Chicago: Soja segue caminhando de lado nesta 5ª de olho na colheita nos EUA e na reunião do Fed Publicado em 17/09/2015 08:13

Assim, para alguns, os preços devem seguir trabalhando entre US$ 8,50 e US$ 8,90 por bushel à espera dessas informações mais concretas
Lucas de Campos 17 setembro, 2015 Fonte:

No pregão desta quinta-feira (17), os preços da soja voltam a operar com estabilidade e sem direção. Por volta das 7h40 (horário de Brasília), o mercado trabalhava em campo misto, com ligeiras baixas nas duas primeiras posições – novembro/15 e janeiro/16 – enquanto as duas últimas – março e maio/16 – tinham leves altas. As oscilações, entretanto, não passavam de 1,50 ponto. 

Como vem sendo sinalizado pelos analistas, o mercado internacional segue acompanhando a evolução da colheita nos Estados Unidos e as confirmações de produtividade na medida em que os trabalhos de campo se desenvolvem. Assim, para alguns, os preços devem seguir trabalhando entre US$ 8,50 e US$ 8,90 por bushel à espera dessas informações mais concretas. 

Ao mesmo tempo, os traders aguardam ainda pelas decisões que devem chegar da reunião do Federal Reserve sobre a taxa de juros nos Estados Unidos e o impacto que as possíveis mudanças podem ter sobre as commodities. Novas informações devem chegar nos próximos dias. 

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Soja: Preços da safra nova avançam nos portos e vão à casa dos R$ 82/saca nesta 4ª; CBOT fecha estável

O mercado da soja na Bolsa de Chicago fechou a sessão desta quarata-feira estável. Enquanto as três primeiras posições terminaram o dia com baixas de 0,25 e 1,75 ponto, a última entre as mais negociadas – maio/16, referência para a safra brasileira – subiu 0,25 ponto e terminou o dia valendo US$ 8,95 por bushel. O dia foi de pouca movimentação. 

Segundo explicou a analista de mercado Natália Orlovicin, da FCStone, parte desta estabilidade se deve à espera dos traders pelas informações sobre o futuro da taxa de juros dos EUA que devem chegar da reunião que o Federal Reserve realiza nesta semana. Caso o índice seja revisado para  cima, o dólar poderia subir de forma subir de forma significativa e pressionar as commodities de uma forma geral. 

Paralelamente, ainda de acordo com a analista, as poucas mudanças que foram reportadas no relatório mensal da Farm Service Agency (FSA), um órgão do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para os dados sobre a área de plantio, principalmente as que estão sob o programa de seguro, também contribuíram para o mercado caminhar de lado nesta quarta-feira. 

Para a soja, a instituição informou que a área coberta pelo seguro e não plantada por conta de adversidades climáticas 880 mil – no boletim de agosto – para 890 mil hectares (em acres, 2,17 milhões e 2,20 milhões, respectivamente). A área total plantada esperada subiu de 32,17 milhões de hectares (79,54 mi de acres) para 32,66 milhões de hectares (80,7 mi de acres). E esses números, ainda de acordo com analistas, não trazem um reflexo de 100% do que é plantado no país, mas as áreas cobertas pelo seguro. 

Em seu relatório mensal de oferta e demanda divulgado no último dia 11 de setembro, o USDA estimou a área plantada de soja em 34,12 milhões de hectares e a de milho em 35,98 milhões. 

No entanto, tanto Natália quanto o consultor de mercado Márcio Genciano, da MGS Rural, afirmam que os investidores mantém uma postura mais cautelosa à espera de uma melhor definição da produtividade nos EUA na medida em que a colheita evolui no país. "O mercado da soja deve continuar trabalhando entre os patamares de US$ 8,50 a U$ 8,90/bushel até uma definição melhor da colheita norte-americana", diz o consultor.

um dos mais respeitados consultores agrícolas do mundo, Michael Cordonnier, afirmou nesta semana que acredita não ser "realista" a revisão para cima da produtividade da soja no país reportada no último boletim mensal de oferta e demanda do departamento. 

O USDA estimou o rendimento da oleaginosa em 47,1 bushels por acre – ou 53,4 sacas por hectare. No entanto, Cordonnier discorda do aumento frente aos problemas enfrentados pela safra durante a primeira metade da temporada. 

"Eu acredito na possibilidade de uma redução do potencial produtivo da soja no boletim de outubro, quando eles realmente poderão pesar as vagens ao invés de somente contá-las. Mais uma vez, acredito que as temperaturas elevadas na primeira semana de setembro aliadas ao tempo seco no leste do Corn Belt reduziram a produtividade da soja nesta área", disse. 

Leia mais:

>> EUA 2015/16: Cordonnier afirma "não ser realista" aumento na produtividade de soja reportada pelo USDA

Além disso, a demanda ainda traz boas notícias e, segundo Genciano, as perspectivas se mantêm positivas. Hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou uma nova venda de soja da safra nova de 184,5 mil toneladas para a China e a notícia contribui para essa sustentação, ou ao menos para limitar as baixas quando registradas. 

Mercado Brasileiro

No Brasil, os preços fecharam o dia também sem uma direção definida, principalmente nos portos. Já no interior do país, principalmente nas praças do sul do país, boas altas foram registradas, passando de 1% em alguns casos, de acordo com um levantamento feito pelo Notícias Agrícolas junto às cooperativas e aos sindicatos rurais. 

Os valores avançaram mesmo diante de um dia negativo para o dólar frente ao real. A moeda norte-americana fechou a quarta-feira perdendo 0,74% e valendo R$ 3,8341. Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, a divisa – que também se desvalorizou frente a moedas como os pesos chileno e mexicano – acompanhou "o movimento em outros mercados emergentes" também diante da espera pelo futuro dos juros nos EUA que está sendo decidido na reunião do Fed. 

Assim, no porto de Rio Grande, a soja disponível encerrou os negócios no disponível com R$ 84,00, estável, e com R$ 82,50 no futuro – entrega maio/16 – com ganho de 0,61%. Já em Paranaguá, queda de 1,22% para R$ 81,00 na soja da safra velha e ganho de 2,50% para R$ 82,00 na nova, entrega março/16. Em Santos, a cotação terminou o dia com R$ 84,40. 

Já em Não-Me-Toque/RS, o preço subiu 1,42% para R$ 71,50; 1,465 em Ubiratã/PR para R$ 69,50 e 1,47% em Cascavel/PR, para R$ 69,00 por saca. Em Jataí/GO, valorização de 0,81% para R$ 62,60, enquanto em São Gabriel do Oeste/MS, baixa de 0,28% para R$ 72,00. 

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