Carmem Flores repassou verba para filha e neta

Sepé Tiaraju 22 fevereiro, 2019 Fonte: Correio do Povo

Candidata ao Senado e presidente estadual do PSL gaúcho durante o último processo eleitoral, a empresária Carmen Flores, hoje sem partido, transferiu recursos de campanha oriundos do Fundo Eleitoral para familiares e aplicou parte do dinheiro em compras efetuadas na loja de móveis que a fez ser notabilizada entre a comunidade gaúcha.

Foram mais de R$ 75,5 mil distribuídos entre compras na W. Moreas Móveis (R$ 34 mil), aluguel de imóvel da filha (R$ 40 mil) e prestação de serviços pela neta (R$ 1,15 mil). A denúncia partiu do ex-colega de partido, deputado federal Bibo Nunes (PSL). Os dados estão disponíveis na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral.

Aparentemente abalada ao atender pedido de entrevista, Carmen pediu que os questionamentos fossem respondidos pelo advogado Lucas Ceccacci. “Não existe nenhuma ilegalidade em contratar parentes, alugar imóvel de familiar ou realizar compras onde se quer, desde que tudo seja devidamente declarado à Justiça Eleitoral”, sustenta o advogado de Carmem Flores.

Para Bibo Nunes, a questão é diferente. “O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) está apavorado, analisando e revirando as contas da campanha, estruturadas em movimentações atípicas e decisões sem nenhum fundamento”, aponta o deputado federal.

Segundo ele, o desentendimento com a ex-colega de partido quase inviabilizou sua campanha. “A saída dela representa uma limpeza no partido. Carmen era muito próxima do ex-presidente nacional, Gustavo Bebianno. Ela recebeu e administrou todo o recurso do fundo partidário. Nenhum centavo chegou para mim. Pelo contrário, fui ameaçado de que não permitiriam minha candidatura. Agora, saberemos quem é quem”, desafia Nunes.

O representante da empresária defende versão diferente. “O que querem é denegrir a imagem da Carmen. Não sabemos o motivo, mas estamos prontos para esclarecimentos à Justiça Eleitoral”, garante.

Indícios de ilegalidade eleitoral

Além de acusar a ex-colega de partido, Carmen Flores, de ter empregado irregularmente recursos de campanha do PSL em transferência, segundo ele, para o próprio benefício, o deputado federal Bibo Nunes também acredita que transferências realizadas para a secretária da sigla, à época, representam indícios de ilegalidade eleitoral. “Todas as decisões de gastos foram tomadas sem consultar as pessoas no partido. Ocorreram depósitos bancários de valores significativos após as eleições. Isso nos causa muita estranheza”, descreve Bibo Nunes.

Na prestação de contas registrada no Tribunal Superior Eleitoral, os registros apontam que dos R$ 327.753,72 arrecadados, R$ 95.157,20 foram transferidos para Roselvane Aparecida Ribeiro, a quem o deputado reconhece como “secretaria particular” de Carmen, embora a empresária a qualifique como “secretária executiva do partido”, à época.

“Não entendemos ainda qual é a intenção das pessoas que trazem a público estas denúncias, baseadas apenas em alegações. Estamos tranquilos para responder o que for necessário. A gestão da minha cliente perante o partido nada tem a ver com o laranjal do PSL que está sendo averiguado pelas autoridades. Sua conduta sempre foi pautada pela competência e honestidade”, argumenta o advogado Lucas Ceccacci, representante de Carmen Flores.

Bibo Nunes, por sua vez, diz estar preparado para eventuais esclarecimentos que se façam necessários. “Estou eleito, sou líder de bancada e vice nacional. Não recebi e, se quisessem me dar, eu não aceitaria este dinheiro. Não tenho qualquer preocupação”, define o deputado.

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