Águas do Pacífico continuam se aquecendo e El Niño ganha força

Em todas as regiões-chave de monitoramento do El Niño são registradas temperaturas 1ºC acima da média das últimas dez semanas, segundo informou o Escritório de Meteorologia da Austrália.
Lucas de Campos 22 julho, 2015 Fonte:

As temperaturas das águas do oceano Pacífico continuam a subir e estão superando os recordes de 1997 e meteorologistas afirmam que essas condições já sinalizam um ganho de força do fenômeno bem como sua continuidade no ano que vem, segundo noticiou o portal internacional AgWeb nesta terça-feira (21). 

Em todas as regiões-chave de monitoramento do El Niño são registradas temperaturas 1ºC acima da média das últimas dez semanas, segundo informou o Escritório de Meteorologia da Austrália. O fenômeno poderia afetar – e já está afetando com a ocorrência de períodos longos de seca e tufões chegando ao continente – o clima na Ásia, além de trazer muita chuva por toda a América do Sul e verões mais amenos para a América do Norte. 

No Sul do Brasil, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul já vêm sofrendo há semanas com o excesso de chuvas. Em muitos municípios dos três estados foi decretao estado de emergência, e somente no RS 50 mil pessoas já foram atingidas. Na agricultura, a colheita do milho safrinha está comprometida em muitas localidades, bem como as lavouras de trigo que estão em desenvolvimento. Segundo explicou o engenheiro agrônomo Dirceu Gassen, a atenção dos produtores nesse momento deve estar voltada, neste cenário, para o aparecimento de doenças foliares e radiculares. 

A situação no Paraguai é semelhante. Como relatou o produtor rural Márcio Mattei, de Santa Rosa Del Monday, as chuvas constantes desde o início de julho já paralisam a colheita da segunda safra de milho e os trabalhos de campo ainda precisam ser concluídos em 40% da área. No caso do trigo, ainda segundo Mattei, as lavouras já apresentam a incidência de doenças como a brusone e a giberela. 

Nos Estados Unidos, o quadro muda pouco. A agência de clima do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou em nota nesta terça-feira (21) que o clima seco e mais ameno deve prevalecer no Corn Belt. As informações mostram ainda que, em 19 de julho, a umidade do solo estava com um superávit de 65% em Ohio, 58% em Indiana, 47% no Missouri e 44% em Illinois. 

"As condições de tempo mais seco devem prevalecer nos próximos dias em boa parte do Meio-Oeste e Nordeste dos EUA. No final da semana, porém, chuvas fortes devem retornar a regiões pontuais da parte mais ao norte do Meio-Oeste. No intervalo dos próximos 6 a 10 dias, o clima no oeste do Corn Belt deve ficar mais úmido do que o normal, entretanto", informou a nota da agência do USDA. 

As chuvas continuam pelos próximos dias ainda em alguns estados do Corn Belt, como Iowa, por exemplo, de acordo com as últimas informações divulgadas pelo NOAA – serviço oficial de clima dos EUA . No intervalo dos dias 26 a 30 de julho, a região deverá receber precipitações acima da média, como mostra o mapa a seguir. Nesse mesmo período, porém, as temperaturas deverão permanecer acima da média, segundo indica o mapa seguinte. 

Com informações do NOAAAgWeb

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