Idosa era mantida em cárcere privado pelo próprio marido

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Lucas de Campos 24 março, 2015 Fonte:

Um vovô acima de qualquer suspeita. É assim que as pessoas viam João Odácio Rocha Bitelo, 69 anos. Isso até que ele foi morar em Gravataí, junto a uma área de invasão próxima do Distrito Industrial, levando junto a esposa, Ana Maria Rodrigues Machado, 81 anos, em agosto do ano passado. Vizinhos começaram a perceber que a rotina do casal era estranha, pois o homem saia para pescar, passear e ela sempre ficava em casa, trancada. Foram mais além e descobriram que além de deixar a esposa trancada dentro de casa, ele colocou um disjuntor no quarto da mulher para que ela não usasse o ventilador e nem pudesse ver televisão para não gastar luz.

Indignados, os vizinhos chamaram a Brigada Militar, no dia 18 de janeiro passado. Foi aqui, que PMs da Patrulha Maria da Penha constataram que ela era mantida em cárcere. Os policiais da Patrulha descobriram que Maria era filha única, que não tinha mais os pais, que adotou uma filha mas que ela morreu e que o marido também morreu, deixando a idosa com sua pensão e também com a aposentadoria dela, por tempo de serviço.

Sozinha, a mulher que morava em Canoas, acabou conhecendo João, três anos atrás. Os dois acabaram morando juntos. Só que a vida de Maria se transformou em uma verdadeira prisão. Ela a proibia de sair, cozinhar e vivia a amedrontando. Mas não era só isso. Ele a fez assinar uma procuração lhe dando plenos direitos sobre seus bens e até sobre sua pensão e aposentadoria. Com isso, segundo ela, se apossava de seus rendimento e acabou vendendo a casa, avaliada em cerca de 80 mil e a trouxe para Gravataí, onde comprou uma casa simples de madeira, em uma área verde, que não vale mais de 20 mil, estima a própria idosa, que é muito lúcida. Para finalizar, ele fez um seguro de vida no qual ele era o beneficiário. O valor do seguro é de 100 mil.

Maria conta que quando ele saia, a deixava com o portão trancado a cadeado e a proibia de sair. “Sem a chave, não tem como sair. Não consigo pular, é muito alto”, disse a idosa que usa uma bengala para ajudar em sua locomoção. Mas o Maria reclama também que nem comida ela conseguia comer. Tudo era muito apimentado, fora que a geladeira da casa tinha mais era cerveja. Ir comprar comida, também não tinha como, pois além de ser impedida de sair, o mercado mais próximo fica a quatro quadras, lembrando que as ruas da vila onde mora não tem calçamento, são de chão batido e, ela mora em uma parte baixa. “Ele tinha vidros de pimenta em casa. Eu não conseguia comer. Ele queria que eu me envenenasse aos poucos. Disse que eu tinha mais era que morrer. Uma vez falou que era bom mesmo que um carro passasse por cima de mim”, lembrou.

Assim que souberam da situação, os policiais da Patrulha passaram a durante as constantes visitas. Quando souberam das reclamações com relação a comida, os policiais perguntaram para João o motivo disso. “Ele reclamou que a mulher não sabia cozinhar e que tinha problemas e para evitar que um dia botasse fogo na casa, evitava que ela cozinhasse. Mas é conversa, pois a vó Maria é muito lúcida”, disse o soldado Julian da Silva. Já a soldado Michele Carrasco contou que após a descoberta, como a idosa não tem família, foi a própria Patrulha que a encaminhou para o tratamento e acompanhamento. Também registraram uma ocorrência. Até o dia 29 de janeiro, quando saiu a medida protetiva e o afastamento do lar. A Patrulha ia todos os dias na casa para ficar de olho em Adão.

“Um dia, quando chegamos na casa, estava ele e os familiares dele fazendo churrasco. Maria estava em um canto, com fome, pois deveria comer somente depois, um pão com ovo. Foi um caso muito difícil, mas graças a Deus, conseguimos ter um final feliz e a vó Maria está em feliz”, enfatizou O soldado Alex Ferreira destacou que o caso foi tão grave que a própria justiça concedeu a medida protetiva e o afastamento do lar de forma muito rápida.

” Temos que agradecer também a juíza Maria da Graça que concedeu as medidas rapidamente. Dessa forma, juntos, conseguimos garantir que a dona Maria voltasse a ser dona de sua própria vida”, pontuou. O caso está sendo investigado pela delegacia de Proteção a Mulher de Gravataí. Na próximos dias, a policia deverá tomar o depoimento de Maria e do suspeito.

Fonte: 2mnoticias.com.br Texto: Patricia Mello

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