Brasileiro preso na Venezuela é natural de Ijuí

Jonatan Diniz prestava ajuda humanitária no país e é acusado de fazer parte de organização criminosa
Lucas de Campos 5 janeiro, 2018 Fonte:

O jovem Jonatan Diniz, 31 anos, que está preso no Estado de Vargas, na Venezuela, é natural de Ijuí. Segundo a agência oficial de notícias do governo venezuelano, Jonatan é acusado de manter atividadesdesestabilizadoras contra o regime de Nicolás Maduro.

Nesta sexta-feira, 5, a mãe do jovem, Renata Diniz, concedeu entrevista ao apresentador do Programa Aldeia da Rádio Sepé – AM 540, Hogue Dorneles e disse que a família ainda tem poucas informações sobre a prisão.

Renata afirmou que o jovem estava nos EUA e viajou para a Venezuela em 15 de dezembro para realizar uma ação solidária no país. Através da iniciativa, conforme Renata, seriam distribuídos alimentos e brinquedos para o Natal a crianças de baixa renda.

Ainda de acordo com a mãe de Jonatan, o jovem havia residido alguns meses na Venezuela e havia retornado à Los Angeles. “Como conhecia algumas pessoas no país que faziam caridade, Jonatan foi convidado para voltar à Venezuela e participar desta ação”, frisou a mãe.

O anúncio da prisão de Jonatan foi feito pelo parlamentar socialista Diosdado Cabello no programa que dirige no canal estatal VTV. Além de Jonatan, foram presos outros três venezuelanos. Para o governo venezuelano, os quatro fariam parte da Organização-Não-Governamental Time to Change the Earth (“tempo de mudar a Terra”, na tradução em português).

A entidade seria uma “organização criminosa com tentáculos internacionais”, que distribuiria alimentos e bens a moradores de rua com o objetivo de obter recursos em moeda nacional com vistas a promover ações contra o governo.

Sobre esta acusação, Renata explicou que Jonatan tinha o sonho de fundar uma ONG, “mas trabalhava com um grupo de amigos que prestava auxílio não importava onde”. Jonatan realizava há algum tempo este tipo de ação solidária. Renata destacou que o filho realizou, inclusive, serviço voluntário no incêndio florestal ocorrido na Califórnia, em 7 de dezembro.

A mãe de Jonatan, afirmou que a acusação de que o filho faria parte de uma organização é ridícula. “Meu filho não tem envolvimento nenhum, meu filho não é um assassino, não é ladrão, não é um traficante, simplesmente é uma pessoa que gosta de ajudar os outros”.

Ainda segundo a mãe, a ação dele não tem referência nenhuma com a situação política da Venezuela. “O manifesto dele é por não conseguir ver as crianças morrendo de fome, só isso”.

 

AÇÕES DO ITAMARATY

Na quinta-feira, 4, o Ministério das Relações Exteriores divulgou comunicado em que cobra do Governo da Venezuela explicações sobre a situação do brasileiro.

No texto, o Itamaraty informa que acionou o Ministério das Relações Exteriores e as autoridades policiais daquele país para identificar o paradeiro de Jonatan e a situação jurídica dele. Foi solicitada também uma visita consular, medida prevista em convenções internacionais.

Apesar de promessas, até o momento o governo brasileiro não obteve respostas dos pedidos feitos. A Embaixada da Venezuela em Brasília foi acionada, mas também não forneceu informações sobre a situação do brasileiro.

De acordo com Renata, a família está em contato diário com o Itamaraty e todos os trâmites já foram feitos. “Agora é aguardar, pois tudo tem um prazo, uma sequência a ser seguida e em virtude dos feriados tudo se tornou mais moroso”, disse a mãe de Jonatan, acrescentando que a família foi informada da prisão por amigos do jovem.

 

O JOVEM

Natural de Ijuí, aos 4 anos, Jonatan Diniz se mudou para Balneário Camboriú (SC), onde a família ainda reside. O jovem prestava ajuda humanitária em diversos locais do mundo.

Na página do Facebook, Jonatan publicou diversos pedidos de doações, que seriam revertidas para ações de caridade a crianças de baixa renda.

O jovem residia nos EUA e chegou a passar algum tempo em Quito, no Equador, e atuou com a produção de vídeos para um canal no YouTube.

A família de Jonatan vem divulgando apelos nas redes sociais pela liberdade do jovem. Uma página foi criada para disseminar informações e mobilizar pessoas. O pai de Jonatan, Luiz Francisco Diniz, divulgou diversas mensagens nas redes sociais pedindo às autoridades providências sobre o caso.  

 

 

 

 

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