Polícia já registrou oito casos de feminicídio com 13 mortes em Santo Ângelo

Delegada Elaine da Silva conta que os indicadores da violência mostram que  546 mulheres foram vítimas de feminicídio (Cristiano Devicari/AT)  
Sepé Tiaraju 2 junho, 2018 Fonte: A Tribuna

Santo Ângelo registrou, nos últimos anos, oito casos de feminicídios que resultaram na morte de nove mulheres e quatro homens.  Esses são os números apresentados pela delegada Elaine da Silva, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, localizada no cruzamento da avenida Venâncio Aires com a rua Tiradentes.

Conforme Elaine, dados desde 2010 apontam que há casos de feminicídios em que o autor do crime acabou cometendo o suicídio. “Em 2013, por exemplo, teve um policial militar que matou por disparo de arma de fogo a ex-mulher e o novo namorado dela. Depois, o policial cometeu suicídio. O crime aconteceu na casa de um amigo da vítima”, conta.

Outro crime ocorrido neste ano foi a morte de uma professora que se envolveu com um aluno do Case. O criminoso não aceitou o término do namoro e a matou com uma facada no pescoço, no apartamento da vítima, no bairro Cohab. O autor do crime acabou condenado há 15 anos de prisão pela lei antiga.

OUTROS CRIMES

Em 2015 teve o caso de uma servidora municipal morta a tiros pelo ex-companheiro. Na cena do crime o homem também feriu a avó que estava com um bebê no colo. O homem foi condenado há 24 anos de prisão pela lei nova do feminicídio.  Já em 2016 teve outro caso de feminicídio na cidade. Uma jovem de 19 anos foi morta com tiros na cabeça, próximo ao bairro Harmonia.

Um crime que também chamou a atenção da comunidade foi o caso de uma mulher de 27 anos que veio de Novo Hamburgo para Santo Ângelo fugida do ex-companheiro. O criminoso manteve contato telefônico com a vítima e marcou encontro para efetuar a entrega de pertecentes retirados do apartamento do casal no Vale dos Sinos. A mulher foi morta ao menos com 10 facadas. O homem foi condenado há 19 anos de prisão.

No Rincão dos Roratto, em setembro de 2016, teve registro de feminicídio seguido de suicídio. Neste caso duas mulheres teriam sido mortas pelo ex-namorado de uma das vitimas. O criminoso fez contato com a mulher com o pretexto de que iria embora da cidade e teria dinheiro para dar a ela. Acompanhada, ela foi com amiga ao encontro do rapaz. A outra menina, vestida como um homem, chamou a atenção do ex que efetuou disparos, pensando se tratar de um novo namorado da ex. Horas depois do crime o autor cometeu o suicídio. Também neste ano, uma adolescente morreu após seis disparos de arma de fogo na via pública feito pelo namorado.

E em 2017 um homem matou a tiros uma mulher na rua Antunes Ribas, na área central cidade. Tempo depois dos  disparos contra a vítima e em seguida cometeu suicídio.

INDICADORES DA VIOLÊNCIA

Os indicadores do Observatório Estadual de Segurança Pública do RS mostram que entre 2012 a 2017 um total de 546 mulheres foi vítima de feminicídio no Estado. Em 2012 (101 casos); 2013 (92); 2015 (75); 2015 (99); 2016 (96); e 2017 (83). Os dados do observatório também apontam 1.241 tentativas de feminicídio no Rio Grande do Sul.

Delegada explica o perfil dos crimes contra a mulher

A delegada Elaine da Silva explica que os casos de feminicídios apresentam um padrão comum. “Desses registros, em quatro casos, o agressor havia consumido drogas, eram desempregados e sustentados pelas ex-companheiras. Nestes casos as mulheres receberam ameaças antes do crime, mas nem todas fizeram o registro”, conta.

Elaine salienta que a motivação do crime em todos os nove casos de feminicídio foi porque os ex-companheiros não aceitavam a separação. “As mudanças que ampliaram as punições de quem pratica o feminicídio, através da Lei 13.104 de 2015. Com as alterações foi possível dobrar a pena mínima de 6 para 12 anos e aumentar em 50% a pena máxima de 20 para 30 anos de prisão. Sem dúvida foram conquistas importantes, mas que não refletiram na redução da violência contra a mulher. Tudo porque a violência de gênero resulta de resquícios histórico-culturais da nossa sociedade em que o homem tem um sentimento de posse sobre a mulher, como se ela fosse um objeto”, observa.

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