Lideranças do PP gaúcho preocupadas com futuro do partido

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Lucas de Campos 19 abril, 2015 Fonte:

É grande a preocupação entre lideranças do PP gaúcho sobre o futuro do partido. Mesmo sem querer fazer manifestações públicas, deputados confirmaram nesta semana que o clima na legenda é de desânimo, e que está difícil planejar uma estratégia para as eleições municipais do próximo ano. A apatia só aumentou após a convenção nacional da sigla na terça-feira, quando o diretório gaúcho sofreu nova derrota interna.
O PP do Estado primeiro pretendia apresentar uma chapa que tirasse do poder os atuais comandantes da legenda, mas não teve força suficiente. Na convenção, tentou aprovar uma moção determinando o afastamento de cargos de direção ou de representação partidária daqueles que vierem a ser denunciados na Operação Lava Jato. A proposta não vingou. Houve quem defendesse o afastamento dos gaúchos do diretório nacional. “Não vamos fazer isso. Se nos afastarmos, o grupo dominante, ao qual fazemos oposição, vai tomar conta. E aí diminuem nossas chances para a próxima eleição interna, em 2017”, respondeu ontem o presidente do PP gaúcho, Celso Bernardi. Ele admite que “a equação está difícil”. “É evidente que estamos desconfortáveis. Mas, agora, vamos focar nas eleições municipais. Será nossa prioridade, nosso compromisso com a base”, informa o dirigente do PP.
“Sou muito solidário com o Celso, porque estamos em uma hora tenebrosa. Só que, se todos os que estão insatisfeitos saíssem (das funções no partido), talvez o diretório caísse”, disse o deputado federal Jerônimo Goergen. Depois que seu nome passou a integrar a lista de políticos investigados pela Polícia Federal (PF) na Lava Jato, Goergen pediu afastamento de suas atividades no diretório estadual.
Entre as lideranças do PP gaúcho, três assuntos se tornaram recorrentes desde que a Lava Jato expôs “malfeitos” da legenda e acabou atingindo parlamentares do Estado: o temor de retaliações do diretório nacional que possam envolver novas denúncias, procedentes ou não; o aumento da falta de coesão interna; e as projeções sobre a viabilidade de uma “janela” que permita migrações para outras siglas sem a perda de mandatos.
Tamanho não garante influência – Apontado como o mais forte do país, em função de sua representatividade, o diretório gaúcho do PP não consegue ter nacionalmente a influência que deseja. A seção gaúcha do partido é a que possui o maior número de parlamentares (6) na Câmara dos Deputados, em relação a outros estados. Também é líder em número de deputados estaduais (7) nas assembleias legislativas do país e de prefeitos (136) nos estados.
Na última eleição, o PP baiano “encostou” na liderança dos gaúchos na Câmara, elegendo cinco deputados federais. Na Bahia, os progressistas elegeram o vice na chapa do governador petista Rui Costa.“É uma questão matemática. Não temos os votos necessários. O Nordeste inteiro tem posição diferente, assim como o Paraná e parte de Santa Catarina, só para citar alguns. Além disso, o poder do presidente nacional é muito grande”, assinala a senadora Ana Amélia Lemos. O PP do Rio Grande do Sul, que detém 10% do diretório nacional, havia ensaiado lançar a senadora à presidência nacional da sigla, mas recuou ao fazer as projeções sobre o número de votos.

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