Mercado da soja em Chicago opera em baixa nesta 4ª feira e busca definir direção

A semana tem sido de volatilidade para as cotações, que vêm testando os dois lados da tabela, porém, as oscilações têm sido mais limitadas.
Lucas de Campos 16 setembro, 2015 Fonte:

Na sessão desta quarta-feira (16), as cotações da soja operam com estabilidade na Bolsa de Chicago, porém, em campo negativo. As posições mais negociadas, por volta das 7h50 (horário de Brasília), perdiam pouco mais de 4 pontos e apenas o contrato novembro/15 trabalhava abaixo dos US$ 8,90 por bushel. O mercado vê um ligeiro movimento de realização de lucros após os ganhos do início da semana. 

A semana tem sido de volatilidade para as cotações, que vêm testando os dois lados da tabela, porém, as oscilações têm sido mais limitadas. Como explicam os analistas, os traders se mantêm antentos à conclusão da safra norte-americana, principalmente a evolução da colheita e as primeiras produtividades que são registradas. 

De outro lado, o financeiro traz notícias melhores. Com as especulações sobre a intervenção do governo da China no mercado, as ações chinesas registraram forte alta de quase 5% nesta quarta. Como informou a agência de notícias Reuters, foi registrada uma "enxurrada de compras logo antes de o mercado fechar ajudando a reverter muitas das perdas do começo da semana".

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja: Com quadro de altas em Chicago e do dólar, disponível em Rio Grande fecha a R$ 84 nesta 3ª

Nesta terça-feira (15), os futuros da soja fecharam o dia em alta na Bolsa de Chicago e puxaram os preços da oleaginosa também no Brasil. No porto de Rio Grande, o preço no disponível subiu 1,20% e encerrou os negócios com R$ 84,00 por saca, favorecido também por uma nova alta do dólar frente ao real. Ainda no terminal gaúcho, a soja da safra nova manteve os R$ 82,00, enquanto em Paranaguá ficou com R$ 80,00, e no disponível em R$ 82,00/saca. 

No interior do país, por outro lado, o dia não foi de uma direção bem definição para a formação das cotações. Em Londrina/PR, por exemplo, foi registrada um ligeira alta de 0,73,% para R$ 69,00; enquanto em Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, ambas em Mato Grosso, perderam 0,75% e 0,76%, respectivamente, para fecharem com R$ 66,00 e R$ 65,50 por saca. Nas demais levantadas junto aos sindicatos rurais e cooperativas, os valores fecharam a terça-feira com estabilidade. 

Apesar desse cenário positivo para as cotações no Brasil, os negócios ainda seguem travados e com os vendedores reticentes, e a volatilidade do dólar é um dos principais fatores de influência neste quadro. Após recuar na sessão anterior, a moeda norte-americana voltou a subir nesta terça, recuperou boa parte dessas perdas anteriores  e fechou com ganho de 1,28% e valendo R$ 3,8626

As medidas fiscais anunciadas pelo governo federal ainda causam preocupação entre os investidores, além de gerarem as expectativas de que poderiam não ser aprovadas no Congresso Nacional. E essas informações chegam próximas à reunião do Federal Reserve, que também acontece nesta semana, de onde pode sair o futuro da taxa de juros nos Estados Unidos. 

"A maioria das medidas depende da aprovação do Congresso e levando em conta a baixa popularidade (da presidente Dilma Rousseff) e as relações difíceis com o Legislativo, vai ser difícil", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira à agência de notícia Reuters.

Além disso, a comercialização da nova safra brasileira está adiantada – passando de 30% – e o produtor, melhor capitalizado, consegue espaço para escalonar melhor suas próximas vendas, como explicam os analistas. 

"Boa parte do produtor do Centro-Oeste já vendeu parte da sua safra, GO e MT com mais de 50% da safra protegida, MS com 25% a 30%, PR também com 25% a 30%, então, para quem já protegeu sua safra o momento é de esperar. Para o produtor que não vendeu e deve em dólar também não é momento de tomar decisão, mas de esperar chegar as produtividades americanas para ver o que vai acontecer. Então, ele já se protegeu e agora é momento de esperar as primeiras áreas americanas serem colhidas (…) e esses relatórios dirão quais as estratégias que devem ser tomadas", diz o consultor em agronegócio Ênio Fernandes. 

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Para a soja da safra velha remanescente, o cenário é diferente. O volume restante é pequeno e as margens são positivas, principalmente por conta do dólar bem mais baixo utilizado no momento da compra dos insumos da temporada 2014/15, ainda segundo Fernandes. "Essa soja está dando altas margens. Conforme o dólar for subindo, bem como o preço no porto e em cada região também, o produtor tem que ir capturando essas margens", orienta o consultor. 

Bolsa de Chicago

Os ganhos registrados pelos futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago nesta terça-feira foram motivados, principalmente, pelo movimento de recuperação iniciado na sessão anterior após as recentes e expressivas quedas. Entre os principais vencimentos, os ganhos ficaram em 4,50 e 5,50 pontos, levando o contrato novembro/15 a US$ 8,89 e o maio/16 a US$ 8,94 por bushel. 

As informações importantes que continuam chegando do lado da demanda contribuem para este cenário. A Nopa (Associação Nacional de Processadores de Oleaginosa), ainda nesta terça, divulgou seus dados de esmagamento de soja em agosto com um número que superou as expectativas. Foram processadas 3,68 milhões de toneladas da oleaginosa, contra as 3,67 milhões de julho e a informação foi bem recebida pelos traders. 

Os últimos números do boletim semanal de acompanhamento de safras trazido nesta segunda-feira (14) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) depois do encerramento do pregão também tiveram peso nas negociações desta terça. O reporte mostrou uma redução de 63% para 61% no índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições e acabou surpreendendo após semanas de manutenção. 

Ainda segundo Ênio Fernandes, o mercado está observando a conclusão da safra norte-americana para confirmar, principalmente, se a produtividade esperada de 47 bushels por acre será alcançada. 

"Conforme a colheita nos EUA vai se desenvolvendo e as primeiras produtividades forem sendo registradas em maior volume, veremos se o USDA errou ou acertou (…) E quando a safra entrar, a pressão inicial deve acomodar os preços e pode haver essa baixa, mas nada de extraordinário, e depois o mercado se estabiliza", diz. 

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