Importações de soja da China somam alta

US$ 16,6 bilhões, esse foi o faturamento do Brasil só com a exportação de soja para a China em 2014, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Isso representa 71,4% do total arrecadado pelo país com os embarques da oleaginosa. 78,8 milhões de toneladas devem ser importadas pela China na temporada 2015/16, conforme o Departamento de Agricultura dos Estad
Lucas de Campos 9 setembro, 2015 Fonte:

As importações de commodities pela China em agosto recuaram entre os principais produtos. Entretanto, como informou a agência chinesa Xinhua, o país manteve seu ritmo forte de compras no período de janeiro a agosto deste ano de 2015, apesar dos problemas econômicos, como mostraram os dados da Administração Geral da Alfândega (GAC, na sigla em inglês) reportados nesta terça-feira. 

Os analistas atribuíram esse alta no período às medidas pró-crescimento da China, incluindo aquelas políticas com o objetivo de de promover uma recuperação, principalmente, no setor imobiliário, além de estimular a demanda doméstica e estimular a economia do país.

Nos primeiros oito meses do ano, as importações de petróleo bruto cresceram 9,8% em relação ao mesmo período do ano passado e somaram 221 milhões de toneladas. Já as compras do refinado registraram um ganho de 4,1% para 20,49 milhões de toneladas se comparado aos mesmos oito meses de 2014, informou a GAC. 

As compras de grãos e soja também subiram, respectivamente, 24,4% e 9,8%, para volumes de 83,5 milhões e 52,39 milhões de toneladas. 

"Além de uma crescente demanda por soja e pelos seus derivados, os preços mais baixos da oleaginosa também devem favorecer as importações da commodity pela China e levar o total do ano comercial 2014/15 a um volume recorde de 76 milhões de toneladas, contra os 70,4 milhões do ano anterior. E caso esse crescimento líquido continue, as importações da temporada 2015/16 podem chegar a 78 milhões de toneladas", informou o Serviço de Agricultura Estrangeira (FSA) do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em uma nota divulgada nesta terça.

O serviço acredita ainda que a projeção para a produção de oleaginosas na nação asiática no ano comercial 2015/16 é 3,26 milhões de toneladas menor do as 57 milhões de toneladas projetadas para 2014/15. "Uma produção doméstica menos com uma demanda crescente por proteína (farelo) e óleo vegetal continua encorajando fortes importações de oleaginosas na temporada 2015/16", disse a FSA. 

Preços – Apesar do volume maior das importações de janeiro a agosto ter sido maior, o valor dessas compras diminui em função dos preços mais baixos das commodities. O valor total caiu 14,6% oara US$ 1,06 trilhão (ou 6,75 trilhões de yuans), ainda de acordo com números da Administração Geral da Alfândega. 

Números de Agosto

Em agosto, as importações totais da China recuaram 13,8% em relação ao mesmo mês de 2014. A queda foi maior do que as expectativas do mercado. 

No caso da soja, as importações somaram 7,78 milhões de toneladas, 18,1% menor do que o registrado em julho, porém, 29% maior do que em agosto passado. Para Camilo Motter, analista de mercado e economistda da Granoeste Corretora, os números são positivos e indicam a firmeza da demanda pela oleaginosa. 

"A média mensal, até agora, foi de 6,75 milhões de toneladas e, para alcançar 75 milhões no ano, a média teria que ser de 5,4 milhões. Vendo isto é que o USDA elevou sua projeção para 77 milhões de toneladas. E ainda há muita soja da América do Sul para embarcar", diz. "Acredito que as compras seguirão em alta, embora em um ritmo mais comedido", completa. 

De acordo com informações reportadas pelos analistas da Agrinvest Commodities no blog da consultoria, os estoques de soja importada nos portos da China estão em 6,4 milhões de toneladas, o maior em 1 ano. "O volume de recebimento de maio a julho foi recorde, superando 24 milhões de tons contra recorde anterior de 21 milhões", informou a Agrinvest.

Na Reuters: Importações de commodities pela China recuam no mês com fraca demanda

logo mini reuters noticias

PEQUIM (Reuters) – As importações chinesas das principais commodities caíram em agosto após máximas de vários meses em julho, sugerindo que os preços internacionais baixos não estão mais sendo suficientes para motivar compradores a elevar estoques, em um momento de declínio sazonal da demanda e fraqueza das indústrias de processamento.

Os dados tornam mais nebulosa a perspectiva para exportações para a segunda maior economia do planeta, em commodities como minério de ferro, petróleo, carvão e soja, especialmente porque a desvalorização do iuan continua a corroer as vantagens competitivas dos fornecedores internacionais.

As importações gerais da China em agosto caíram 13,8 por cento na comparação anual, muito mais que o esperado por analistas, enquanto as exportações ficaram ligeiramente acima do projetado pelo mercado, recuando 5,5 por cento na comparação com o mesmo mês de 2014.

As entregas de soja na China despencaram 18,1 por cento ante o recorde de julho, atingindo 7,78 milhões de toneladas. Contudo, o número é 29 por cento maior do que em agosto do ano passado, com volumes recordes de grãos baratos da América do Sul continuando a chegar ao país asiático.

"Há preocupações de que a desvalorização do iuan e a volatilidade no mercado de ações da China estejam tendo um impacto, mas ainda são números muito fortes", disse o economista agrícola sênior do ANZ Bank, Paul Deane.

As entregas deverão cair até que a oferta dos Estados Unidos, segundo maior exportador mundial, comece a chegar ao mercado em meados de novembro.

Em 11 de agosto a China modificou sua taxa cambial, tornando as commodities precificadas em dólar mais caras para detentores de iuanes.

Pequenos ajustes em preços fazem toda a diferença em setores como o carvão, onde produtores internacionais de baixo custo têm conseguido sufocar rivais domésticos em um mercado em queda.

As importações chinesas de carvão caíram quase 18 por cento ante a máxima de 10 meses registrada em julho.

No minério de ferro, que teve entregas recordes em julho de 2015, os volumes caíram mais que o esperado em agosto. Houve recuo de 14 por cento no mês, com siderúrgicas chinesas sofrendo os efeitos de uma fraca demanda e baixos preços de aço.

As importações de petróleo bruto alcançaram 6,26 milhões de barris por dia em agosto, queda de 13,4 por cento ante o mês anterior.

Um operador sênior sugeriu que importadores que lucram com o financiamento das commodities e não com as negociações físicas deverão reduzir suas compras, após a desvalorização cambial.

(Reportagem do time de commodities e energia da Reuters China)

© Copyright 2017, Todos os direitos reservados.