Redução na produção de soja impacta e safra gaúcha cai 11,4%

A área de plantio teve variação positiva de 2,2%, mas a produtividade deve ficar 13% mais baixa que no ano passado. Foto: Rafaela Czermaneski/Divulgação
bernardi 11 abril, 2018 Fonte: JCRS

Terceiro maior produtor de soja no Brasil, o Rio Grande do Sul deve sofrer com o decréscimo de 11,1% da safra em 2017/2018, cuja previsão é de chegar a no máximo em 16,6 milhões de toneladas do grão. A perda de mais de 2,1 milhões de toneladas frente a 2016/2017 (quando a safra da oleaginosa no Estado foi de 18,7 milhões toneladas) se deve à região produtora ter sido atingida pela estiagem, observa o substituto da Superintendência Regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Carlos Roberto Bestétti.
“A falta de chuva que atingiu principalmente os municípios de Santo Antônio das Missões e São Sepé, além de toda a Zona Sul, prejudicou o desenvolvimento do grão e as folhas abortaram, diminuindo a produtividade”, destaca. Com o impacto da soja e outras culturas, a produção gaúcha de grãos deve cair 11,4% ante o ciclo anterior, passando de 35,51 milhões de toneladas para um volume de 31,46 milhões de toneladas.
A área de plantio de soja no Rio Grande do Sul teve variação positiva de 2,2%, ficando em 5,69 milhões de hectares cultivados. Já a produtividade deve ficar 13% mais baixa que no ano passado, diminuindo de 3,3 mil kg/ha para 2,9 mil kg/ha. “A maioria dos municípios da Zona Sul do Estado perdeu mais de 50% da produção”, observa Bestétti. Ele comenta que os bons resultados das regiões Nordeste e Norte do Rio Grande do Sul pareciam ser capazes de recuperar as perdas da Metade Sul. “Porém esta possibilidade já foi descartada”, lamenta.
Quanto ao arroz, o levantamento aponta produtividade de 7.293 kg/h, variação negativa de 8% no confronto com o ciclo anterior, e volume de produção esperado 10% menor. Neste ano serão 7,85 milhões de toneladas contra 8,72 milhões em 2016/2017. “Atualmente, os produtores estão colhendo a parte atingida pelo frio e semeada a céu aberto”, comenta o superintendente. Ele afirma que, por isso, ainda não se tem resultado das respostas da lavoura, mas que devido aos problemas da colheita em época de semeadura (que representa 77% da safra), já estão previstas quase 1 milhão de toneladas a menos.
Bestétti chama atenção para o fato de que a produção de arroz no Rio Grande do Sul representa mais de 70% da produção total do País, “o que é um problema”, uma vez que o produto fica concentrado em uma só região e depende de uma logística cara. “O Paraguai está em situação geográfica privilegiada, e consegue colocar o produto no mercado por um preço menor”, compara.
Também o milho – cuja produção de 2 milhões de toneladas a menos que o consumo interno – será um problema a ser enfrentando no Estado, avalia o superintendente da Conab. “Será preciso importar o produto, e o custo da logística vai influenciar no preço, criando problemas na cadeia e tirando lucratividade dos setores de suínos e aves, além de inviabilizar o confinamento bovino.” Com menos 9,5% de área de produção em 2017/2018 (somando 728,4 mil hectares), o milho deve atingir uma produtividade total de 6,5 mil kg/ha (queda de 13,2% frente à safra anterior) e chegar a 4,7 milhões de toneladas apenas – 21,5% menor do que 2016/2017. “O que foi plantado na Zonal Sul não gerou grão pela falta de chuva, e o pessoal forneceu de alimento para o gado, o que resultou em quase nada de safra”, pontua Bestétti.
Com plantio previsto para iniciar no próximo dia 10 de maio, o trigo é a cultura com a expectativa mais negativa para este ano, porém os dados da Conab ainda não indicam esse cenário. “Os produtores estão desestimulados, e aguardam um aceno do governo federal com linhas de créditos e outras medidas que viabilizem o custo de produção.” Por enquanto, a previsão é de uma produção de 1,31 milhão de toneladas, expansão de 2,9% sobre o ciclo anterior.

Volume nacional de grãos deve atingir 229,53 milhões de toneladas, recuo de 3,4%.

A produção brasileira de grãos na safra 2017/2018 deverá alcançar 229,53 milhões de toneladas, o que corresponde a uma queda de 3,4% em comparação com a safra recorde do período anterior 2016/2017, que foi de 237,67 milhões de toneladas. Apesar do decréscimo, o número é ainda bastante elevado, 3,492 milhões de toneladas superior ao levantamento anterior, de março.
Conforme relatório da Conab, o desempenho é “resultado do avanço da colheita da soja e do milho primeira safra, que tem confirmado boas produtividades e uma estimativa maior da área de milho segunda safra”. “Apesar desse resultado ser 3,4% menor que o da última safra, o Brasil deve colher a segunda maior safra da história”, diz a Conab. Já a produtividade recorde da safra passada, que foi beneficiada por um excelente clima, não se repetiu agora, mesmo com a situação climática considerada boa na maioria das regiões produtoras. A soja é a maior responsável pelo bom desempenho da produção.
A leguminosa, em fase final de colheita, deve alcançar 114,96 milhões de toneladas, aumento de 0,8% ante a safra anterior. A primeira safra de milho deve atingir 25,6 milhões de toneladas, queda de 9,4% em comparação com o período anterior (30,46 milhões de toneladas). A segunda safra de milho (de inverno) está projetada em 63,02 milhões de toneladas (queda de 6,5% ante as 67,38 milhões de toneladas da safra passada).
Desse modo, o total da safra do cereal em 2017/2018 deve alcançar 88,62 milhões de toneladas, queda de 9,4% ante o período anterior (97,84 milhões de toneladas). Conforme a Conab, as culturas de soja e milho primeira safra estão em fase final de colheita. A área estimada sinaliza um aumento de 0,8% comparado ao período anterior, atingindo 61,38 milhões de hectares, aumento de 0,8% ante 2016/17. Na ordem crescente de ganho absoluto da área plantada, vem primeiro a soja com 1,2 milhão de hectares. Com os ganhos obtidos, a área total da soja ficou em 35 milhões de hectares.

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