Novo secretário do Desenvolvimento Rural quer fortalecer agricultura familiar

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Lucas de Campos 6 janeiro, 2015 Fonte:

Tarcísio Minetto acumula experiência ao longo de 30 anos de atuação no setor

Não adianta insistir, o novo secretário do Desenvolvimento Rural e Cooperativismo, Tarcísio Minetto, 53 anos, não passa nenhuma informação antes de checar minuciosamente planilhas de cálculos em papel ou em arquivos digitais. O cuidado com os números é justificado pela formação em Economia e traduzido em estimativas de custos e rendimentos das lavouras de grãos divulgados todos os anos pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado.

Agora, no governo terá orçamento previsto em R$ 438 milhões para administrar e objetivo bem definido: fortalecer a agricultura familiar e o sistema cooperativista, com programas que vão do crédito fundiário ao aumento de renda do segmento que responde por 86% das propriedades rurais do Rio Grande do Sul.

Natural de Caiçara, na Região Norte, Minetto levará para a secretaria a familiaridade com o Interior e a experiência de 30 anos de trabalho e formação acadêmica ligada ao setor. A primeira, tecnólogo em cooperativismo, foi sugerida pelo pai, Vitélio Minetto. Se estivesse vivo, veria o quanto o conselho foi importante para a trajetória do filho.

Confira abaixo trechos da entrevista concedida pelo secretário a Zero Hora:

Quais serão as suas prioridades?

Confirmar o trabalho e a imagem da secretaria como espaço de políticas públicas voltadas à agricultura familiar. Tem uma diversidade de ações importantes que serão planejadas e executadas, sempre ouvindo as entidades e os segmentos envolvidos. Por exemplo, manter o programa de sementes Troca-Troca, fortalecer a Emater, as agroindústrias e o cooperativismo.

Parte das cooperativas gaúchas passa por dificuldades financeiras. O que o governo poderá fazer para tentar ajudar?

A ideia é conversar com o segmento, pois certamente cada cooperativa tem seu diagnóstico. Há projetos em curso na secretaria. No Estado, a produção agrícola é de risco elevado, sofremos reveses em anos de clima desfavorável, e o seguro ainda é frágil. Precisamos melhorar a cobertura e revisar critérios. Quando há perda de safra em razão do clima e da baixa de preço, os passivos se acumulam. Foi o que houve com algumas cooperativas, além de problemas de gestão. Mas há vários exemplos positivos também. E embora o cooperativismo agropecuário tenha maior peso no PIB, é importante lembrar que o sistema é mais amplo. Teremos de olhar para os 13 ramos que abrange.

O orçamento da secretaria é suficiente?

O valor liquidado até outubro de 2014 foi de R$ 438 milhões, sendo R$ 202 milhões da Emater (para 2015, os conselhos da Emater aprovaram R$ 305 milhões). Quando analisarmos os projetos em andamento e planejarmos novas ações, teremos ideia mais clara se será preciso buscar suplementação.

Como melhorar a renda da agricultura familiar?

Essa é uma questão muito importante, haja vista que a criação do Pronaf foi uma demonstração do governo federal de que a agricultura familiar precisava de políticas diferenciadas, com subsídios. Como as propriedades são pequenas, o grande desafio é fazer com que o jovem permaneça no campo, e isso passa pela questão econômica e de crédito fundiário. Outro ponto é o acesso à tecnologia. Se tu não tens escala, é preciso buscar alternativas para viabilizar uma propriedade ou agroindústria familiar para que possa ter renda.

O que é possível fazer para proteger produtores de leite de fraudes e de calotes, como ocorreu em 2013 e 2014?

Já há iniciativas, como as de apoio à defesa sanitária, alguns convênios com o governo federal, de ações preventivas. Quanto ao calote, é uma relação de credibilidade do produtor com o agente econômico. O primeiro tem de se cercar ao máximo de informações para se proteger. Como secretário, terei o dever de verificar com o Ministério Público as empresas fraudulentas para tentar ajudar. Na lei de falência e recuperação judicial, o produtor é o último a receber.

As parcelas do Procap, programa de financiamento do BNDES destinado à cooperativas, começam a vencer em 2015 e já se fala em pedir prorrogação. O que é possível fazer?

Temos de verificar o que a legislação prevê. Se a norma diz que é possível, trabalharemos nesse sentido. Temos de estudar caso a caso, até porque é um programa do governo federal. Com o BNDES, iremos buscar também a liberação das garantias, ou seja, a cooperativa fez um financiamento, já pagou mais de 50% e as garantias continuam travadas. Essa é uma demanda do setor, ir liberando gradualmente as garantias conforme o pagamento dos recursos.

Como fortalecer a Emater, que presta extensão rural gratuita a 250 mil famílias?

A Emater é a principal empresa executora de políticas públicas da agricultura familiar. É um ente importante para o qual iremos voltar nosso trabalho. A diversidade de programas toma muito tempo dos extensionistas. Podemos pensar em integração com cooperativas, que também desenvolvem papel fundamental na extensão. A ideia é qualificar os serviços públicos, reduzindo burocracia, pois a demanda não para de crescer.

Pretende implementar projetos novos?

Iremos analisar toda a diversidade de ações no âmbito da secretaria para definir novos projetos. Posso antecipar que regularização fundiária terá atenção especial, assim como todos os ramos do cooperativismo.

Fonte: ZH

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