Sem novos defensivos, ferrugem diminuirá produtividade da soja

De acordo com o Consórcio AntiFerrugem, grupo formado por pesquisadores que estudam a ferrugem, o controle da doença gera um custo anual estimado em US$ 2,2 bilhões.
Lucas de Campos 29 agosto, 2015 Fonte:

A ferrugem asiática, uma das principais doenças que acometem lavouras de soja, pode trazer grandes impactos socioeconômicos ao país em 2025, como a perda de 30% de produtividade desse grão, se não forem descobertos novos defensivos agrícolas capazes de fazer esse controle.

Essa é a principal conclusão de um estudo divulgado hoje em Brasília pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em parceria com a Embrapa, a Fundação Mato Grosso, a Universidade de Passo Fundo (RS), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR) e a Universidade de Rio Verde (GO).

Os especialistas das instituições consultados pela Abag concluíram que se continuarem sendo utilizados os mesmos agroquímicos baseados nos mesmos princípios ativos (estrobirulina, triazol e carboxamida), o uso médio de três aplicações contra a ferrugem da soja que é feito atualmente no país, tem 73% de probabilidade de ser ampliado para cinco aplicações. E também comprovaram que os produtos atualmente disponíveis não serão totalmente eficientes, devido a perda de resultados.

De acordo com o Consórcio AntiFerrugem, grupo formado por pesquisadores que estudam a ferrugem, o controle da doença gera um custo anual estimado em US$ 2,2 bilhões.

Na hipótese de confirmação desse quadro, o documento projeta que daqui a 10 anos o faturamento total com o comércio de soja no Brasil seria R$ 39 bilhões menor que em 2015. Também haveria perda direta de R$ 19,5 bilhões nas exportações do grão e outros R$ 10,6 bilhões na arrecadação de tributos incidentes sobre a comercialização da oleaginosa. Além de 3 milhões a menos de emprego na cadeia da soja.

Consequentemente, haveria impactos na oferta de ração animal com base na oleaginosa, o que levou o estudo a estimar perdas de produção no setor de aves de R$ 13,3 bilhões, R$ 4,5 bilhões em ovos e mais R$ 5,2 bilhões de carne suína.

“Não dá para esperar sete, oito ou dez anos para liberar uma molécula de um fungicida para combater a ferrugem por exemplo. Já está mais que provado que as moléculas começam a perder eficiência após repetidas aplicações”, disse o diretor-executivo da Abag, Luiz Cornacchioni.

Em outra frente, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, vem prometendo a entidades de produtores rurais cobrar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que agilize a aprovação de defensivos, que chegam a levar 10 anos para ser autorizados. Entretanto, no caso da ferrugem asiática, não existem novas moléculas à espera de aprovação pelo órgão.

Em reunião na semana passada, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, se comprometeu com deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária a buscar maneiras de reduzir o tempo de análise desses produtos pela Anvisa e pelos outros órgão envolvidos no processo – Ibama e Ministério da Agricultura.

Segundo o presidente da FPA, deputado Marcos Montes (PSD-MG), que também participou da divulgação do estudo da Abag, o diretor-geral da Anvisa, Jarbas Barbosa, informou aos parlamentares que está reestruturando a divisão da agência responsável pela aprovação de defensivos e teria concordado com prazos menores para avaliar a autorização e agroquímicos de acordo com a demanda do mercado.

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