Greve dos caminhoneiros prossegue com 56 bloqueios. Motorista morre atropelado no RS

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Lucas de Campos 1 março, 2015 Fonte:

Desafiando o anúncio de multas altíssimas feito pelo governo federal, caminhoneiros seguem a bloquear estradas federais neste sábado. Há pelo menos 56 interdições em seis Estados, segundo boletim divulgado pela Polícia Rodoviária Federal às 15 horas: Mato Grosso, Paraná, Santa Cataria, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Maranhão.

Um manifestante que participava de protestos de motoristas de caminhões no Rio Grande do Sul morreu neste sábado depois que um caminhão o atropelou em um bloqueio montado pelos grevistas, informou a Polícia Rodriviária o governo federal.

O protesto, agora em seu 11º dia por menores custos com diesel e impostos e melhora nas taxas de fretes, continua no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, mas diminuiu em outras regiões. A Polícia Rodoviária Federal informou que havia 38 bloqueios, contra 57 na sexta-feira.

Um porta-voz da Polícia Rodoviária Federa disse que Cléber Adriano Machado Ouriques, 38, havia saído de seu carro para abordar um caminhão que não havia parado no bloqueio. Marcas de frenagem no local indicavam que o motorista tentou parar, mas acabou fugindo depois de atropelar Ouriques, segundo o porta-voz.

Em comunicado, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República lamentou a morte do caminhoneiro ocorrida na BR-392, em São Sepé, no Rio Grande do Sul.

Mas também destacou que “as propostas anunciadas nesta semana em reunião, em Brasília, entre representantes dos caminhoneiros, empresários e governo são o caminho para a normalização das rodovias”. 

O governo anunciou uma série de propostas na quarta-feira numa tentativa de pôr fim aos protestos de caminhoneiros que bloqueiam estradas o país, como a estabilidade dos preços do diesel por seis meses, sanção sem vetos da lei que reduz custos do setor e carência de 12 meses para o pagamento de financiamentos de caminhões.

Protesto de caminhoneiros em São Miguel do Oeste

Protesto de caminhoneiros em São Miguel do Oeste – Ivan Ansolin/Futura Press/Folhapress

Abiove compromete-se a recompor preços de fretes em Mato Grosso, diz Aprosoja

(Reuters) – A Associação Brasileira de Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) se comprometeu, por meio de documento oficial, a promover a recomposição dos preços dos fretes em Mato Grosso a partir desta sexta-feira, informou a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) nesta sexta-feira.

O reajuste dos preços dos fretes é uma das principais reivindicações dos caminhoneiros que estão bloqueando estradas no país, em um movimento que já dura dez dias e que tem prejudicado a colheita da safra de soja no Mato Grosso, principal Estado produtor do grão.

Em reunião com o governador do Mato Grosso, Pedro Taques, o presidente da Aprosoja, Ricardo Tomczyk, reforçou a necessidade de medidas urgentes para minimizar o impacto que as mobilizações dos caminhoneiros têm causado aos produtores rurais e demais setores, disse a associação em nota.

Com o anúncio da recomposição do preço, a expectativa é que a remuneração dos transportadores seja prontamente garantida, acrescentou a entidade.

“A principal intenção, neste momento, é que o fornecimento básico de combustível para a colheita e matérias-primas para as rações sejam restabelecidos”, disse Tomczyk, em nota.

Até o momento, Mato Grosso está com seis pontos bloqueados pelos manifestantes. A capital teve liberação na manhã desta sexta-feira, mas o bloqueio foi retomado no período da tarde.

Na FOLHA: Após morte de caminhoneiro, dobra nº de bloqueios em estradas do RS

Após a morte do caminhoneiro de São Sepé (RS) atropelado por um caminhão que furou o bloqueio, subiu de 13 para 28 o número de rodovias federais interditadas no Rio Grande do Sul neste sábado (28), de acordo com a Polícia Rodoviária Federal.

