Casarin está preocupado com a concentração da produção leiteira no meio rural

Cristiano Devicari/RST
Sepé Tiaraju 25 julho, 2018 Fonte: A Tribuna

“Não temos nada para comemorar diante da atual realidade da agricultura familiar”. Essa é a declaração do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Ângelo, Daniel Casarin, que está preocupado principalmente com a situação do setor leiteiro.

Casarin conta que a produção leiteira concentra-se cada vez mais nas mãos de poucos. Ele lembra que em década anterior Santo Ângelo chegou a ter mil produtores de leite e atualmente chega a pouco mais de 200. “Esses dados chamam a nossa atenção e mostram que a maior parte de quem produz leite está abandonando o negócio pelo baixo preço do leite que hoje fica numa média de R$ 1,10. Há produtores que recebem R$ 0,90 por litro enquanto outros até R$ 1,40. O preço varia e quem produz mais tem melhor preço. Hoje se produz igual ou até mais comparado aos resultados de quando havia mil produtores. A tendência é agravar a concentração da produção leiteira e quem perde com isso é a agricultura familiar”.

GRÃOS

Em relação à safra de grãos, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais salienta que nos últimos cinco anos as culturas de verão (soja e milho) tiveram uma boa safra em virtude das boas condições climáticas. Já as culturas de inverno (trigo e aveia) tiveram duas quebras de safra. “Apesar das quebras das culturas de inverno de um modo geral a safra foi boa e os preços também compensaram principalmente em relação à soja que tem um papel importante na nossa economia. No entanto, mesmo com o bom preço dos grãos, boa parte da lucratividade do pequeno produtor foi consumida pelo alto valor dos insumos”.

NOVO MINISTÉRIO

Daniel Casarin acredita que uma das medidas que poderia ajudar a reverter esse quadro negativo no campo seria criar novamente um ministério específico para a agricultura familiar. “Colocar no Ministério da Agricultura os interesses do grande produtor e do pequeno não funciona. Quem leva a melhor nesta situação são os grandes produtores que tem uma bancada ruralista forte e atuante, e que conta com apoio de empresários do agronegócio que desempenham um forte lobby sobre o governo”.

DEMANDAS DO INTERIOR

A liderança sindical acredita ser preciso, ainda, a retomada de políticas públicas para revitalizar o programa de habitação rural para jovens, através do Programa Minha Casa Minha Vida; assim como créditos fundiários para quem adquirir terras; juro diferenciado ao pequeno produtor; ampliação de recursos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) que são voltados à geração de renda no campo.

Casarin também salienta a necessidade da criação de uma lei municipal que desburocratize e facilite a comercialização de produtos da agricultura familiar em feiras; investimentos em telefonia no meio rural (80% do interior hoje não tem cobertura) e também garantir sinal de internet nas comunidades do interior; além de investimentos por parte da prefeitura na melhoria das estradas que estão numa situação bastante precária – que dificultam o fluxo de pessoas e o escoamento da produção.

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