Excesso de chuva causa perdas nas lavouras de hortaliças no Rio Grande do Sul

No Litoral Norte, os danos atingiram cerca de 40% da produção, chegando a 70% em cultivos de alface e rúcula. A situação ocasionou grande queda na oferta e, por falta de produto no mercado, alguns feirantes não compareceram às feiras em diversos municípios.
Lucas de Campos 24 julho, 2015 Fonte:

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (23/07), devido ao excesso de chuvas registrado na última semana, foram registradas grandes perdas nos cultivos de hortaliças em todo o Rio Grande do Sul. No Litoral Norte, os danos atingiram cerca de 40% da produção, chegando a 70% em cultivos de alface e rúcula. A situação ocasionou grande queda na oferta e, por falta de produto no mercado, alguns feirantes não compareceram às feiras em diversos municípios.  

Segundo os técnicos da Emater/RS-Ascar, os agricultores estão com muita dificuldade para preparar o solo, pois os locais que não estão alagados encontram-se muito molhados. Na Região Metropolitana, a chuva trouxe grandes prejuízos às hortaliças, em muitas lavouras as culturas semeadas nos canteiros foram perdidas, nas transplantadas está ocorrendo crescimento retardado devido ao excesso de umidade no solo e algumas estradas de acesso às lavouras estão interditadas. Nessa região, os preços de algumas culturas apresentaram alta em relação à semana anterior, como o tempero verde, que aumentou 60% em alguns locais, e a couve-flor, o repolho e a rúcula, que tiveram incremento entre 20 e 25% em seus valores. A tendência é de falta de produto no mercado e de elevação ainda maior nos preços.

Em relação ao trigo, aponta a Emater/RS-Ascar, as condições meteorológicas mais uma vez foram adversas ao desenvolvimento da cultura em todo Estado. Os produtores enfrentaram dificuldades para realizar os tratos culturais, como a aplicação de adubação nitrogenada em cobertura e a aplicação de herbicidas e fungicidas. Muitos que optaram por realizar estas atividades provocaram desestruturação do solo e comprometimento das culturas nos locais de trânsito das máquinas e equipamentos. Nesse cenário, mais uma vez, não houve avanço significativo na área semeada, dificultando a verificação do real percentual alcançado até aqui. Em muitos casos, os triticultores estão desistindo da implantação das áreas restantes. Vários municípios constataram diminuição de área cultivada ainda maior do que a prevista anteriormente, em especial naqueles locais onde o plantio não havia sido concluído no tempo hábil.

Em áreas semeadas precocemente com o grão, algumas lavouras começam a entrar em fase reprodutiva, porém em percentual muito baixo. Apesar das chuvas, o aspecto visual das lavouras de trigo ainda é satisfatório, apenas com coloração verde pálido e baixo perfilhamento. As maiores preocupações da última semana foram o aumento da incidência de doenças foliares e a dificuldade de realizar controle e os tratos culturais no momento ideal. A aplicação de adubação nitrogenada em cobertura, além de atrasada, enfrenta perdas pelo escorrimento superficial e por lixiviação, provocados pelas intensas chuvas. Os preços do trigo também continuam pouco atrativos, sendo praticados, em média, a R$ 27,96 pela saca de trigo, variando entre R$ 23,00 a R$ 30,50.

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