por outro lado, temos problemas em relação ao clima na Argentina e no Brasil praticamente não temos oferta”, explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting.

Nos Portos do Brasil, as cotações da soja disponível alcançaram níveis recordes ao longo desta quarta-feira (1). Em Paranaguá, os preços se aproximaram dos R$ 95,00 a saca, já em Rio Grande, o valor chegou a R$ 93,00 a saca e São Francisco (Santa Catarina), as cotações chegaram a R$ 96,00, com pagamento para julho.  No mercado futuro, a saca subiu para R$ 90,50 em Paranaguá e a R$ 90,00 em Rio Grande.

“O mercado segue batendo recordes e, em um dia em que o câmbio ficou levemente negativo. Talvez, poderíamos ter atingido patamares ainda mais altos se o dólar tivesse fechado em alta. Apesar dos preços históricos, tivemos poucos negócios efetivos. Isso porque, muitos compradores seguraram o produto à espera dos R$ 100,00 a saca, cenário que poderemos ver ainda ao longo do mês de junho”, explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting.

Além da influência das altas registradas em Chicago, a disparada dos preços também é decorrente da apertada relação entre oferta e demanda no Brasil. Até esse momento, os produtores já negociaram mais de 80% da safra velha e o restante da produção está nas mãos dos produtores capitalizados, que utilizam o produto como um ativo financeiro, um investimento, conforme ressalta o consultor.

Em meio a esse quadro, a demanda pela oleaginosa permanece aquecida. “Temos uma demanda global bastante firme. Há informações de que a China poderá importar até 90 milhões de toneladas nesta temporada e a oferta nos Estados Unidos ainda é incerta. Por outro lado, temos problemas em relação ao clima na Argentina e no Brasil praticamente não temos oferta”, explica Brandalizze.

Dólar

A moeda norte-americana fechou o pregão desta quarta-feira (1), com queda de 0,68%, cotada a R$ 3,5879 na venda. O movimento é decorrente da recuperação do bom humor nos mercados externos e com operadores citando fluxos corporativos de venda de divisas no Brasil, segundo dados da agência Reuters.

Bolsa de Chicago

Enquanto isso, na Bolsa de Chicago (CBOT) as cotações da oleaginosa também fecharam em alta nesta quarta-feira (1). As principais posições da oleaginosa iniciaram o pregão com leves quedas, porém, ao longo do dia, voltaram a trabalhar em campo positivo e exibiram valorizações entre 8,50 e 21,25 pontos no final do dia. O julho/16 era cotado a US$ 10,99 por bushel e o novembro/16 a US$ 10,79 por bushel.

“Tivemos mais um dia positivo para a soja que está buscando a sua resistência, nos US$ 11,00 por bushel. E o mercado financeiro tem gostado dessa situação. E tivemos chuvas nos Estados Unidos, estamos com solos encharcados, especialmente em Illinois, o que poderia resultar em um plantio fora da janela ideal. O mercado está muito cauteloso, principalmente em relação ao clima no país e os investidores buscam precificar os riscos futuros”, afirma Brandalizze.

Ainda nesta terça-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que cerca de 73% da área estimada para essa temporada já havia sido cultivada até o último domingo (29). Na semana anterior, o plantio estava completo em 56% da área e no mesmo período do ano anterior o percentual estava em 68%. O número ainda está acima da média dos últimos cinco anos, de 66%. Em torno de 45% das plantas já emergiram, na semana passada o número era de 22%.

“E já começam a circular entre os produtores sobre o nível de tecnologia empregado na safra 2016/17. A princípio, as lavouras americanas estão com potencial produtivo menor em comparação com anos anteriores, segundo os comentários no mercado. A perspectiva é de uma safra ao redor de 100 milhões a 105 milhões de toneladas soja, o USDA projeta uma produção perto de 103 milhões de toneladas. O número está abaixo do reportado no ciclo anterior, de 106 milhões de toneladas”, destaca o consultor de mercado.

Já em longo prazo, as previsões climáticas indicam um tempo mais seco. “Hoje, tivemos algumas casas de climatologia privadas alertando sobre condições quentes e secas para pontos do meio oeste americano durante a janela de desenvolvimento da safra. Tais previsões serviram como combustível numa fogueira para esses fundos novos e cheios de dinheiro novo nesse começo de mês. A estimativa é que os fundos tenham adquirido em torno de 12 mil contratos de soja hoje”, diz Andrea Sousa Cordeiro, da Labhoro Corretora.

 
Por: Carla Mendes
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