Manifestações testam neste domingo apoio ao governo de Jair Bolsonaro

Sepé Tiaraju 26 maio, 2019 Fonte: Correio do Povo

O presidente Jair Bolsonaro passará por um teste de força nas manifestações de rua convocadas para este domingo em defesa do governo. Embora tenha agido, nos últimos dias, para desvincular os atos de qualquer patrocínio do Palácio do Planalto, Bolsonaro foi alertado por aliados de que essas mobilizações viraram uma “armadilha” para sua gestão porque todos sabem como começam, mas nunca como terminam. Por meio das redes sociais, organizadores haviam convocado até sábado atos em pelo menos 312 cidades brasileiras.

Estão registradas também mobilizações em 10 municípios no exterior, sendo seis cidades nos Estados Unidos. A estimativa leva em conta eventos que têm locais e horários já definidos. São Paulo lidera o número de municípios que têm manifestações programadas, com 63 cidades. Minas Gerais é o segundo, com 39 mobilizações programadas. Para o governo, porém, a agenda das ruas se tornou uma encruzilhada. O receio da equipe de Bolsonaro é que, se não houver uma adesão de peso às manifestações, isso seja interpretado como um sinal de perda de popularidade em uma temporada de dificuldades na política e na economia. Até o momento, não há indicação de problemas com a segurança nos atos, mas o Planalto monitora as redes sociais para verificar a possibilidade de participação de “infiltrados” ou ativistas “black blocs”.

Há o temor de que, se houver confusão, isso possa ser debitado na conta do governo. Não foi à toa que Bolsonaro repudiou a defesa do fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) nas manifestações. Depois de dizer que o problema do Brasil é a classe política e de compartilhar uma mensagem pelo WhatsApp afirmando que o País é “ingovernável” fora dos conchavos, sem poupar nem mesmo a Justiça, o presidente afirmou que quem apoiar pautas contra o Congresso e o Judiciário “estará na manifestação errada”. “Isso é manifestação a favor de (Nicolás) Maduro, não de Bolsonaro”, afirmou ele, em uma alusão ao regime comandado pelo presidente da Venezuela. O Estado apurou que a frase do presidente, dita no café da manhã com jornalistas, na quinta-feira passada, foi discutida por sua equipe de comunicação.

Desde o início da semana, auxiliares de Bolsonaro já diziam que passeatas pró-governo, capitaneadas pelo próprio governo, eram “coisa de Maduro”, e não de democracia. O Planalto tem pedido agora que o novo foco das manifestações seja a defesa da reforma da Previdência e da segurança pública, além da Operação Lava Jato e do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Nos grupos mais significativos que estão à frente das convocações, a Previdência, o pacote anticrime, a aprovação da MP 870 e críticas a parlamentares do Centrão são temas centrais dos atos deste domingo.

PSL insiste na convocação 

Apesar de Bolsonaro ter desestimulado ministros e aliados a comparecer às manifestações, parlamentares de seu partido, o PSL, continuam fazendo convocações pelas redes sociais, pedindo apoio ao governo.

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