Chuva na Fronteira Oeste do RS deixa mais de 1,6 mil pessoas fora de casa

Foto: Maurício Cavichioli Rodrigues
Sepé Tiaraju 11 janeiro, 2019 Fonte: Correio do Povo

Mais de 1, 6 mil pessoas estão fora de suas residências em função de estragos causados pela chuva que afetou a região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, conforme o último boletim da Defesa Civil. De acordo com o órgão, 1208 pessoas (288 famílias) estão desalojadas e 399 (95 famílias) estão desabrigadas. Os municípios atingidos são Bagé, Dom Pedrito, Jaguari, Pedro Osório, Quarai, São Borja, São Gabriel, São Francisco de Assis, Uruguaiana e Alegrete, que tem a pior situação entre as cidades.

Prefeitura de Alegrete avaliou os prejuízos causados pelos temporais e enchentes que afetaram o município durante esta semana, estimando que o valor ultrapassa os R$ 10 milhões. O setor de Infraestrutura projeta prejuízos de R$ 8,5 milhões com as estradas, calçamento danificado e dois pontilhões avariados no interior do município. Somente na área de saúde, a conta chega a R$ 3 milhões.

Um homem morreu após uma árvore cair sobre sua casa. A cidade também registra o maior número de desalojados e desabrigados – 508 e 345 respectivamente. Houve queda de árvores sobre a ERS 377, que liga o município a Manoel Viana. O nível do Rio Ibirapuitã estava 13 metros acima do normal na medição das 5h45min. A ponte Borges de Medeiros segue interditada e só será liberada após a água baixar. Com isso, quem precisa atravessar de um ponto para o outro precisa utilizar a BR 290, em um desvio de oito quilômetros. A BR 290 também foi interrompida, em um trecho de 400 metros, a cinco quilômetros do centro da cidade – para sanar a dificuldade, a prefeitura patrolou um acesso lateral pelo bairro Nova Brasília. As águas do rio, que chega a 13,30 metros, já atingiram boa parte da área central de Alegrete. Entre os pontos alagados estão as ruas Demétrio Ribeiro e Barão do Amazonas e a avenida Eurípedes Brasil Milano.

Em Uruguaiana, a chuva intensa e vento forte resultaram na queda de postes e consequente falta de energia elétrica, principalmente no interior do município. Também houve o destelhamento de casas e de 55% do Instituto Penal , que abriga 205 apenados. Foram atingidos os setores da administração, cozinha e a maior parte dos alojamentos de apenados em serviço externo, que retornam apenas para dormir no local. A Justiça decidiu que aqueles homens que trabalham deverão, após o cumprimento do serviço, ficar em prisão domiciliar e os 30 restantes que respondem Procedimentos Administrativos Disciplinares serão conduzidos à Penitenciária Modulada de Uruguaiana.

São Gabriel tem 588 pessoas desalojadas na maior enchente em 20 anos e deve decretar situação de emergência. Os moradores estão sem água potável desde as 16h30min de quinta-feira, e não há previsão de normalização do serviço. Os bairros mais afetados são Beira Rio, Mato Grosso, Santa Brigida e Passo da Lagoa.

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