Abelhas nativas em extinção são criadas na cidade

Sepé Tiaraju 26 maio, 2019 Fonte: A Tribuna

As abelhas nativas sem ferrão conhecida como meliponas são as espécies mais ameaçadas de extinção. No Brasil foram identificadas mais de 400 espécies identificadas enquanto no Rio Grande do Sul, 24. Na região das Missões já existem meliponários com várias espécies de abelhas nativas.

Um destes  meliponiculturores é Joney Cristian Braun, engenheiro agrônomo e extensionista da Emater que mora em Roque Gonzales. Joney conta que o interesse por abelhas nativas sem ferrão começou há três anos, através de outro colega da Emater. “Começamos a montar iscas para captura de Jataís. Depois disso adquiri meu primeiro enxame e comecei o processo de divisão. Hoje tenho 20 enxames de espécies de Jataí, Mandaçaia, Manduri, Mirim Negriceps, Guaraipo, Canudo e Mirim Emerina.”

Joney Cristian Braun criador de Roque Gonzales

Joney revela que as pessoas que visitam sua casa se encantam com o meliponário. “A abelha sem ferrão tem o manejo mais simples. No entanto há pragas como os ferídeos (moscas) que depositam larvas que destroem uma colmeia e a abelha Limão (um inseto parasita que também dizima outras espécies na busca de mel). A Limão tem esse nome porque ao ser ferida exala o cheiro da fruta que dá seu nome”, relata.

Maiquel Perini criador de Campina das Missões

Quem também se dedica a criação de nativas é Maiquel Perini de Campina das Missões. O  meliponicultor diz desenvolve a atividade por hobby e tem 30 enxames. O técnico de informática salienta que tem espécies de Jataí, Mandaguari, Tubuna, Borá e Mandaçaia. “Atualmente também crio um enxame de bugia, originária do Nordeste. A criação é experimental e seu manejo é mais delicado. A caixa tem aquecedor. Este tipo de abelha gosta do calor.”

Maiquel diz que no inverno período de menor floração e necessário colocar alimentador com xarope dentro das caixas para manter fortes as colmeias. “O xarope é feito com água e açúcar ou mel de abelha Apis (abelha com ferrão)”

Abelhas Mandaçaias

MEL DAS NATIVAS

O sabor do mel das nativas variam muito. As Mandaçaias, por exemplo, tem um mel mais líquido, claro e saboroso. Já o mel das Mandaguaris é mais escuro e sabor levemente azedo. A produção também depende da espécie. Uma abelha jataí produz anualmente uma média de 500 gramas de mel. As Mandaçaias e Mandaguaris, por sua vez, produzem uma média de 1,5 quilos por ano.

Abelhas nativas na caixa

Colmeia da abelha Manduri

 

MANEJO

A distância das caixas é fundamental para o sucesso da criação de abelhas. As abelhas Mandaçaia e Manduri podem ficar 30 cm de distância uma da outra. Enquanto espécies mais agressivas como Jataís a distância deve ser de 3 a 4 metros para evitar brigas. Criadores explicam ainda que abelhas Canudo e Tubuna podem ter as caixas próximas uma da outras, mas afastadas de abelhas mais mansas como as Mandaçaias.  O manejo em caixas é mais difícil com as abelhas Borá. Elas geralmente abandonam as caixas e retornam para as árvores.

Detalhe da entrada da colmeia da abelha Canudo

Os criadores relatam que as Manduris são mansas, mas em dias quentes se agitam e podem morder. E espécies como a Tubuna se enrolam no cabelo. Especialistas em abelhas nativas também revelam que muitas pessoas, por desconhecimento, acabam matando abelha Canudo confundindo esta espécie com Irapuá e a abelha Limão. Por isso, além da observação do aspecto físico do inseto, os criadores as identificam também pelo estilo da entrada das colmeias.

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