Os dados se referem aos boletins da corporação divulgados às 7h e às 15h. No país todo, o número de bloqueios também aumentou –de 38 de manhã para 56 à tarde (alta de 47%)– e está espalhado por seis Estados (eram cinco às 7h).

Os outros 28 bloqueios se dividem por Santa Catarina (12), Paraná (9), Mato Grosso (5), Maranhão e Rio de Janeiro (um em cada).

Gabriel Haesbaert/Agência RBS
Após o atropelamento e a morte de um caminhoneiro em São Sepé, colegas fazem homenagem
Após o atropelamento e a morte de um caminhoneiro em São Sepé, colegas fazem homenagem

Na comparação com sexta-feira (27), o número de protestos se mantém praticamente estável, segundo o boletim das 19h, quando foram registradas 57 interdições. Na semana passada –auge das manifestações–, porém, os números eram bem maiores: os caminhoneiros chegaram a realizar mais de cem bloqueios em 14 Estados –incluindo São Paulo.

Das 28 interdições no RS divulgadas no boletim das 15h da Polícia Rodoviária Federal, 15 são deste sábado –os 13 outros bloqueios começaram entre quinta (26) e sexta e continuaram hoje. Dessas 15 novas interdições, dez foram iniciadas após as 7h15, horário da morte do caminhoneiro Cléber Adriano Machado Ouriques, 38.

Ouriques foi morto após ser atropelado por um veículo dirigido por um colega de profissão na BR-392, na região de Santa Maria –centro-sul do RS.

Paralisação de caminhoneiros

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Jornal A Palavra

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De acordo com a Brigada Militar –a PM no RS–, a vítima foi atingida por um caminhão que furou duas vezes o bloqueio que os caminhoneiros faziam a pé e com carros particulares na estrada. Após o atropelamento, o motorista do veículo fugiu do local.

Segundo um tio de Ouriques, a vítima foi arrastada pelo caminhão por 20 metros e morreu na hora.

Procurada, a Polícia Rodoviária Federal no Estado informou que não há relação entre a morte de Ouriques e o aumento de interdições no RS.

Segundo Alessandro Castro, chefe de Comunicação da corporação no Rio Grande do Sul, o boletim das 15h está desatualizado, pois no final da tarde deste sábado eram 25 os pontos de bloqueio –e não 28.

ATROPELADOR IDENTIFICADO

No final da manhã deste sábado, o caminhão que atropelou Ouriques foi encontrado em Caçapava do Sul –cidade vizinha a São Sepé–, segundo José Antonio Taschetto Mota, um dos delegados responsáveis pelo caso.

De acordo com Mota, o caminhão transportava produtos têxteis e, na estrada havia marcas da tentativa de frenagem.

Já o delegado de São Sepé Antonio Firmino Freitas disse que o motorista continua foragido. Será mandado um pedido de prisão temporária contra o motorista, cujo nome não foi divulgado pela polícia.

REIVINDICAÇÕES

Os caminhoneiros pedem redução no preço do diesel e do pedágio, tabelamento dos fretes e a sanção, por parte da presidente Dilma Rousseff, de mudanças na legislação que flexibilizam a jornada de trabalho.

Na última quarta (25), o governo chegou a anunciar um acordo com a categoria, prevendo por exemplo a manutenção do preço do diesel por seis meses. Parte dos motoristas não reconhece o acordo.

Em nota, a Secretaria-Geral da Presidência da República informou lamentar a morte por atropelamento de Ouriques. “Ao mesmo tempo em que se solidariza com familiares e amigos da vítima, o governo federal reforça o compromisso e a disposição para o diálogo.” 

PARA-CHOQUE DURO (LEVANTAMENTO DA FOLHA):

45,91%

é o peso do consumo de diesel no custo do caminhoneiro, o maior de todos

17,12%
é a parcela dos gastos com financiamento do caminhão

11,15%
é quanto representa o gasto com pedágios

6,30%
é a fatia do seguro

Fonte: Reuters + VEJA + Folha
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