Comércio: falta de acordo pode prejudicar horário de Natal

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Lucas de Campos 11 novembro, 2015 Fonte:

O Sindicato Patronal do Comércio vive dias de insegurança em anunciar, ou não, o Acordo Coletivo de Trabalho. Isso porque nos últimos anos uma cláusula imposta pelos trabalhadores vem obrigando os empresários a pagar dois reajustes por ano para a categoria na região.

 Em tempos de crise, isso torna-se um grande problema para o comerciante, que já vive dias de dificuldade frente ao alto custo para manter os serviços e a alta taxa de impostos. A demora no fechamento do Acordo Coletivo deste ano protela acordos que vão direcionar, por exemplo, o piso do comércio, o banco de horas, o trabalho aos domingos, o reajuste salarial, as comissões de vendas (piso dos comissionados), o auxílio-creche e, dentre 64 clausulas, o Horário Especial de Natal.

 “No ano passado já não houve acordo em tempo hábil de se planejar o horário”, destaca a vice-presidente do Sindilojas Missões, Loiva Kaiser. Segundo ela o índice pedido pelos trabalhadores está acima das possibilidades dos empresários.  “Hoje existe uma cláusula na Convenção Coletiva que vincula o aumento salarial dos laborais ao piso comercial do Estado, e isso passa a valer em janeiro, normalmente. O que acontece é que a nossa convenção é realizada em junho, então o índice de reajuste soma com o reajuste já concedido, isso prejudica o empresariado, pois vamos oferecer um novo aumento em cima de um reajuste já concedido”, explica.

O presidente, Gilberto Aiolfi, diz que o Sindilojas Missões vem tentando eliminar essa cláusula, para que os trabalhadores escolham apenas um reajuste anual. Porém, ante a negativa, o Acordo Coletivo se arrasta durante os meses e não sai do papel. “Começamos as negociações em junho, recebemos a proposta, fizemos uma contraproposta e até agora não tivemos resultado. Não podemos arcar com o ônus de dois reajustes anuais”, diz, acrescentando que “Isso não significa que todos os empresários vão pagar menos aos seus funcionários. Isso vai permitir que os pequenos empreendedores – que não tem condições de oferecer um salário maior aos seus empregados – possam pagar em dia suas obrigações. O limite é fixado, porém o teto salarial é livre e cada empresário poderá pagar acima do valor na medida em que puder pagar”, destaca.

Aiolfi também lembra que em 2015 já foram registradas 400 demissões em Santo Ângelo. E que a tendência é este número aumentar, pois a economia está fragilizada. “O próprio governo do Estado diz que não tem como pagar e não dá aumento aos seus funcionários. Como pode pressupor que o pequeno empreendedor do comércio terá condições?”, diz.

Finalizando, Aiolfi destacou que o momento pede união. E que se não houver sensibilidade por parte dos funcionários na hora de tratar de seus acordos coletivos o distanciamento entre as partes vai provocar o agravamento das crises. “Só se vence as dificuldades com diálogo, com união e com vontade. Nós temos dialogado com a classe laboral, mas necessitamos que o Acordo seja selado”, destacou.

Aiolfi também lembrou que se não houver acordo entre as partes, deve ficar valendo o mesmo Horário de Natal de 2014.

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