Rabobank eleva estimativas para preços de soja e milho com incerteza sobre safra dos EUA

A instituição voltou a falar sobre a intenção de um aumento da taxa de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve, "com muitos observadores esperando que o país eleve seus custos de empréstimos ainda no final deste ano".
Lucas de Campos 31 julho, 2015 Fonte:

O banco internacional Rabobank aumentou suas perspectivas para os futuros da soja e do milho, segundo informou o site internacional Agrimoney. Ao mesmo tempo porém, fez um alerta sobre a possibilidade de uma ameaça do dólar mais alto aos preços das commodities. A instituição voltou a falar sobre a intenção de um aumento da taxa de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve, "com muitos observadores esperando que o país eleve seus custos de empréstimos ainda no final deste ano". 

Enquanto esse quadro de um dólar mais alto pode pressionar as cotações nas bolsas internacionais – uma vez que as torna menos atrativas por serem mais caras para os compradores – o que permitiu essa revisão positiva para os preços foram as adversidades climáticas registradas em áreas importantes de produção, como o Meio-Oeste dos Estados Unidos. 

O plantio do milho e, principalmente o da soja, sofreram com o excesso de chuvas nos EUA, com o país registrando acumulados historicamente altos para os meses de maio – o mais chuvoso em 121 anos – e junho. No início de julho, as condições ainda eram desfavoráveis. Ao mesmo tempo, problemas são registrados também na Ásia, na Europa e na África, principalmente no caso do milho. 

Assim, o Rabobank elevou sua projeção para o preço do milho praticado em Chicago em US$ 0,30 trazendo a perspectiva de volta dos US$ 4,00 por bushel ainda nos próximos três meses e o valor podendo chegar a US$ 4,16 até março de 2016. "O balanço 2015/16 não pode registrar uma produtividade muito abaixo da média (nas lavouras da nova safra dos EUA)", informou a nota do banco. 

Enquanto a perspectiva do banco é de que a produtividado do grão fique em torno de 172,52 sacas por hectare, as incertezas ainda grandes sobre os impactos das adversidades climáticas mantêm as estimativas do mercado, de uma forma geral, trabalhando em um intervalo bastante grande, com projeções que variam de 169,35 a 176,55 scs/ha. 

Para a soja, a alta projetada pelo banco ficou em US$ 0,70 e as perspectivas para os futuros entre outubro e dezembro com uma média de US$ 9,60 por bushel. "Os estoques da safra velha estão apertados", disse a nota do Rabobank. "O USDA, no mês passado, mostrou estoques inesperadamente baixos enquanto ainda tivemos um clima muito úmido nos Estados Unidos. A incerteza sobre o potencial produtivo aumentou. Os estoques americanos não poderão enfrentar uma produtividade no intervalo mais baixo dos 40 bushels por hectare (45,35 sacas/hectare). Em agosto, mês determinante para a definição do rendimento nos EUA, o clima tem que ser bom", informou o banco. 

Novo boletim do USDA e previsões do tempo para os EUA

No dia 12 de agosto, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz seu novo boletim mensal de oferta e demanda e, à espera desses números, o mercado internacional de grãos atua com volatilidade. A ansiedade dos traders, de acordo com os analistas e consultores, é sobre as possibilidades de o departamento trazer, nesse próximo reporte, os impactos reais das condições desfavoráveis de clima no Meio-Oeste americano durante o início da nova safra. 

Para Ênio Fernandes, consultor em agronegócios, esse é um movimento "extremamente normal" do mercado nesse momento, que caminha para o final do mercado climático. "E vai aumentar muito essa volatilidade até o dia 12 de agosto. Esse deverá ser um dos dias mais nervosos do mercado e, em minha opinião, será o mais importante do ano", diz. "Será muito difícil os produtores dos EUA conseguirem os 46 bushels por acre (52,17 sacas/hectare), completa. 

Segundo os últimos mapas de previsões mais extendidas para os EUA divulgados pelo NOAA – departamento oficial de clima do país – as chuvas no Corn Belt devem ficar acima da média no Meio-Oeste americano e as temperaturas, abaixo, como mostram as imagens abaixo.

No período de 4 a 8 de agosto, há 33% a 40% de as temperaturas ficarem abaixo da média nos estados mais ao norte e de 33% a 50% de ficarem acima nos estaos do Centro-Sul dos EUA. No caso das precipitações, todo o Corn Belt, de acordo com o NOAA, conta com probabilidade de 33% a 40% de volumes acima do normal para o período. 

Previsão de temperaturas para os EUA de 4 a 8 de agosto - Fonte: NOAA

Previsão de temperaturas para os EUA de 4 a 8 de agosto – Fonte: NOAA

Previsão de chuvas para os EUA de 4 a 8 de agosto - Fonte: NOAA

Previsão de chuvas para os EUA de 4 a 8 de agosto – Fonte: NOAA

Já para 6 a 12 de agosto, a probabilidade de que os principais estados produtores dos EUA tenham temperaturas mais baixas do que o normal fica entre 33% e 40%, enquanto o índice para chuvas acima da média também fica nesse intervalo.

Previsão de chuvas para os EUA de 6 a 12 de agosto - Fonte: NOAA

Previsão de chuvas para os EUA de 6 a 12 de agosto – Fonte: NOAA

Previsão de temperaturas para os EUA de 6 a 12 de agosto - Fonte: NOAA

Previsão de temperaturas para os EUA de 6 a 12 de agosto – Fonte: NOAA

Com informações do site internacional Agrimoney

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