EUA 2015/16: Crescem as especulações sobre a nova safra antes dos números do USDA

Em seu último boletim, o departamento agrícola norte-americano mostrou a produção de soja em 105,73 milhões de toneladas e produtividade de 52,17 sacas por hectare. A área de plantio no caso da oleaginosa foi estimada em 34,44 milhões de hectares, número que surpreendeu o mercado depois do excesso de chuvas nas primeiras etapas dos trabalhos de campo no Meio-Oeste dos EUA.
Lucas de Campos 5 agosto, 2015 Fonte:

Um dos mais importantes consultores em agronegócio, Michael Cordonnier, divulgou suas estimativas de produtividade para a soja e o milho da safra 2015/16 dos Estados Unidos e trouxe números maiores para o cereal e manteve inalterada sua projeção para a oleaginosa. 

No caso do milho, o rendimento esperado por Cordonnier aumentou em cerca de 1,6 saca por hectare (1,5 bushel por acre) para 174,1 sacas (ou 164,5 bushels/acre). O consultor destacou, para essa revisão positiva, chuvas oportunas beneficiando os campos mais ao oeste e noroeste do Corn Belt. 

Para a soja, a produtividade ainda é esperada em 49,32 sacas por hectare (43,5 bushels por acre), mas ainda assim, o consultor tem um sentimento positivo sobre a cultura nos EUA, segundo noticiou o site internacional Pro Farmer.

Sobre as chuvas recentes, o consultor diz que "os bons níveis de umidade estão mantendo o milho, no oeste do cinturão, em condições muito boas. Houve muita chuva nas áreas central e sul de Iowa, norte do Missouri, mas essa foi uma exceção e não a regra no Corn Belt". 

Enquanto isso, no leste do Meio-Oeste, Cordonnier afirma que mais chuvas ainda são necessárias devido às lavouras que estão com suas raízes mais superficiais. "Nas últimas duas semanas, muitas áreas de Illinois, Indiana e Ohio receberam precipitações limitadas até o último domingo a noite (2), quando as chuvas foram mais volumosas e mais generalizadas do norte e nordeste de Indiana ao noroeste de Ohio", explica. 

Os reportes sobre os estados de Ohio e Indiana já indicam, ainda de acordo com o consultor, que áreas mais secas já começam a sofrer com o stress hídrico em alguns pontos, principalmente nas regiões de solos mais arenosos e onde o milho também tem raízes mais superficiais. 

Cordonnier trouxe ainda suas expectativas para a produção norte-americana. No caso da soja, elas variam de 89,9 milhões a 104,2 milhões de toneladas, com média de 97,4 milhões. Para o milho, o intervalo fica entre 327,4 milhões a 343,9 milhões de toneladas, com média de 336,6 milhões. 

Novo boletim do USDA

Na próxima quarta-feira, 12 de agosto, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz seu novo boletim mensal de oferta e demanda e as expectativas – e crescentes especulações – do mercado já são bastante nítidas. Para alguns consultores e especialistas, esse poderá ser um dos dias mais nervosos para o mercado internacional, pois se especula, principalmente, se os impactos severos de adversidades climáticas no início da nova temporada serão reportados. 

Em seu último boletim, o departamento agrícola norte-americano mostrou a produção de soja em 105,73 milhões de toneladas e produtividade de 52,17 sacas por hectare. A área de plantio no caso da oleaginosa foi estimada em 34,44 milhões de hectares, número que surpreendeu o mercado depois do excesso de chuvas nas primeiras etapas dos trabalhos de campo no Meio-Oeste dos EUA. 

No caso do milho, o USDA projetou, em seu boletim de julho, a safra 2015/16 em 343,7 milhões de toneladas e rendimento de 174,5 sacas por hectare. Já a área plantada com o cereal veio projetada, no último reporte, em 36 milhões de toneladas. 

"Nos próximos dias, em especial, devemos ter um mercado também voltado à parte especulativa com relação aos números do próximo dia 12 do USDA", acredita a analista de mercado da Labhoro Corretora, Andrea Sousa Cordeiro. "As condições climáticas estão favoráveis, os dois principais modelos (de previsões do tempo) – o americano e o europeu – estão em linha, prevendo rodadas de chuvas, trabalham com temperaturas não tão altas, nenhum calor extremo está previsto", completa. 

Para a analista, nesse próximo relatório os destaques deverão ficar sobre a área plantada nos Estados Unidos e no número que chega da produtividade norte-americana. "Essa combinação de redução de área, que é fato, embora ainda não se saiba sua extensão, quando associada à essa redução de produtividade, é feita a pergunta: o USDA vai reduzir essa produtividade no próximo relatório? Nós acreditamos que sim, talvez não tanto quanto algumas casas imaginam, mas se associarmos essa redução de área com uma redução de produtividade maior, teríamos impactos nos estoques finais da safra norte-americana", diz. 

Dessa forma, Andrea acredita ainda que o mercado já processa expectativas de que os estoques devem ceder nessa nova temporada nos EUA. "É impossível o quadro, com uma redução de área de pelo menos 1 milhão de acres, com uma redução de produtividade seja ela qual for, que tenhamos a mesma safra. Porém, a pergunta que vale muitos milhões de dólares é qual será essa redução na produtividade", explica a analista.

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