Inter joga mal e é derrotado pelo Shakhtar Donetsk por 2 a 1

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Lucas de Campos 24 janeiro, 2015 Fonte:

Segundo amistoso do Inter na pré-temporada viu o time de Diego Aguirre sucumbir aos ucranianos

Diego Aguirre terá muito trabalho pela frente até o início da Libertadores. A derrota por 2 a 1 para o Shakhtar, ao final da pré-temporada, expôs um time com falhas individuais, falta de comunicação em campo, erros de passes, marcação frouxa e desentrosamento ofensivo.

O Shakhtar vinha de duas derrotas (Bahia e Atlético-MG) e um empate (Flamengo) no Brasil. Venceu a primeira, demonstrando uma noção superior de futebol coletivo.

No domingo, o time de Luiz Adriano, Fred e Taison encerrará a sua gira pelo país enfrentando o Cruzeiro, em Brasília. O Inter estreará no Gauchão no dia 1° de fevereiro, contra o Lajeadense, na Arena Alviazul.

Antes do jogo, o grupo show da Imperadores do Samba se uniu ao da Império da Zona Norte, animando a torcida e deixando os ucranianos boquiabertos com o gingado das passistas. Os ex-colorados Luiz Adriano, Taison e Fred foram aplaudidos o tempo todo. Desde o aquecimento, quando se aproximaram da geral e atiraram alguns mimos ucranianos para a torcida. Após o hino, todos os jogadores ergueram uma faixa: “Stop war” (parem a guerra), em alusão ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Uma última homenagem foi a entrega de uma placa a D’Alessandro, alusiva a seus 300 jogos pelo Inter.

Em campo, o novo Inter começou com surpreendentes trapalhadas de dois de seus melhores jogadores. D’Alessandro entregou duas bolas na frente da área, mas a defesa salvou. Porém, quando Aránguiz foi desarmado por Fred, a zaga não conseguiu evitar o passe para Luiz Adriano, que desviou de Alisson e fez Shakhtar 1 a 0. Não comemorou o gol e foi ovacionado pela torcida no Beira-Rio.

Eram apenas quatro minutos e o Inter estava sendo surpreendido logo na sua estreia em casa. Mesmo já tendo realizado três jogos na semana, os ucranianos seguiam pressionando e atirando o Inter para trás. Ao lado do gramado, Diego Aguirre observava, com as mãos na cintura ou de braços cruzados.

O Inter parecia atônito em campo, olhava o Shakhtar trocar passes e não conseguiu articular um bom ataque. Em um lampejo, Aránguiz entrou a dribles na área e passou para Sasha chutar por cima. A transição da defesa para o ataque era feita por Nilton, Aránguiz e Sasha. D’Alessandro aguardava mais à frente — mas acabava tendo que descer para ajudar na armação. 

O Inter ainda chegou uma segunda vez ao gol. De novo, Aránguiz para Sasha. E, uma vez mais, um chute para fora. Mas se os donos da casa atacavam vez ou outra, os brasileiros do Shakhtar eram perigo constante. Aos 25 minutos, Luiz Adriano desarmou Nilton com facilidade. Em três passes, Taison estava cara a cara com Alisson: Shakhtar 2 a 0.

O primeiro tempo só não virou em goleada porque Léo tirou de dentro do gol uma conclusão de Alex Teixeira. O toque de bola europeu do Shakhtar deixou o Inter perdido em campo. Desnorteada, a defesa fez uma reunião de emergência, no meio-campo, enquanto um zagueiro do Shakhtar era atendido e o jogo estava parado. O apito de Leandro Vuaden surgiu  como um alívio para os colorados — ainda que o fim do primeiro tempo tenha chegado com um misto de vaias e aplausos da torcida. O Shakhtar seguia pressionando e o torcedor .

— Tenho respeito por esta torcida maravilhosa. O Luiz Adriano também fez gol e não comemorou. O mundo dá voltas. Um dia a gente pode voltar para cá — disse Taison, no intervalo.

No retorno para o segundo tempo, um sincero Diego Aguirre reconheceu as dificuldades:

— Eles mereceram ganhar. Espero que possamos melhorar. Está faltando muito coisa. É um time com muito ritmo de jogo, estamos sentindo.

A partida recomeçou com o Shakhtar atacando com grande objetividade. Mas, aos seis minutos, com  grande esforço, Sasha venceu um lance aéreo contra o grandalhão zagueiro Rakitsky. A bola sobrou na área para Aránguiz, que bateu e descontou.

A reação em campo teve o apoio das arquibancadas. Mas, no minuto seguinte, um novo revés: Willians, fora de lugar, cometeu falta e foi expulso. 

Com um a menos,  o Inter recuou e passou a viver de contra-ataques. Com Valdívia no lugar do já desgastado Sasha, Aguirre buscava mais velocidade. O Inter corria atrás do empate na abertura da temporada de Beira-Rio. Aos 32, Paulão cansou de correr atrás do ótimo Alex Teixeira e resolveu trocar sopapos com o ex-Vasco. Os dois acabaram na rua.

Neste ponto, o Shakhtar já havia trocado quase todo o time. E mesmo assim seguia com o controle da partida. O amistoso se encaminhou para o final e, tirando uma boa chance com Berotto, o Inter teve uma aula particular de futebol coletivo, veloz e objetivo. Há tempo para corrigir alguns problemas até o começo da Libertadores.

Inter 1×2 Shakhtar Donetsk

INTER
Alisson; Léo (Claudio Winck, 39’/2ºT), Ernando, Paulão e Fabrício; Willians, Nilton (Alan Costa, 33’/2ºT), Aránguiz (Bertotto, 41’/2ºT), D’Alessandro (Alex, 39’/2ºT) e Eduardo Sasha (Valdívia, 27’/2ºT); Nilmar. Técnico: Diego Aguirre.

SHAKHTAR DONETSK
Pyatov (Kanibolotskiy, 41’/2ºT); Srna (Dentinho, 27’/2ºT), Rakitskiy (Ordets, 17’/2ºT), Kucher (Kryvtsov, intervalo) e Schevchuk (Ismaily, 27’/2ºT); Fernando, (Stepanenko (17’/2ºT), Fred (Kovalenko, 35’/2ºT), Douglas Costa (Wellington Nem, 17’/2ºT), Alex Teixeira e Taison (Bernard, 17’/2ºT); Luiz Adriano (Gladkiy, 19’/2ºT). Técnico: Mircea Lucescu.

Arbitragem: Leandro Vuaden, auxiliado por Rafael Alves e Paulo Conceição.

Cartões amarelos: Léo (I), Willians (I), Srna (S), Kucher (S), Kryvtsov (S), Fernando (S) e Douglas Costa (S).

Cartões vermelhos: Willians (I), Paulão (I) e Alex Teixeira (S).

Gols: Luiz Adriano (S), aos 4 minutos; Taison (S), aos 25 minutos do primeiro tempo; Aránguiz (I), aos 6 minutos do segundo tempo.

Público: 34.589.

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