Risco de novas demissões preocupa região Noroeste

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Lucas de Campos 5 maio, 2015 Fonte:

Assistindo à distância a recessão de outros setores da indústria, o segmento de máquinas e implementos agrícolas sabia que não escaparia ileso. De janeiro a março, foram quase 700 postos de trabalho a menos no Rio Grande do Sul (veja quadro). E as perspectivas para o resto do ano não são nada alentadoras, nem mesmo a após a colheita de uma supersafra de grãos.Começamos a sentir agora o que os outros setores da indústria sentiram há mais tempo. A indústria resiste a demitir, pois é caro treinar e buscar trabalhadores no mercado após o período de crise — reconhece Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers).No começo de abril, a Massey Ferguson demitiu 154 trabalhadores na fábrica de colheitadeiras em Santa Rosa. Em outubro de 2014, já alegando ajustes devido à instabilidade do mercado brasileiro, a John Deere desligou 167 funcionários em Horizontina. Em efeito cascata, sistemistas que trabalham exclusivamente para essas indústrias e fornecedoras também reduziram o quadro de pessoal.— Todo o setor de metalurgia acaba sendo afetado, desde usinagem e fundição até autopeças — lamenta Jairo Carneiro, presidente da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Estado.O desempenho do setor no segundo semestre será influenciado pelo Plano Safra 2015/2016, que será anunciado em 19 de maio. O programa trará novas taxas de juro para financiamento agrícola.— O cenário de ajuste fiscal causa apreensão, mas esperamos que o governo tenha sensibilidade com o setor — aponta Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que estima redução de 10% a 15% nos negócios do setor no acumulado do ano.

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