Média da soja em setembro caiu ao nível de 2007 em Chicago

E boa parte das projeções indica que o fundo do poço não chegou, sobretudo por conta da possibilidade de novas colheitas recorde nos EUA e no Brasil, os maiores países produtores e exportadores globais.
Lucas de Campos 2 outubro, 2015 Fonte:

Aberta oficialmente em 1º de setembro, a safra internacional de grãos 2015/16 começou a gerar suas primeiras colheitas em meio à mesma pressão sobre as cotações que marcou a temporada 2014/15.

Para milho, trigo e soja, o ciclo despontou com cotações em patamares bem mais baixos que as médias dos últimos anos e perspectivas negativas, já que os estoques mundiais são confortáveis, não há sinais de grandes quebras de produção e crescem as incertezas sobre a demanda, inclusive em emergentes como a China. Uma boa notícia no que se refere ao custo global dos alimentos, que tende a se manter mais comportado, mas cenário preocupante – ou "desafiador", que está na moda – para produtores e exportadores.

Desses três grãos, as commodities agrícolas mais comercializadas no mercado global, o que iniciou 2015/16 com o cenário mais "baixista" é a soja, carro-chefe do agronegócio brasileiro. Em fase de colheita no Hemisfério Norte e de plantio abaixo da linha do Equador, a oleaginosa vem progressivamente perdendo valor em dólar – tendência que, no Brasil, tem sido compensada pela alta do dólar em relação ao real. E boa parte das projeções indica que o fundo do poço não chegou, sobretudo por conta da possibilidade de novas colheitas recorde nos EUA e no Brasil, os maiores países produtores e exportadores globais.

Segundo cálculos do Valor Data com base nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega negociados na bolsa de Chicago, o grão caiu 4,57% em setembro em relação a agosto e atingiu o menor nível desde dezembro de 2008. E as apostas dos fundos que atuam nesse mercado apontam para a continuidade dessa erosão. Com o início da colheita americana, os gestores de recursos ("managed money") ampliaram em quase 85% seu saldo líquido vendido na semana encerrada em 22 de setembro, conforme a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão regulador dos EUA.

A tendência descendente levou a média de setembro a quase "empatar" com a de 2007 (US$ 8,7750 por bushel), primeiro ano em muito tempo em que o "eixo" de US$ 6 por bushel, em torno do qual as cotações costumavam orbitar, foi deixado para trás, já por conta do choque provocado pelo salto da demanda da China. O país se firmou como o maior importador de soja e foi decisivo para catapultar a média para US$ 14,5830 em 2012, quando adversidades climáticas afetaram a oferta em produtores importantes.

Nas bolsas americanas, o dólar vitaminado também age como contrapeso para os preços, num "ajuste" financeiro que procura preservar a competitividade das commodities produzidas nos EUA. O fator se fez presente no tabuleiro da soja em setembro, mas foi mais decisivo para enfraquecer o trigo. Este, conforme o Valor Data, encerrou setembro com uma média mensal 1,93% inferior à de agosto, a mais baixa desde abril de 2010. Se fosse uma média anual, o valor de US$ 4,94 por bushel do mês passado seria o menor desde 2006.

O mercado europeu também não dá pinta de reação e, nesse contexto, os "managed money" mantiveram na semana encerrada em 22 de setembro as apostas em novas baixas. Diferentemente do que aconteceu no caso do milho, que se desgarrou da linha pessimista em agosto, atraiu movimentos "altistas" dos investidores em Chicago na semana até o dia 22 e, embalado por relatos de baixa produtividade das lavouras dos EUA, voltou a subir em setembro – 1,86% na comparação com agosto, para US$ 3,8590 por bushel. De qualquer forma, essa média, se fosse anual, seria a menor desde 2009.

Por: Camila Souza Ramos, Fernando Lopes, Mariana Caetano e Bettina Barros

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