Sinal verde para a importação de trigo russo

Apesar de efetivada a abertura, os russos não poderão descarregar seu trigo nos portos de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o que poderá significar uma concentração maior de entregas na região Nordeste.
Lucas de Campos 15 julho, 2015 Fonte:

A Rússia recebeu o sinal verde de Brasília para efetivamente exportar trigo ao Brasil em troca do "esforço" de Moscou para continuar abrindo mercado a produtos brasileiros. As negociações para a compra do cereal se intensificaram na semana passada, quando a ministra da Agricultura Kátia Abreu visitou a Rússia, acompanhando a comitiva da presidente Dilma. Na ocasião, a ministra anunciou que a Rússia estava abrindo seu mercado ao leite em pó brasileiro e que o país tinha interesse em vender trigo e pescado ao Brasil.

A abertura do mercado brasileiro ao trigo russo foi formalizada em acordo entre os dois países em fevereiro de 2013. Mas o Brasil ainda exigia garantias fitossanitárias adicionais que impediam a concretização das vendas. Na semana passada, durante visita de Kátia Abreu a Moscou, foi incluído um adendo no acordo que resolveu a pendência.

Apesar de efetivada a abertura, os russos não poderão descarregar seu trigo nos portos de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o que poderá significar uma concentração maior de entregas na região Nordeste.

Além de ser um dos maiores países produtores e exportadores de trigo do mundo, a Rússia também considera ter ganho mais competitividade graças à desvalorização do rublo. Recentemente, o Egito importou 120 mil toneladas do cereal russo por US$ 212,26 a tonelada. O trigo russo entraria no Brasil com uma TEC (Tarifa Externa Comum) de 10%, por se tratar de produto de fora do Mercosul. Dentro do bloco comercial, a tarifa é zero.

No caso dos pescados, no entanto, a Rússia terá que esperar um pouco mais para exportar ao mercado brasileiro. A certificação já foi liberada por Brasília. Mas uma missão do Brasil ainda irá à Rússia em setembro para habilitar os frigoríficos que quiserem participar do comércio desses produtos, inclusive bacalhau.

Em contrapartida, a Rússia continua a garantir que quer aumentar a importação de carne brasileira, mas continua a reclamar dos atuais preços dos produtos brasileiros.

No último trimestre do ano passado, quando Moscou aumentou as compras de carne do Brasil depois de impor restrições às compras de nações ocidentais, uma autoridade de Moscou chegou a telefonar a interlocutores brasileiros para se queixar dos valores cobrados, mais elevados do que o esperado.

Depois de as exportações brasileiras de carne para o mercado russo terem aumentado no ano passado, no primeiro trimestre deste ano houve queda expressiva por causa da desvalorização do rublo e da recessão no país. Nesse contexto, Moscou diversificou suas importações agrícolas com origens mais baratas, como a Índia.

Em 2014, o comércio bilateral alcançou, no total, US$ 6,3 bilhões, um incremento de 15,7% em comparação a 2013. Os russos exportaram US$ 2,3 bilhões para o Brasil, um aumento de 19,2%, e em contrapartida as exportações brasileiras alcançaram US$ 3,9 bilhões, uma alta de 13,6%, segundo dados russos.

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