Após perdas, soja esboça reação e exibe ganhos

O mercado esboça uma reação após registrar perdas expressivas na sessão desta terça-feira. Ontem, os futuros da commodity foram pressionados pelos números do novo relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
Lucas de Campos 11 novembro, 2015 Fonte:

Na Bolsa de Chicago (CBOT), as principais posições da soja operam do lado positivo da tabela na manhã desta quarta-feira (11). Os contratos da oleaginosa exibiam ganhos entre 2,00 e 2,50 pontos, por volta das 7h39 (horário de Brasília). O vencimento novembro/15 era cotado a US$ 8,66 por bushel, depois de encerrar o pregão anterior a US$ 8,64 por bushel.

O mercado esboça uma reação após registrar perdas expressivas na sessão desta terça-feira. Ontem, os futuros da commodity foram pressionados pelos números do novo relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O órgão projetou a safra americana em um recorde de 108,35 milhões de toneladas para essa temporada.

O número ficou acima do indicado pelo departamento em seu último boletim, de 105,81 milhões de toneladas. Outro número que também acabou pesando nas cotações foi o de estoques, que foram estimados em 12,65 milhões de toneladas. Em outubro, a projeção era de 11,56 milhões de toneladas e a expectativa das consultorias era de 11,87 milhões de toneladas.

Paralelamente, os investidores ainda acompanham a evolução do plantio do grão na América do Sul. No caso do Brasil, pouco mais de 40% da área prevista para essa safra já foi semeada até o momento, conforme as estimativas das consultorias. Ainda assim, os produtores seguem cautelosos, uma vez que, no Sudeste e Centro-Oeste as chuvas permanecem irregulares. Já no Sul do país, as precipitações são mais expressivas, enquanto que no Nordeste, o tempo segue firme, seco e com altas temperaturas.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja: Com projeção de safra recorde nos EUA, preços recuam mais de 10 pts em Chicago

As cotações futuras da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta terça-feira (10) com perdas mais fortes. As principais posições da commodity encerraram o dia com quedas de mais de 10 pontos. O vencimento novembro/15 era cotado a US$ 8,64, com desvalorização de 9,00 pontos. Já o contrato março/16 caiu 11,60 pontos e finalizou a sessão a US$ 8,55 por bushel.

O mercado acabou sendo pressionado pelos novos números de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgados no final desta terça-feira. "Creio que o recorde na produção americana poderia acontecer, mas o órgão trouxe um belo recorde. Os estoques finais do país também ficaram bem acima, o que deu a tônica negativa às cotações", explica o economista e analista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter.

O departamento indicou a safra 2015/16 dos EUA em um recorde de 108,35 milhões de toneladas. O número ficou bem acima do projetado no boletim anterior, de 105,81 milhões de toneladas. As expectativas dos participantes do mercado estavam, em média, entre 106,52 a 107 milhões de toneladas. A produtividade média das lavouras também foi revisada e subiu de 53,52 sacas para 54,77 sacas por hectare.

Do mesmo modo, os estoques finais americanos aumentaram de 11,56 milhões para 12,65 milhões de toneladas. O volume estimado também ficou acima das expectativas dos participantes do mercado, que esperam estoques próximos de 11,87 milhões de toneladas para essa temporada.

Para a produção mundial, o USDA estimou a safra em 321,02 milhões de toneladas, frente as 320,49 milhões de toneladas projetadas em outubro. Em contrapartida, o departamento indicou uma redução expressiva nos estoques finais globais de 85,14 milhões para 82,86 milhões de toneladas. "Os estoques finais mundiais surpreenderam pela forte queda", afirma Motter.

No caso do Brasil, a produção ficou em linha com o projetado em outubro, de 100 milhões de toneladas. Já os estoques finais exibiram leve queda de 19,74 milhões para 18,59 milhões de toneladas. Por outro lado, as exportações subiram de 56,45 milhões para 57 milhões de toneladas.

Paralelamente, a colheita da safra americana já caminha para o final, com 95% da área semeada colhida até o último domingo (8), conforme dados oficiais. O número divulgado pelo departamento ficou em linha com as apostas do mercado, segundo informou o site internacional Farm Futures. Na semana anterior, pouco mais de 92% da área cultivada com o grão havia sido colhida. Já no mesmo período do ano anterior, o índice era de 89% e a média dos últimos cinco anos é de 93%.

Outro fator observado pelo mercado é o plantio da soja no Brasil. De acordo com informações da consultoria Safras & Mercado, o cultivo do grão chegou a 42,3% da área esperada para essa temporada até o dia 6 de novembro. Ainda hoje, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) reportou que, a safra de soja do país poderá alcançar até 102,8 milhões de toneladas nesta safra.

Mercado interno

O dia também foi negativo aos preços da soja no Porto de Rio Grande. Nesta terça-feira (10), a saca do grão disponível recuou 1,21%, com o preço a R$ 81,50. No caso da saca para entrega futura, a queda ficou em 1,41% e a cotação a R$ 77,00. Em Paranaguá, o preço da saca disponível ficou em R$ 78,50 e o futuro em R$ 77,50/sc.

Além da queda mais forte registrada no mercado internacional, a desvalorização do dólar também contribuiu para pressionar os preços. Por sua vez, a moeda norte-americana fechou a sessão com queda de 0,22%, cotada a R$ 3,7915 na venda. Na máxima do dia, a moeda chegou a R$ 3,8250.

De acordo com informações da agência Reuters, o pregão foi marcado por poucas notícias e pela atuação maior do Banco Central no mercado. Fator que acabou compensando o clima de aversão ao risco provocado por dados fracos sobre a economia da China.

Nesse momento de entressafra no Brasil, os analistas ressaltam que os negócios seguem pontuais e os produtores estão focados na implantação das lavouras e no clima. Da safra velha, restam pouco menos de 7% de um volume total estimado em 96 milhões de toneladas nas mãos dos vendedores, conforme explicam os analistas. Já da safra nova, a alta do dólar favoreceu a comercialização antecipada e as projeções indicam um volume superior a 40% da temporada 2015/16 que já foram comprometidas.

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