Cotrijui poderá ter gestão conjunta

Proposta de produtores será feita à Justiça
Lucas de Campos 29 janeiro, 2018 Fonte:

O desfecho do caso Cotrijui, acelerado com uma grande operação em 16 municípios do Estado, provocou uma guinada nos rumos da cooperativa, em crise desde 2013. Apontada como base para diferentes fraudes pela Justiça na última semana, ganhou ainda mais foco com operação do Ministério Público (MP) e apoio da Polícia da Civil e da Brigada Militar na sexta-feira, 26.

Com o afastamento da atual diretoria – ao menos dos que tiveram buscas por provas em suas residências –, o comando da cooperativa precisa ser retomado com certa urgência. Em meio a safras que começam a ser colhidas, com R$ 1,8 bilhão de dívidas para pagar a credores e devendo para produtores e funcionários, a gestão precisa ser retomada para evitar prejuízos generalizados.

A ação do Ministério Público, a quem um grupo de produtores encaminhou denúncias no ano passado, pegou de surpresa agricultores e credores pelo seu porte e rapidez – mesmo com as denúncias e ações se avolumando.

Na terça-feira, 23, três dias antes da ação do MP, o juiz de São Luiz Gonzaga (RS), Daniel Pellegrino Kredens, que analisava o pedido de recuperação judicial de empresas controladas pela Cotrijui, deu sinal de que o caso era mais grave do que parecia há 60 dias, quando o grupo Cotrijui/Recuperação começou a chamar a atenção para o caso e até mesmo ameaçar ocupar a sede da cooperativa, em Ijuí (RS).

– Não esperávamos por essa intervenção tão rápida do Ministério Público, apesar de sabermos da gravidade da situação. Estamos fazendo muitas reuniões às pressas, em Ijuí e em cidades vizinhas, e estamos propondo, nesta segunda-feira, 29, ao Judiciário, via Câmara de Vereadores, um triunvirato para tocar a cooperativa urgentemente –, relata, Edson Burmann, que participará de reuniões com representantes do setor ao longo desta semana para decidir a possível nominata.

Um dos nomes cogitados é Cristiano Cabrera, presidente da Associação dos Agricultores de Dom Pedrito (AADP). A preocupação de Burmann é pelo fato de que a safra 2017/2018 já começa a ser colhida, como o arroz na região de Dom Pedrito, onde a Cotrijui tem operações fortes, e o produtor precisa ter segurança para depositar os grãos nos armazéns da cooperativa.

 Vale lembrar que um dos problemas atuais é justamente o fato de a instituição dever pagamentos por grãos recebidos de produtores ainda referentes a 2017. "Não queremos nos antecipar à Justiça, mas o caso tem de ser resolvido ainda nesta semana. Se os grãos não começarem a ser entregues pelos associados da Cotrijui para a própria cooperativa justamente agora, aí pode fechar de vez", alerta o produtor.

Marcelo Zampieri, advogado da Cotrijuí que ingressou com o pedido de recuperação judicial das quatro empresas controladas (Pacpart, Cotriexport, Redecop e Transcooper), também se disse surpreso com a operação do MP. Zampieri explica que precisa analisar o caso antes de fazer qualquer pronunciamento sobre os próximos passos. "Sobre as acusações de fraudes que surgiram a partir do pedido de recuperação, ressalto que vieram à tona a partir de dados fornecidos pela própria Cotrijui, que está entregando informações e documentos que estão sendo solicitados", explica, ao ressaltar que fala apenas em nome da Cotrijui e não sobre as buscas feitas nas residências de integrantes da diretoria, cujos nomes ainda não foram revelados. "Estes terão que procurar advogado próprio", ressalta.

Procurado pela reportagem do Jornal do Comércio para falar sobre o caso, o presidente liquidante da Cotrijui, Eugênio Frizzo, não foi localizado.

 

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