Nilson conta que a amizade com João de Deus iniciou quando foi prendê-lo

Sepé Tiaraju 15 dezembro, 2018 Fonte: A Tribuna

Uma amizade que começou quando foi acionado para prender um homem acusado de charlatanismo. Esse é o relato do coronel da reserva, Nilson Nobre Bueno, ao lembrar quando conheceu o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, em 1985, fazendo procedimentos cirúrgicos numa área aberta próxima a URI. O médium foi acusado recentemente por abuso sexual de várias mulheres em denúncia de televisão e o Ministério Público fez o pedido de sua prisão.

“Eu estava com dois delegados e o juiz Wilson Lopes da Silva atendendo pedido dos médicos de Santo Ângelo que queriam tirar o João de circulação. Ele era sendo acusado de cortar e costurar pessoas. Ao chegar no local fui convidado pelo médium para acompanhar os procedimentos. A cena chamava atenção. Havia uma grande multidão e o João fazendo cirurgias de cataratas. À noite jantamos juntos. Ele então relatou algo muito pessoal que apenas eu sabia. Ali percebi o real poder mediúnico do João”, conta Bueno.

O militar recorda que no segundo dia chegou um rapaz de São Miguel das Missões com problema na perna. A entidade espiritual incorporada no médium mandou eu olhar. Fiquei perto. No procedimento cirúrgico respingou muito pus na minha roupa. Fui para casa; tomei um banho; troquei de roupa e retornei para o local. No terceiro dia voltei com o juiz Wilson Lopes para acompanhar outras cirurgias.”

VISITAS A ABADIÂNIA

Após aquele primeiro contato nasceu uma amizade com o João de Deus e há 32 anos o coronel da reserva frequenta a Casa de Dom Inácio, em Abadiânia, em Goiás, para rever o amigo. Nilson, que era católico, tornou-se espírita. Ele conta que uma média de 5 mil pessoas de diferentes lugares do Brasil e do exterior vão semanalmente ao local em busca de cura.

FAZENDAS E GARIMPO

O militar observa que antes mesmo do médium realizar procedimento cirúrgicos ele já era rico, proprietários de fazendas e áreas de garimpo. “Conversando com ele soube que ele tinha até uma casa nos Estados Unidos.”

“Embora penso que sejam necessárias investigações e comprovado o João venha ser responsabilizado, fico triste ao ver que milhares de pessoas ficarão desassistidas. A cidade hoje com 13 mil habitantes, que dependia desse tipo de turismo, vai ficar em ruínas com a interrupção das cirurgias”, diz Bueno.

PODER MEDIÚNICO

O coronel da reserva acredita ser preciso separar o ato errado que João de Deus possa ter cometido do seu poder mediúnico. “São duas coisas diferentes. Embora ele não se intitulasse espírita, mas sim um espiritualista, ele sempre foi acompanhado por pessoas de diferentes religiões e até mesmo por médicos. Teve uma vez que estive lá que havia 300 médicos.”

ABUSOS SEXUAIS

Embora condene os abusos sexuais e que havendo comprovação dos crimes o médium deva ser penalizado pelos erros, Bueno contesta algumas questões. Um dos fatos que causa estranhamento é que algumas mulheres afirmam ter sido abusadas de quatro a cinco vezes e continuaram indo para a Casa de Dom Inácio. Também chama a sua atenção o fato de a filha de João de Deus apenas denunciar supostos abusou depois de 30 anos do acontecido e agora pede R$ 50 milhões de indenização. “São questões que precisam ser esclarecidas. Que a verdade venha à tona e se faça justiça.”

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