Cavalgada Rastros das Tropas relembra o tropeirismo no Rio Grande do Sul

Sepé Tiaraju 18 setembro, 2018 Fonte: A Tribuna

O tropeirismo é o tema da Semana Farroupilha 2018 que faz um resgate de uma atividade que teve um papel importante na economia do Rio Grande do Sul, no passado, seja no condução de animais ou de mercadorias. Para relembrar essa história, o CTG Tio Bilia promove anualmente a Cavalgada Rastros das Tropas, que percorre diferentes pontos da região onde ainda permanece alguns vestígios da época do tropeirismo no Estado.

O tradicionalista, Eldori Rocha, idealizador da cavalgada, recorda que a ideia surgiu quando retornava da cidade de Itapipoca, no Ceará. “Tinha feito um frete de carreta com o amigo João Alberto Valentim da Silva. Nós tínhamos algo em comum: nossos pais foram tropeiros. No retorno da viagem viemos relatando um pouco da vivência daquela época, da lida do tropeiro, das viagens e fatos curiosos que aconteciam. Foi nessa conversa que surgiu a ideia de criar a cavalgada. Falei com a patronagem do CTG Tio Bilia e decidimos então colocar em prática esse projeto”.

A 1ª Cavalgada Rastros das Tropas foi em maio de 2014 com participação de 14 cavalarianos. O trajeto foi de 176 km, tendo como ponto de partida Santo Ângelo e chegada em Tupanciretã. “Recordo que estivemos na antiga cooperativa Serrana, que chegou a fazer 1.100 abates diários de bovinos. Esse local era frequentado pelos tropeiros que faziam a condução de animais. Fomos recebidos na época pelo patrão do CTG de Taquarimbó e pela Brigada Militar”.

A segunda edição da cavalgada aconteceu em 2015. O percurso de 186 km, de Santo Ângelo a Júlio de Castilhos, contou com a participação de 16 cavalarianos.  “Nesta cavalgada passamos em pontos históricos de pouso dos tropeiros, assim como visitamos fontes de águas e bebedouros. Naquela edição duas crianças participaram da cavalgada”, descreve.

A terceira edição foi em 2016 de São Nicolau a Santo Ângelo com um trajeto de 165 km feito em seis dias. “O ponto de partida foi o CTG 1ª Querência do Rio Grande. Passamos pela redução de São Lourenço Mártir em São Luiz Gonzaga, São Miguel das Missões e depois estivemos nas ruínas de São João Batista, em Entre-Ijuís, até chegar a Santo Ângelo”.

A quarta edição em 2017 contou com 17 cavalarianos que percorreram um trajeto de 165 km de Santo Ângelo a Três de Maio. “Nesta viagem passamos por vários trajetos percorridos pelos tropeiros em Catuípe, Independência e Três de Maio – onde pudemos visitar próximo à cidade o antigo matadouro da família Shardong, hoje em ruínas e que se encontra tomado pelo mato”.

E, por fim, na quinta edição, em 2018, a cavalgada teve um trajeto de 170 km de Santo Ângelo a Vitória das Missões. “Percorremos vários pontos em Entre-Ijuís, Eugênio de Castro, São Miguel das Missões e Vitória das Missões. Nesta cidade visitamos o CTG Gaudério de São João Batista. Já no retorno passamos na Esquina Missões e no CTG Passo do Ijuí, em Entre-Ijuís”.

CURIOSIDADES DA CAVALGADA

O tradicionalista Eldori Rocha lembra de algumas curiosidade vivenciadas durante as diferentes edições da Cavalgada Rastro das Tropas. Um dos casos que recorda é o do cão Valdomiro que participou de quatro edições. O pequeno animal era mascote do CTG. “O cão não apenas acompanhava os cavalarianos, mas também quando o cansaço pegava ele percorria trechos no lombo do cavalo. Em outras ocasiões era levado no veículo que acompanhava o trajeto. Perdemos nosso mascote que morreu pela idade, mas permanece viva na lembrança o animal que nos acompanhou nas cavalgadas”.

Outro fato curioso relatado pelo idealizador do Rastro das Tropas é que apenas homens participam da cavalgada. “Apenas na primeira edição teve a participação da minha filha, Marieli Rocha, que tinha 21 anos, na época. Ela fez o registro das imagens da primeira edição”.

Eldori observa que a Cavalgada Rastro das Tropas tem o aspecto da integração, porque não é feita apenas por integrantes do CTG Tio Bilia, mas também conta com participantes de outras entidades tradicionalistas.

O tradicionalista acredita que a cavalgada tem um importante papel no resgate da memória do tropeirismo no Rio Grande do Sul. “É uma viagem ao passado, passando pelos trajetos dos tropeiros, com belas fontes de água, campos e mata nativa, assim como outras paisagens que fizeram parte desse importante momento histórico do gaúcho”.

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