Médica foge da crise na Venezuela e busca uma nova vida no Brasil

A médica Olga Centeno em entrevista no programa Aldeia Global com Paulo Renato e Hogue Dorneles (Foto: Cristiano Devicari/AT)
Sepé Tiaraju 26 agosto, 2018 Fonte: A Tribuna

A Venezuela, país governado por Nicolas Maduro, vive hoje uma das maiores crises de sua história. Até o momento mais de 2,3 milhões de venezuelanos que deixaram o país com destino para a Colômbia, Peru, Chile, Argentina e Brasil. A médica, Olga Aurora Perdomo Centeno, de 35 anos, é um exemplo disso. Em entrevista ao programa Aldeia Global, da Rádio Sepé, ela contou sua situação num país que vive um caos econômico, com grande número de desempregados, altos índices de criminalidade, falta de alimentação e medicamentos.

Olga explicou que está em Santo Ângelo vivendo com uma família que se disponibilizou a ajudá-la. A médica contou que veio para o Brasil no mês de maio, chegando na cidade de Boa Vista, onde mora seu irmão de 25 anos. “Fiquei apenas 15 dias. Comecei a fazer contato com o Edson que mora aqui em Santo Ângelo pelo Facebook. Contei minha história e ele me convidou para morar na casa onde ele vive com sua mãe. Cheguei aqui na cidade no mês de junho. Encaminhei minhas documentações e fiz a carteira de trabalho e está com visto temporário de permanência no Brasil de 2 anos, mas que poderá posteriormente optar pelo permanente depois. Quero conseguir um emprego mesmo não sendo da sua área para poder mandar dinheiro para a sua mãe e o filho de 19 anos que mora na Província de Sucre. Tenho ainda irmão morando na Colômbia, um outro no Brasil e um na Venezuela que está com minha mãe”.

CUBA

A estrangeira revelou que morou seis anos em Cuba onde se formou em Trabalho Social e Direção e Lideranças. Depois retornou para Venezuela onde atuou, durante o Governo Chávez, na Missão de Milagro, onde se faziam cirurgias de catarata na população. “Era uma espécie de agente de saúde como chamam aqui no Brasil”.

FORÇAS ARMADAS

A médica salientou que atuou nas Forças Armadas da Venezuela, assim como num posto de saúde e na emergência de hospital. “Ao todo foram três anos atuando como clínica geral. Pedi demissão porque não tinha mais como ficar no país. Trabalhando mesmo com muitas horas-extras recebia 3 mil bolívar venezuelano que dava apenas para comprar um quilo de arroz”.

A venezuelana relatou que muitas crianças estão abandonando as escolas devido a desnutrição e até mesmo falta de sabão para lavar os uniformes. “As mães estão tomando essa decisão. As crianças são as grandes prejudicadas, Falta vários tipos de alimentos que hoje são contrabandeados de países como o Brasil. Muitas de nossas crianças quando podem estão consumindo creme de arroz. Nada mais. É muito triste ver a situação de desespero das pessoas”.

Em relação ao governo de Maduro, Olga salientou que o presidente tem controle total da mídia, pois boa parte dos veículos de comunicação provados deixaram o país. “Além disso, o governo controla as eleições. Os líderes do governo ameaçam os eleitores de demissão caso não votem nele. A eleição é uma fraude. Vivemos uma ditadura civil”.

O médica relatou que o governo federal tem feito a distribuição de algumas bolsa com farinha, óleo, macarrão, arroz, feijão e açúcar. No entanto o repasse tem sido insuficiente pelo grande número de pessoas sem comida. “Não temos perspectiva de que a situação da Venezuela melhore”.

Para Olga o Brasil poderá ser sua nova pátria caso consiga um emprego. “Quero poder arrumar qualquer serviço seja ele de atendente comercial, mercado, limpeza ou outra atribuição. Qualquer trabalho é digno e não me importo com isso. Preciso ganhar dinheiro para mandar para minha mãe e meu filho que estão na Venezuela. No entanto quero retomar minha profissão como médica. Estive no Cremers e em 2019 vou fazer o Revalida”.

FAMÍLIA DE SANTO ANGELENSE

Enquanto não consegue um emprego ela segue morando com com Dona Erondina Morais Wittckind de 81 anos e Edson Werner Wittickind. Na casa acompanha a situação dos venezuelanos que fogem do país nos programas de jornalismo e também acompanha as novelas brasileiras. “Quando conseguir um trabalho quero alugar uma casa e trazer meu filho para viver comigo”.

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