Leite e Sartori trocam ataques no último debate do segundo turno

Sepé Tiaraju 26 outubro, 2018 Fonte: Correio do Povo

A 58 horas da abertura das urnas, Eduardo Leite (PSDB) José Ivo Sartori (MDB) fizeram na noite desta quinta-feira o debate mais contundente de toda a eleição. Em quatro blocos de confronto direto na RBS TV, os dois postulantes ao governo do Estado trocaram palavras ríspida,  a ponto de fazerem um pedido mútuo de desculpas ao final do programa.

Em desvantagem nas pesquisas, Sartori passou quase todo o debate acusando o adversário de incoerência. Logo na primeira pergunta, investiu contra o tucano.

— Vamos falar sobre coerência e verdade. Você prometeu muito e muitas vezes mudou de ideia durante a campanha. Mas não respondeu a uma questão central: de onde vai tirar o dinheiro para cumprir todas as promessas?

Leite não se intimidou. Repetindo que sabia governar na dificuldade, citou medidas como a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal da União, o combate à sonegação e revisão dos benefícios fiscais. Ao lembrar que Sartori havia vendido ações do Banrisul, revidou.

— O senhor queimou o futuro do Rio Grande do Sul.

O ambiente no estúdio refletia o comportamento da militância do lado de fora da emissora. Pouco antes de os candidatos chegarem para o debate, simpatizantes de ambos os lados disputaram espaço na esquina dos estúdios da RBSTV. Monitorados de perto pela Brigada Militar, trocavam provocações enquanto agitavam bandeiras e gritavam palavras de ordem.

No estúdio o clima seguia quente, a ponto de os dois candidatos solicitarem uma redução na temperatura do ar-condicionado. Ao discorrer sobre concessões de rodovias, o governador subiu o tom dos ataques.

— Falar é fácil, o difícil é fazer. E quem quis ser ligeiro nessa área, inclusive um governador do seu partido, foi preso.

— Não venha colocar pra mim o que não está no meu colo. Se é para falar de partido, vamos falar do seu, o MDB, com tantos escândalos, inclusive com o presidente da República.

Embora o debate fosse a oportunidade derradeira para os candidatos esgrimisses suas propostas diante dos telespectadores, Leite  Sartori seguiam na tática do confronto. Tentando surfar na onda do antipetismo revelada pelas urnas no primeiro turno, trocavam acusações de vinculação a aliados do PT e de oportunismo eleitoral. Ao tratarem sobre segurança, o tema voltou à tona, com alusões ao vice do tucano, o delegado Ranolfo Vieira Júnior. Instalado numa sala ao lado do estúdio com os demais assessores, Ranolfo gargalhou com as citações ao seu nome.

— O seu candidato a vice foi chefe de policia de Tarso, fez campanha para Dilma e Lula. Vai adotar o modelo de segurança que foi desenvolvido pelos modelos do PT no Rio Grande do Sul? — provocou Sartori.

— Tenho ao meu lado um delegado da Polícia Civil. Ao contrário do que diz o meu adversário, nunca foi do PT. É do PTB. E chefe de polícia é uma carreira de Estado — rebatia Leite.

Não havia assunto sem que a conversa não terminasse em provocações. Quando o mediador, jornalista Elói Zorzetto, sorteou como tema a infraestrutura do Estado, Leite comentou sobre atraso nos investimentos da duplicação da RS-118, mas concluiu o raciocínio resgatando uma manifestação na qual Sartori dissera que atendia a uma convocação partidária ao concorrer à reeleição.

— Afinal o senhor quer ser governador ou não quer?

— Nós recebemos uma missão e vamos cumprir. O senhor fala em São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina. Se eu quisesse puxar a brasa para o meu assado, diria que foram Estados que reelegeram governadores — devolveu o emedebista.

Em um Estado com previsão de déficit de R$ 4 bilhões para 2018 e há 34 meses atrasa salários do funcionalismo, os dois candidatos falavam sobre desenvolvimento econômico, mas não detalhavam medidas capazes de estancar a crise financeira. Apontadas como alternativas por ambos os lados, a privatizações de estatais e a manutenção das alíquotas majoradas do ICMS foram citadas de forma superficial e quase sempre como se as posições fossem antagônicas, dado o tom beligerante das manifestações.

— Parole, parole, parole. Não diz de onde vai tirar o dinheiro – repetia Sartori.

— O candidato gosta muito de falar parole, parole, Mas na verdade é o candidato do desculpa desculpa, demora, demora, parcela, parcela – retrucou Leite.

Notícias Relacionadas

  • Sepé Tiaraju 13 dezembro, 2018

    PDT recusa convite de Leite e adota independência na Assembleia

    Por ampla maioria, a Executiva do PDT recusou, na tarde desta quinta-feira, o convite do ...

    Leia mais >
  • Sepé Tiaraju 11 dezembro, 2018

    Senadores e deputados federais são alvos de operação da PF

    A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público cumprem hoje (11) 24 mandados de busca e apreensão, ...

    Leia mais >
  • Sepé Tiaraju 10 dezembro, 2018

    Em diplomação, Bolsonaro pede confiança daqueles que não votaram nele

    No discurso de diplomação, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, prometeu hoje (10) governar para todos, sem qualquer distinção ...

    Leia mais >
© Copyright 2017, Todos os direitos reservados.