Deputados gaúchos investigados no esquema falam em desavenças e rede de intrigas no partido

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Lucas de Campos 22 abril, 2015 Fonte:

Os depoimentos de três dos seis deputados gaúchos investigados na Operação Lava-Jato mostram o PP rachado por disputas internas e tomado por rede de intrigas. A desconfiança reflete nas declarações de Jerônimo Goergen, Luis Carlos Heinze e Renato Molling, que creditam a terceiros o envolvimento de seus nomes no esquema de corrupção.Goergen foi o único a apontar o colega e desafeto José Otávio Germano como eventual beneficiário dos desvios. À Polícia Federal (PF), afirmou que considera a hipótese de ter sido colocado no escândalo por líderes do partido com quem tem “desavenças políticas”, entre eles, José Otávio.Molling e Heinze não citaram o colega de bancada. Molling sustenta a chance do seu nome ter sido usado por “alguém” da legenda para receber parte do dinheiro desviado de contratos na Diretoria de Abastecimento da petroleira. Heinze diz que João Pizzolatti (SC), ex-líder da bancada do PP na Câmara e para quem o doleiro Alberto Youssef teria entregue dinheiro, pode ser o responsável por colocá-lo na lista de parlamentares que receberiam uma mesada que variaria de R$ 30 mil a R$ 150 mil.Os três parlamentares negam a participação no esquema. Eles estão entre os 39 investigados de um dos inquéritos da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal.A relação tem outros três membros do PP gaúcho: José Otávio, Afonso Hamm e Vilson Covatti, que não prestaram depoimento.A íntegra das falas de Goergen, Heinze e Molling revela a briga interna na legenda pelo poder que assegurava as indicações de cargos federais e a distribuição de recursos para campanhas eleitorais — conforme a investigação, a mesada paga aos deputados deveria manter o controle da bancada.Para Heinze, o envolvimento de deputados está relacionado com uma “estrutura corrompida de exercício partidário patrocinado pelas lideranças do partido”, entre elas Pizzolatti, o ex-deputado José Janene (falecido) e o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte. Em sua delação, Youssef indica Janene como precursor do esquema de cobrança de propina de empreiteiras na Petrobras.Molling disse à PF que pode haver um “processo de fragilização” do PP promovido por “terceiros”, sem citar nomes. Já Goergen afirmou que, se o PP integrou o esquema de corrupção, foi por meio do grupo que o controlava. O parlamentar questiona sua presença na lista, já que não era deputado federal em 2010.Ele relatou que, quando assumiu o mandato, em 2011, a sigla era comandada pelo então presidente Francisco Dornelles (RJ), o ministro Negromonte (BA), o líder na Câmara Nelson Meurer (PR), o senador Ciro Nogueira (PI) e os deputados Dudu da Fonte (PE), Pizzolatti e Luiz Fernando Faria (MG). Ele ainda cita José Otávio, com quem tem rixa desde que defendeu o afastamento dos envolvidos na Operação Rodin do diretório estadual do PP, em 2007.A afirmação de Goergen reforça a fala de Youssef, que coloca José Otávio em um “grupo hegemônico” do PP. Em contrapartida, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa indica que José Otávio não fazia parte desse grupo, que, junto com Faria, mantinha “isolamento” na legenda.

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