Ainda volátil, soja volta a subir na Bolsa de Chicago nesta 5ª feira e supera os US$ 8,80

Assim, os preços praticados em Chicago vêm trabalhando travados em um intervalo entre US$ 8,70 e US$ 8,90 por bushel, sem força para romper essas referências.
Lucas de Campos 4 fevereiro, 2016 Fonte:

A volatilidade continua no mercado internacional da soja. Na sessão desta quinta-feira (4), os preços subiam de 3,50 a 5 pontos entre as principais posições, após baixas de mais de 8 pontos no fechamento da sessão anterior. Assim, o primeiro vencimento – março/16 – era cotado a US$ 8,80 por bushel – enquanto a referência para a safra do Brasil – maio/16 – valia US$ 8,83.

Os traders enfrentam dificuldades para definir uma direção para as cotações, uma vez que, se de um lado alguns fundamentos ajudam a dar suporte às cotações, de outro, especulações, principalmente sobre o tamanho da safra da América do Sul, e a influência crescente do mercado financeiro pesam sobre as cotações ou ao menos limitam seu potencial de avanço. 

Assim, os preços praticados em Chicago vêm trabalhando travados em um intervalo entre US$ 8,70 e US$ 8,90 por bushel, sem força para romper essas referências. 

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Soja: Sensível, mercado recua em Chicago com previsão de chuvas para Argentina e feriado na China

Os futuros da soja, na sessão desta quarta-feira (3), acentuaram de forma significativa suas baixas na Bolsa de Chicago, levando as cotações a perderem pouco mais de 8 pontos nas posições mais negociadas. Assim, o mercado voltou a atuar, para os primeiros contratos, na casa dos US$ 8,70 por bushel, e os mais longos perderam o patamar dos US$ 8,90. 

O mercado internacional recebeu algumas informações negativas vindas do lado dos fundamentos, como as previsões de algumas chuvas na Argentina no final da semana. Importantes regiões produtoras do país vêm sofrendo com o clima intensamente seco e quente e os impactos já podem ser observados nas lavouras de soja e demais culturas de verão. 

No entanto, as últimas previsões climáticas mostram que, principalmente o norte da Argentina, poderiam receber algumas precipitações. Entretanto, os danos que começam a aparecer em algumas áreas já causam preocupação aos produtores locais, uma vez que até mesmo as reservas hídricas dos solos estão secando. 

"A Argentina pode trazer surpresas", diz Camilo Motter. Afinal, as lavouras estão em fase de formação de vagens e enchimento de grãos e precisam de água. As estimativas para a safra de soja do país estão próximas de 57 milhões de toneladas, contras as 61 milhões colhidas no ano passado. 

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E há ainda a "redução temporária" da demanda chinesa em função do longo feriado do Ano Novo Lunar que começa nesta quinta-feira (4) e vai até o próximo dia 13 na nação asiática. Esse é o feriado mais importante da nação asiática. 

"Estou vendo que a demanda chinesa é muito consistente. Os relatos são promissores, otimistas, dizendo que as importações podem chegar a algo entre 84 e 85 milhões de toneladas neste ano. Porém, o mercado está vendo essa informação de uma maneira muito mais ampla, buscando entender o comportamento da economia local", explica o analista de mercado e economista da Granoeste Corretora de Cereais. "Houve perdas em algumas outras commodities, mas não no setor alimentar. Há uma preocupação com o abastecimento de alimentos", completa.

No Brasil

O dólar fechou a sessão desta quarta-feira com baixa de 1,70% sentindo a pressão, segundo analistas, de preços melhores no petróleo – que subiu neste pregão – e de dados mais fracos da economia dos Estados Unidos. Assim, a moeda norte-americana encerrou o dia valendo R$ 3,9181 na venda. 

Nos portos de exportação, o impacto foi imediato, apesar dos prêmios ainda positivos e fortes, principalmente nas posições mais distantes. Em Paranaguá, a soja disponível caiu 0,49% para R$ 80,00 por saca, enquanto o produto da nova temporada foi a R$ 78,50, caindo 1,23%. Já em Rio Grande, estabilidade em R$ 80,00 no disponível, e baixa de 0,24% para o produto entregue em março/16, que fechou com R$ 82,00 por saca. 

No interior do país, o caminho inverso. As principais praças de comercialização registraram ligeiras altas, com alta de 0,70%, por exemplo, em Ubiratã e Londrina/PR, e de 1,52% para R$ 67,00 em São Gabriel do Oeste/MS. Nas demais, como Não-Me-Toque/RS, Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis/MT, estabilidade. Os últimos valores foram de R$ 72,50 para o município gaúcho e R$ 64,00 para ambos os mato-grossenses. 

 

Por: Carla Mendes
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